• Segunda, 08 de Junho de 2026

Acne hormonal: entenda as causas

Especialistas explicam ainda o tratamento, que deve ser multidisciplinar

CORREIO DO ESTADO / FLAVIA VIANA


Causas do acne hormonal - Foto - Pinterest

Se você já passou da puberdade e já ingressou na fase adulta, certamente se questionou como você ainda pode ter acne, uma vez que essa é uma condição atrelada à adolescência, certo? Errado.

De acordo com uma pesquisa publicada pela revista JAMA Network, a acne vulgar é uma doença inflamatória que acomete aproximadamente 9% da população mundial. Ainda segundo o estudo, 50% das mulheres com idade entre 20 a 29 anos sofrem com a condição.

O problema é multifatorial, ou seja, ele pode surgir devido aos hábitos de uma pessoa, bem como, por questões genéticas e, principalmente, alterações hormonais. 

Segundo Geisa Costa, médica dermatologista, diretora clínica e fundadora do Art Beauty Center (São Paulo e Uberaba/MG), um desequilíbrio nos hormônios sexuais masculinos faz com que as glândulas pilossebáceas produzam mais secreções.

“Elas se acumulam na barreira da pele, formando os cravos pretos e brancos, e dentro da pele, ocasionando espinhas com pus, lesões profundas e doloridas, e até cistos”, explica.  

É de conhecimento geral que condições de saúde, como a diabetes, ovários policísticos ou a malformação de glândulas endócrinas, são fatores determinantes para a presença de acne, mas e quando o paciente não é diagnosticado com nenhuma delas? 

“Nesses casos, é essencial analisar os hábitos, pois o estresse, a má alimentação, alterações psicológicas e, principalmente o tabagismo também podem causar reações inflamatórias no organismo e desencadear um quadro de acne, ou seja, esse tipo de problema ainda pode servir como um alerta para além das questões estéticas e nos fazer buscar um equilíbrio entre saúde mental e física, pois uma parte não funciona bem sem a outra”, alerta Geisa. 

Tratamento multidisciplinar 

Apesar de ser entendido que pele é uma questão voltada apenas à dermatologia, hoje, os tratamentos geralmente exigem o trabalho multidisciplinar, com a colaboração de diferentes especialidades, como, por exemplo, dermatologistas e ginecologistas.

Uma vez que dois dos hormônios mais importantes são produzidos nos ovários: o estrogênio, estimulado nos primeiros 14 dias de um ciclo menstrual.

“Enquanto o outro, a progesterona, tem um efeito de proteção contra o excesso do estrogênio, e ocorre na segunda metade do ciclo menstrual e pode deixar a pele opaca, oleosa e com espinhas, principalmente na região do queixo”, comenta o ginecologista Mauricio Abrão, professor de Ginecologia da Faculdade de Medicina da USP. 

Se o paciente já fez de tudo o que está ao seu alcance, melhorando a sua rotina de cuidados e seus hábitos e mesmo assim o problema persistir, é mais que necessário passar uma bateria de exames para entender a origem da acne.

“Como exames hormonais e até mesmo de imagem, para ver se não há alguma questão relacionada aos ovários policísticos, por exemplo, que estimulam essa condição”, avalia Mauricio Abrão, Coordenador do Setor de Ginecologia Avançada da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo. 

Com o diagnóstico em mãos, a paciente deve pedir orientações aos seus médicos de confiança para elaborar um plano de tratamento.

“Pele é estímulo constante. A acne deve ser tratada desde a adolescência para evitar cicatrizes e manchas. Se a pessoa não se cuidou, precisa começar. Muitas vezes, a acne vulgar pode-se estender por décadas. Ter um tratamento personalizado, por exemplo, quinzenal ou mensal em uma clínica, desde medicamentos de uso tópico a tratamentos com laser, por exemplo, vão ajudar a minimizar esses danos”, afirma a médica dermatologista. 

Para o ginecologista, é possível ainda aliar o anticoncepcional. “Desde que seja muito bem avaliado, de acordo com o histórico da paciente, para não dar efeito rebote, ou seja, aumentar ainda mais a acne”, sentencia.



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