Coronel Sapucaia
Crise financeira no Paraguai cancela evento com Riedel e Longen no país vizinho
O evento Paraguay Summit estava marcado para o dia 13 de novembro e foi transferido para o próximo ano
IZABELA CAVALCANTI / CAMPO GRANDE NEWS
A crise política e financeira que atinge o Paraguai provocou o adiamento de uma agenda de compromissos que reuniria autoridades brasileiras e paraguaias na próxima semana. O evento Paraguay Summit, promovido pelo Lide, marcado para o dia 13 de novembro, foi cancelado e transferido para o próximo ano diante do cenário de instabilidade no país vizinho.
O encontro previa a participação do governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel e do presidente da Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul), Sérgio Longen.
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Também estava prevista a participação do presidente do Paraguai, Santiago Peña, que pediu renúncia do cargo, e do ex-presidente do Banco Central paraguaio Carlos Carvallo Spalding.
A programação incluía ainda o ex-presidente do Brasil Michel Temer, que governou entre 2016 e 2018, e o ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, entre outras autoridades e lideranças empresariais.
A proposta do Paraguay Summit era fortalecer as relações econômicas e diplomáticas entre Brasil e Paraguai, ampliando oportunidades de negócios e cooperação entre os dois países.
O Campo Grande News entrou em contato com a Fiems para saber o impacto da relação comercial entre os dois países, diante da crise financeira.
Entenda - A crise ganhou força na terça-feira (3), com a saída de Carlos Carvallo da presidência do Banco Central do Paraguai, situação que também pressionou o governo de Santiago Peña.
O cenário é marcado pelos problemas enfrentados pelo Ueno Bank, maior emissor de cartões de crédito do Paraguai. A instituição enfrenta dificuldades financeiras e é alvo de investigações.
De acordo com o Banco Central, o capital do Ueno era inferior à metade do valor mínimo exigido por lei, ou seja, a instituição não possuía recursos suficientes para lidar com possíveis prejuízos.
Diante da deterioração de sua situação financeira, foi determinada uma intervenção, que deixou clientes com dificuldades para acessar as próprias contas. O banco tem cerca de 3 milhões de clientes no país e administra aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos.
Já na quinta-feira (5), Santiago Peña anunciou que deixaria a Presidência do Paraguai. A decisão foi comunicada em um vídeo publicado nas redes sociais do mandatário, em meio a protestos nas ruas e discussões no Congresso sobre um possível processo de impeachment.
Mato Grosso do Sul tem no Paraguai um importante parceiro comercial. Essa relação deve ganhar ainda mais relevância com o avanço da Rota Bioceânica, corredor rodoviário que ligará o Brasil aos portos do Chile, atravessando os territórios paraguaio e argentino.
A expectativa é que a nova rota amplie a participação de Mato Grosso do Sul no comércio internacional, reduza distâncias logísticas e fortaleça a conexão do Estado com mercados sul-americanos e asiáticos.
A relação entre os governos também teve um capítulo recente em Campo Grande. Em 22 de março de 2026, Santiago Peña esteve na Capital para a abertura da COP15, conferência internacional dedicada à conservação de espécies migratórias.
Na ocasião, participou de uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e também se encontrou com empresários sul-mato-grossenses na Fiems, onde foram discutidas oportunidades de negócios e o fortalecimento das relações econômicas entre os dois países.
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