• Domingo, 25 de Outubro de 2026

Lula agradece aos jovens pela vitória de virada e promete novo jeito de governar

Presidente destacou mobilização da juventude, criticou desinformação nas redes e prometeu ampliar participação

JHEFFERSON GAMARRA / CAMPO GRANDE NEWS


Presidente reeleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao lado do vice-presidente Geraldo Alckimin (PSB) (Foto: Ricardo Stuckert)

Reeleito presidente da República neste domingo (25), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dedicou seu primeiro pronunciamento após a vitória ao agradecimento dos eleitores, especialmente dos jovens que, segundo ele, foram às ruas para defender a democracia durante a campanha do segundo turno. Ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), da primeira-dama Janja Lula da Silva e de aliados, o petista afirmou que a eleição lhe trouxe lições que pretende levar para o próximo mandato e prometeu mudar a forma de governar o país.

A mobilização da juventude, a participação de idosos nas urnas e o papel das redes sociais estiveram entre os principais temas da fala. Lula também criticou a disseminação de mentiras durante a campanha, defendeu a regulamentação das plataformas digitais e afirmou que a comunicação digital terá espaço muito maior em seu governo.

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O pronunciamento começou com uma breve fala do presidente, que, antes de passar a palavra a Alckmin, disse que os integrantes da família e o vice mereciam ouvi-lo depois da vitória. Em tom descontraído, Lula afirmou que todos estavam com a garganta cansada, mas que era justo que o presidente também dissesse algumas palavras.

“Eu acho que é justo que o presidente ouvisse, diga umas palavrinhas, não é um discurso, porque nós estamos com a garganta muito cansada', afirmou. Em seguida, chamou Alckmin para falar e disse que os dois, junto com Janja e Lu, mereciam ouvir as palavras do vice porque haviam vencido a disputa eleitoral.

Alckmin agradece aos eleitores e destaca os jovens - Ao iniciar sua fala, Alckmin agradeceu ao povo brasileiro e destacou a participação de diferentes grupos na eleição. O vice-presidente chamou a atenção para o fato de o segundo turno ter ocorrido em 25 de outubro, data em que é celebrado o Dia Nacional da Juventude.

“Saudar os jovens, o futuro começa hoje, se chama juventude', declarou.

Alckmin também agradeceu às mulheres, que, segundo ele, fizeram diferença na disputa, e aos idosos que compareceram às urnas. Na sequência, dirigiu-se a Lula para reconhecer sua atuação política e defender a importância do resultado eleitoral para a democracia brasileira.

O vice afirmou que o presidente havia salvado a democracia pela segunda vez e disse que estaria ao lado dele no próximo mandato, com humildade e responsabilidade.

“O senhor pela segunda vez salvou a democracia brasileira e conte conosco com humildade e senso de responsabilidade para trabalharmos juntos e estarmos à altura da confiança do povo brasileiro', afirmou.

A declaração foi uma das principais mensagens políticas da fala de Alckmin, que associou a vitória à confiança depositada pelos eleitores na chapa e à responsabilidade de conduzir o país nos próximos quatro anos.

Depois de ouvir o vice, Lula elogiou a lealdade e a conduta de Alckmin. O presidente disse estar feliz por ter ao seu lado um vice-presidente que considera íntegro e leal.

Lula destaca participação de jovens e idosos - Ao assumir a palavra, Lula afirmou que seu pronunciamento seria marcado pelo agradecimento. O presidente citou a participação dos eleitores e agradeceu aos responsáveis pela coordenação da campanha e aos partidos que estiveram ao lado do PT na disputa.

O petista também afirmou que o segundo turno registrou o menor número de abstenções e de votos nulos da história do país. A declaração foi usada por ele para destacar o envolvimento dos brasileiros na eleição e a importância da participação nas urnas.

O agradecimento mais enfático, porém, foi dirigido aos jovens. Segundo Lula, a mobilização da juventude foi importante para a defesa da democracia durante a campanha, especialmente no segundo turno, quando a disputa contra Flávio Bolsonaro (PL) se intensificou.

“Quero agradecer a generosidade da juventude brasileira que foi para a rua, foi para a rua para defender a democracia', afirmou.

O presidente também destacou a participação de eleitores idosos e relatou ter visto cenas de pessoas sendo levadas pelos netos para votar. Ele mencionou eleitores com dificuldades de locomoção, pacientes com câncer e pessoas com outras doenças que, segundo ele, fizeram questão de comparecer às urnas.

Para Lula, essas situações demonstraram a importância atribuída pelos eleitores à disputa e à escolha do próximo presidente. O petista afirmou que a campanha conseguiu convencer essas pessoas de que o voto era fundamental para preservar a democracia brasileira.

A referência aos jovens e aos idosos deu o tom do pronunciamento: Lula procurou associar o resultado eleitoral à mobilização de diferentes gerações e ao engajamento de eleitores que, segundo ele, compreenderam a importância da votação.

Presidente aponta derrota da desinformação - Lula também fez uma avaliação política da campanha e afirmou que o resultado representou uma derrota do negacionismo e da mentira. Ao comentar os debates eleitorais, criticou o adversário e disse ter ficado constrangido com o que considerou repetidas mentiras durante a disputa.

O presidente comparou a experiência dos debates com sua participação em encontros internacionais, como os do G20, dos Brics e do G7, e afirmou que, ao longo da trajetória política, já havia participado de diversas eleições e discutido temas internacionais com lideranças de outros países.

Apesar dessa experiência, disse não imaginar que enfrentaria uma disputa com características que associou ao milicianismo. Lula fez críticas duras ao adversário e questionou o comportamento que, em sua avaliação, marcou a campanha.

A fala reforçou o tom de confronto político que marcou o segundo turno, disputado entre Lula e Flávio Bolsonaro. O presidente apresentou a vitória não apenas como uma conquista eleitoral, mas também como uma resposta ao que classificou como desinformação e negacionismo.

Lula defende regulamentação das plataformas digitais - A atuação das redes sociais e das plataformas digitais foi outro dos principais assuntos abordados pelo presidente. Lula afirmou que a eleição sofreu interferências vindas de fora para dentro por meio dessas ferramentas e defendeu que o país estabeleça regras para o funcionamento do ambiente digital.

Para o petista, não é possível tratar os crimes cometidos na internet de maneira diferente daqueles praticados fora dela. Ele argumentou que empresas de tecnologia com grande poder econômico não podem atuar sem responsabilidade diante dos efeitos que suas plataformas produzem na sociedade e nos processos eleitorais.

“Não é possível que a gente não tenha consciência que o crime no mundo digital tem que ser tratado igual o crime na vida real ', declarou.

Lula também criticou empresas que, segundo ele, ganham bilhões de reais sem pagar impostos no país e tentam direcionar o resultado das eleições. A declaração aponta para a intenção de colocar a regulação das plataformas digitais entre os temas do próximo governo.

O presidente, no entanto, não detalhou quais medidas pretende adotar nem apresentou um cronograma para eventuais mudanças. A defesa da regulamentação apareceu associada à avaliação de que a desinformação teve influência na campanha e de que o poder das empresas de tecnologia precisa ser discutido.

Ao final do pronunciamento, Lula voltou ao assunto ao afirmar que a comunicação digital terá espaço muito maior em sua administração. A declaração indica que o governo pretende dar mais atenção à comunicação nas redes e à relação com a população por meio desses canais.

Mobilização na Avenida Paulista emocionou presidente - Ao comentar a campanha, Lula destacou a mobilização de apoiadores em diferentes estados e deu atenção especial ao ato realizado na Avenida Paulista, em São Paulo, no sábado (24), na véspera da votação.

O presidente afirmou ter ficado emocionado com o número de pessoas presentes e com o entusiasmo demonstrado durante a manifestação. Ele ressaltou a participação do público na execução do Hino da Independência e disse ter ficado impressionado com a reação dos apoiadores.

Lula contou que sentiu vontade de pedir que o público cantasse o hino e destacou o trecho que fala da liberdade da pátria e da disposição de defendê-la. Na avaliação do presidente, a cena demonstrou que o Brasil não aceita ocupar uma posição de submissão diante de outros países.

O petista aproveitou o momento para defender a soberania nacional e reafirmar que o país deve manter relações internacionais sem se colocar em posição de inferioridade. Para ilustrar o argumento, citou uma ideia que atribuiu ao cantor e compositor Chico Buarque: a de que o Brasil não deve falar grosso com a Bolívia e fino com os Estados Unidos, mas tratar todos os países em condições de igualdade.

A referência ao ato na Avenida Paulista também serviu para Lula reforçar a importância da mobilização popular durante a campanha. Ao longo da fala, o presidente relacionou a presença dos apoiadores nas ruas à defesa da democracia e à vitória nas urnas.

Presidente agradece aliados e promete mudanças - Lula também agradeceu aos integrantes da campanha que atuaram na mobilização política e na manutenção do ânimo dos apoiadores. Entre eles, mencionou um aliado chamado Janone, a quem atribuiu papel importante no trabalho diário de incentivo à equipe.

Segundo o presidente, o trabalho da campanha foi fundamental para manter a mobilização ao longo da disputa. Ele não apresentou, porém, um balanço detalhado das estratégias adotadas nem especificou quais ações pretende manter ou modificar no próximo mandato.

Na parte final do pronunciamento, Lula afirmou que a eleição lhe ensinou lições que ainda não pretendia detalhar publicamente, mas garantiu que pretende alterar a maneira de conduzir o governo.

“Eu posso garantir para vocês que nós vamos mudar o jeito de governar esse país', declarou.

O presidente também prometeu ampliar a participação da população nas decisões da administração federal. A proposta foi apresentada como um dos compromissos para os próximos quatro anos, embora não tenham sido anunciados mecanismos específicos para colocar a iniciativa em prática.

A comunicação digital, por sua vez, foi apontada como uma área que ganhará mais espaço. Lula não detalhou como essa ampliação ocorrerá, mas relacionou o tema à experiência da campanha eleitoral e à necessidade de enfrentar a desinformação nas redes sociais.

As declarações indicam que o presidente pretende rever estratégias de comunicação e de participação popular após uma eleição marcada pela polarização política e pela disputa de narrativas no ambiente digital.

Virada no segundo turno - A vitória deste domingo garante a Lula mais quatro anos à frente do Palácio do Planalto. O resultado foi conquistado depois de o petista terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro, que havia recebido 47% dos votos válidos, contra 45% de Lula.

Na etapa decisiva, o presidente reverteu a desvantagem e venceu o senador do PL, em uma disputa marcada pela mobilização dos apoiadores dos dois candidatos.

Ao agradecer aos eleitores, Lula procurou destacar a participação popular como um dos fatores centrais do resultado. A juventude que foi às ruas, os idosos que compareceram às urnas e os apoiadores mobilizados durante a campanha foram citados como exemplos do envolvimento da sociedade na eleição.

O pronunciamento também sinalizou temas que devem ocupar espaço no próximo mandato, como a regulamentação das plataformas digitais, o combate à desinformação, a ampliação da participação popular e a mudança na forma de governar.

Sem apresentar um plano detalhado para essas frentes, Lula encerrou a fala com a promessa de aproveitar as lições da campanha para conduzir uma nova etapa de sua administração.



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