• Quarta, 04 de Novembro de 2026

Análises não apontam alteração na água após naufrágio de barcaça com minério

Imasul solicitou novos exames para identificar metais no Rio Paraguai e mantém fiscalização sobre a ocorrência

GABRIEL NERIS / CAMPO GRANDE NEWS


Barcaça afundou no Terminal Privativo Gregório Curvo (Foto: Diário Corumbaense)

As primeiras análises da água do Rio Paraguai não identificaram alterações na qualidade provocadas pelo naufrágio de uma barcaça carregada com aproximadamente 1.500 toneladas de minério de ferro, ocorrido no sábado (31), em Corumbá. O resultado consta na nota divulgada pelo Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), que solicitou novos exames para verificar a presença de metais e mantém o acompanhamento dos possíveis impactos ambientais.

Segundo o instituto, a empresa responsável pelo empreendimento apresentou resultados de monitoramento de quatro parâmetros: cor, turbidez, pH e temperatura. Até o momento, os dados não indicaram mudanças na qualidade da água em decorrência do acidente.

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As medições ocorreram em diferentes pontos do Rio Paraguai, incluindo áreas acima e abaixo do local onde a embarcação afundou, no Porto Gregório Curvo, na região de Porto Esperança. Também houve coleta de amostras para análises laboratoriais.

Apesar dos resultados iniciais, o órgão ambiental determinou a realização de exames complementares para identificar possíveis concentrações de metais na água. A medida busca ampliar a avaliação dos impactos da carga de minério que estava na embarcação.

O Imasul informou ainda que não recebeu registros de morte de animais aquáticos associados ao naufrágio. Com base nas informações avaliadas até agora, os técnicos não identificaram indícios de impacto relevante na qualidade da água.

A conclusão, porém, ainda não é definitiva. O instituto continuará acompanhando os resultados laboratoriais e as providências adotadas pela empresa para verificar a existência de eventuais danos ambientais e a necessidade de novas medidas.

Investigação – A barcaça afundou na manhã de sábado (31), no Terminal Privativo Gregório Curvo, utilizado pela LHG Mining para transportar minério pela Hidrovia do Paraguai. A embarcação pertence a uma empresa parceira da mineradora, conforme informado pela LHG. Ninguém ficou ferido.

O acidente deixou a água próxima ao terminal com coloração avermelhada e mobilizou órgãos ambientais. A CFPN (Capitania Fluvial do Pantanal), da Marinha do Brasil, instaurou um inquérito administrativo para investigar as causas do naufrágio e eventuais responsabilidades.

Na segunda-feira, o Campo Grande News mostrou que o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) havia enviado técnicos ao local para avaliar possíveis danos.

O órgão federal manifestou preocupação com a dispersão de partículas minerais na água e o depósito de minério no fundo do rio. Entre os riscos apontados estão alterações na qualidade da água e possíveis efeitos sobre peixes, ovos, larvas e outros organismos aquáticos.

O Ibama também destacou a necessidade de verificar a quantidade e a composição do minério liberado, a presença de metais e possíveis vazamentos de combustíveis ou lubrificantes da embarcação.

Além do naufrágio, a mineradora enfrenta questionamentos sobre a qualidade da água que abastece a comunidade tradicional Antônio Maria Coelho e os transtornos provocados pelo tráfego de caminhões na região.

Moradores relataram água barrenta nas torneiras, enquanto a Prefeitura de Corumbá informou que avalia possíveis penalidades, dependendo dos resultados das análises ambientais. Esses problemas são objeto de apuração própria e não há comprovação de relação com o naufrágio.

Em manifestação anterior, a LHG Mining afirmou que a coloração avermelhada observada nas proximidades da barcaça foi temporária e que seus levantamentos não identificaram alterações na qualidade da água relacionadas ao acidente.

A empresa também informou que a embarcação transportava exclusivamente minério de ferro, sem combustíveis, óleos lubrificantes ou outros produtos químicos na carga, e que colabora com as investigações.

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