• Quarta, 21 de Janeiro de 2026

Vídeo contesta versão da PM e mostra bombas iniciando caos que feriu florista

Imagens revelam artefatos sendo lançados e indicam que a confusão começou com a chegada da polícia

GABI CENCIARELLI / CAMPO GRANDE NEWS


Dona Neide ferida pela bomba (Foto: Arquivo Pessoal)



Vídeo de câmera de segurança obtido pelo Campo Grande News contradiz o registro feito pela Polícia Militar de Mato Grosso do Sul sobre a abordagem em uma tabacaria do Jardim Leblon, em Campo Grande, na madrugada de domingo (18). Enquanto a corporação sustenta que a florista Neide Fátima de Oliveira, de 63 anos, foi ferida por garrafas arremessadas durante a ação, as imagens mostram que a confusão começa com o lançamento de bombas de efeito moral e, em seguida, pessoas correm para o lado oposto. A florista foi atingida no rosto e corre risco de perder a visão.

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As imagens, gravadas por uma câmera de segurança, mostram o grupo de pessoas concentrado na calçada do estabelecimento quando uma bomba é lançada em direção ao local. Logo após a explosão, o cenário é de pânico e correria generalizada. Homens e mulheres deixam o local rapidamente, fugindo do barulho e da fumaça. Em nenhum momento o vídeo registra pessoas lançando garrafas, avançando contra policiais ou reagindo à abordagem.

O que se vê é a dispersão imediata após o uso do artefato. A sequência visual reforça que a confusão tem início com a explosão da bomba e não com qualquer confronto prévio, como aponta o registro policial.

Foi nesse contexto de caos, barulho intenso e correria que Neide acabou ferida. Conhecida por percorrer a cidade durante a madrugada vendendo flores, ela estava trabalhando quando foi atingida por estilhaços da bomba no rosto. O impacto provocou sangramento intenso e lesões graves em um dos olhos.

Desde então, a florista permanece internada em uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da Capital. Ela não consegue abrir o olho ferido, sente dores constantes e aguarda avaliação cirúrgica. A família foi informada sobre o risco real de perda definitiva da visão, o que tem causado angústia e apreensão.

Em vídeos gravados ainda no hospital, Neide afirma que ninguém arremessou garrafas contra os policiais e que a abordagem ocorreu de forma repentina. Segundo ela, os policiais chegaram já lançando bombas, sem aviso ou ordem de dispersão prévia.

Versão da PM - No registro apresentado pela Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, a corporação informou que foi acionada para atender uma ocorrência de perturbação do sossego, com som alto, grande aglomeração e motociclistas realizando manobras perigosas. A nota sustenta que, com a chegada das equipes, houve animosidade e arremesso de garrafas contra os policiais, o que teria motivado o uso de granadas de efeito moral.

Ainda conforme esse registro, a florista teria procurado os policiais dizendo não saber como havia se ferido e, segundo o relato de uma pessoa identificada no local, a lesão poderia ter sido causada por uma garrafa de vidro lançada durante a dispersão.

O vídeo, no entanto, não sustenta essa versão. As imagens não mostram qualquer pessoa lançando objetos contra os policiais antes ou depois da explosão. O comportamento registrado é exclusivamente de fuga e dispersão após o lançamento da bomba.

Para a família, as imagens confirmam o que Neide sempre relatou. A filha, Poliana Roberta, afirma que a mãe havia atravessado a rua para buscar troco e foi atingida ao retornar, já em meio à confusão provocada pelas bombas.

Além do impacto físico, o episódio trouxe consequências emocionais e financeiras. A florista dependia das vendas noturnas para sustentar a casa e está impossibilitada de trabalhar. A família informou que pretende registrar boletim de ocorrência e cobrar apuração do caso, especialmente diante das imagens que contradizem a versão oficial.

O Campo Grande News mantém espaço aberto para manifestação da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul sobre o conteúdo do vídeo e os questionamentos levantados pelas imagens.

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