• Quinta, 10 de Setembro de 2026

Prefeitura diz que obras atrasaram por mudanças em programa habitacional

O projeto prevê a construção de 4 blocos com 164 unidades habitacionais, sendo 25 delas acessíveis para PCDs e idosos

CORREIO DO ESTADO / JUDSON MARINHO


O diretor-adjunto da Amhasf, Cláudio Marques, apresentou o projeto de construção de condomínio sustentável na Capital - Foto: Gerson Oliveira

O Condomínio Sustentável que será construído em terreno localizado no Bairro Paulo Coelho Machado, na Avenida dos Cafezais, em Campo Grande, ainda não saiu do papel, segundo a Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários (Amhasf), por conta de mudanças no programa habitacional do governo federal Casa Verde e Amarela, rebatizado de Minha Casa, Minha Vida.

Em entrevista ao Correio do Estado, o diretor-adjunto da Amhasf, Cláudio Marques, declarou que o projeto, que foi vencedor de concurso da Secretaria Nacional de Habitação/Ministério do Desenvolvimento Regional em parceria com a Agência Alemã de Cooperação Internacional Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ), ainda passa por adequações.

“O projeto do Condomínio Sustentável já passou pela primeira fase de seleção, em que assinamos o contrato com a Caixa Econômica. Ainda está em processo de adequação de itens elencados que constam no projeto que o tornam sustentável”, disse Cláudio.

Além da fase de adequações, paralisou os trâmites do condomínio sustentável, de acordo com o diretor-adjunto, a mudança do programa habitacional do governo federal travou a execução do projeto.

“Com a mudança do Casa Verde e Amarela para o Minha Casa, Minha Vida, ainda não foi decidido pelo governo federal como será a execução desse projeto. Ele foi inserido no ano passado no Fundo de Arrendamento da Caixa, dentro do Casa Verde e Amarela, mas faltaram algumas diretrizes para concluir e no início deste ano houve a revogação das portarias por causa da mudança do programa habitacional”, declarou o diretor-adjunto da Amhasf.

Se o contrato do projeto seguir com financiamento do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR) da Caixa, a Amhasf fará o chamamento para fazer a contratação da empresa que executará a obra, que ainda não foi iniciada.

“A prioridade do governo é assinar o empreendimento de sustentabilidade, além dos outros FARs que foram selecionados no ano passado”, acrescentou.

SISTEMA SUSTENTÁVEL

O projeto prevê diversas medidas para deixar a construção mais sustentável, entre elas, a instalação de placas solares e sistema para coleta e reutilização da água da chuva.

Elaborado pela arquiteta Paula Vilela e Souza, de São Paulo, o projeto prevê a construção de quatro blocos com 164 unidades habitacionais, sendo 25 delas acessíveis para pessoas com deficiência e idosos.

As unidades não terão cercamento, já que entre elas será feita uma área de convivência com uma praça, cujo objetivo é que possa receber moradores não só do condomínio, mas do bairro inteiro.

De acordo com a Amhasf, não há um plano para a separação de vagas de estacionamento, já que a ideia é fazer com que as pessoas circulem mais dentro do bairro e, assim, não necessitem de transporte veicular como meio de locomoção.

Um dos objetivos do projeto é diminuir a circulação de carros e estimular o uso de transporte alternativo, como bicicleta e transporte coletivo.

Os apartamentos terão de 32,15 m² a 63,60 m², dependendo da quantidade de dormitórios. As unidades vão de um a três quartos, porém, de acordo com a secretaria, essas especificações podem ser adaptadas de acordo com a preferência dos moradores.

O projeto também prevê um sistema de construção a seco, chamado de drywall, que tem tratamento acústico e consiste em uma placa de gesso pré-fabricada, encapada com papelão ou fibra de vidro e que pode ser fixada em estruturas.

Os apartamentos terão ventilação cruzada, que diminui o índice de calor dentro do imóvel, além de fachadas protegidas contra a incidência direta da luz solar.

A previsão é de que o empreendimento custe pelo menos R$ 18 milhões e seja destinado para pessoas que recebem até dois salários mínimos.

DESCENTRALIZAÇÃO

Conforme informado pelo diretor-adjunto da Amhasf, o projeto do empreendimento prega pela diminuição da geração de gás carbônico, e um de seus princípios é diminuir a circulação de carros na região, trazendo uma nova centralidade aos bairros.

A ideia é que os moradores não precisem ir ao centro da cidade, de modo que se estimule o consumo em empreendimentos locais, como supermercados e o Shopping das Moreninhas, que será construído na esquina da Avenida dos Cafezais, na saída para São Paulo.  



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