Esportes
50 anos após histórica nota 10, Nadia Comaneci se rende a Rebeca Andrade: "Execução perfeita"
Lenda da ginástica artística, romena elogia salto da brasileira campeã olímpica: "Muito raramente você encontra alguém que junte dificuldade, execução e dons artísticos"
GLOBOESPORTE.COM / CAROL OLIVEIRA, GUILHERME ROSEGUINI E MARCOS GUERRA
Nadia Comaneci definiu o que é perfeição no esporte. A romena tinha só 14 anos quando conseguiu a primeira nota 10 da história das Olimpíadas. Cinquenta anos depois, consagrada como uma lenda da ginástica artística, ela acredita que a busca pela série perfeita ainda esteja nos sonhos dos ginastas, embora a nota máxima não exista mais. Para Nadia, Rebeca está entre as poucas ginastas tão precisas ao ponto de merecer uma nota 10. A brasileira avançou à final do salto no Mundial de Roterdã com as melhores notas de execução da competição feminina na segunda-feira.
- A Rebeca no salto faz um dos movimentos mais tecnicamente corretos e precisos que já vi na vida. Uma execução perfeita. Muito raramente você encontra alguém que junte dificuldade, execução e dons artísticos - disse Nadia, em entrevista ao "Jornal Nacional".
Os canais sportv transmitem ao vivo as finais do Mundial de ginástica artística a partir desta terça-feira.
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Desde 2006, a ginástica mudou o código de pontuação e soma duas notas. A nota de dificuldade estabelece o grau de complexidade da série. A nota de execução mede a perfeição como a rotina é apresentada. As ginastas começam com o 10 e vão tendo deduções ao longo da série.
Rebeca Andrade tem a maior nota de execução da história da ginástica artística, um 9,733 pontos no salto dos Jogos Pan-Americanos de 2023, um Cheng que beirou a perfeição. Além de Rebeca, só a americana McKayla Marone conseguiu uma nota tão alta, também no salto - um Amanar nas Olimpíadas de 2012. Neste ano, durante o Campeonato Brasileiro, Rebeca mais uma vez deu show em execução no salto e recebeu 9,7 pelo seu Yurchenko com dupla pirueta.
- É algo muito difícil de se executar. Um 9,7 é algo ainda muito baixo para o que ela fez. Tinha que ser no mínimo 9,9. Apenas nos desenhos você consegue criar algo que é 100% correto. Fisicamente não é assim - disse Nadia Comaneci.
No Mundial de Roterdã, a perfeição foi a estratégia de Rebeca diante de adversárias com notas de dificuldade mais fortes, já que a campeã olímpica ainda não apresentou seu Cheng, seu movimento de maior dificuldade. Na classificatória, a brasileira liderou com um Yurchenko com dupla pirueta para 14,400 (9,400 de execução) e um Lopez para 14,266 (9,466 de execução). Foram as melhores notas de execução de toda a competição feminina na Holanda. Ela ainda teve 0,2 de bonificação para ficar com média 14,533.
- Perfeição pra mim é quando eu termino uma competição tendo a certeza que eu fiz o máximo que eu podia, que não mudaria nada. Eu busco sempre entregar o meu melhor. Pra mim, eu tô perfeita (risos). Quanto mais você pensa em melhorar, melhor você consegue se entregar ao seu esporte, ao seu trabalho, ao que seja. Por mais que você não consiga atingir a perfeição, esse pensamento é benéfico - disse Rebeca.
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