• Domingo, 26 de Abril de 2026

Vídeos indicam que trabalhador encontrado morto tinha costume de caçar javalis

Em imagens, vítima usa a música “O Caçador', que conta sobre o comportamento de quem captura e mata animais

LUCIA MOREL / CAMPO GRANDE NEWS


Nas redes sociais de Edso Granzotto, encontrado morto em área de mata na manhã de ontem em Douradina, a 192 Km de Campo Grande, vídeos indicam que ele costumava caçar e matar javalis com ajuda de cães. Pela legislação vigente, o manejo de controle desses animais é permitido, desde que autorizado pelo Ibama (Instituto Nacional de Meio Ambiente).

Em um dos vídeos postados, usando a música “O Caçador', da dupla Janinho e Mazinho, a vítima mostra área aberta de pasto e com certa neblina. A letra fala que o personagem saiu cedo para caçar e que soltou a “cachorrada' para buscar o rastro da presa. Inclusive, entre as fotos presentes na postagem, pode ser vista a carroceria de uma picape Montana com ao menos sete cães. Como figurinha do vídeo, há um javali morto e os cachorros sobre ele. As imagens são de 5 de junho do ano passado, em Rio Brilhante.

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Em outra postagem, de setembro de 2025, a música escolhida é “Gineteada', do grupo Porca Véia, do Rio Grande do Sul. Nesse Estado, uma tradição comum é retratada na letra: o ginete (cavalheiro) monta um cavalo não domado e tenta fazê-lo. A música termina com o cavalheiro vencendo a disputa e fazendo o animal gritar.

As imagens mostram facas ensanguentadas e os cães mordendo e arrastando javalis em mais de uma ocasião, seja em área de mata ou de brejo, seja em meio a uma plantação de milho. Em alguns cortes, é possível ver que os animais ainda tentavam se desvencilhar dos cachorros e também se debatiam. Outros vídeos da vítima mostram-no em colheitadeiras e em meio à lavoura.

Caso - O corpo de Edso, que tinha 35 anos, foi encontrado em uma área de mata e a princípio, a suspeita é de que ele tenha sido atacado por um javali antes de morrer no local. Ele apresentava uma única lesão no corpo, localizada na coxa direita, compatível com mordida de animal. A Polícia Civil constatou ainda que havia diversas pegadas de javali nas proximidades.

Momentos antes do ocorrido, a vítima havia se comunicado via rádio com um colega, pedindo ajuda, pois havia muitos animais no local. Quando o companheiro chegou ao ponto indicado, encontrou o homem caído, já sem sinais vitais.

A reportagem entrou em contato com um dos delegados da cidade para ter mais detalhes da investigação ou do comportamento da vítima, mas não houve retorno.

“Caça' legal - Conforme a legislação ambiental brasileira vigente, a 'caça' esportiva não é permitida no Brasil. O que existe é o controle populacional de espécie exótica invasora, que é o caso do javali (Sus scrofa), através de uma atividade de manejo regulamentada pelo Ibama.

Para atuar no controle populacional, o interessado deve estar em dia com os sistemas federais no CTF/APP (Cadastro Técnico Federal), na categoria de manejo de fauna exótica invasora; apresentar certificado de regularidade, emitido após o cadastro; registrar toda a atividade no Simaf (Sistema de Informação e Manejo de Fauna), que deve receber as informações de cadastro da propriedade onde será feito o manejo, e obter as autorizações de manejo e de acesso.

Por fim, o interessado deve apresentar relatórios de atividades, ao final de cada período de autorização para apresentar os resultados das atividades de controle.

Relatório de 2019 do Ibama — Relatório sobre áreas prioritárias para o manejo de javalis: aspectos ambientais, socioeconômicos e sanitários — mostra que municípios de Mato Grosso do Sul foram classificados com prioridade “extremamente alta', “muito alta' e “alta' para a prevenção da ocorrência de javalis em mais de um aspecto, por motivos ambientais, socioeconômicos ou sanitários.

Entre eles estão: Aral Moreira, Guia Lopes da Laguna, Ladário, Laguna Carapã, Rochedo, Douradina, Fátima do Sul, Rio Brilhante, Anastácio, Angélica, Batayporã, Caarapó, Coxim, Dourados, Eldorado, Itaporã, Maracaju, Nova Alvorada do Sul, Porto Murtinho e Corumbá.

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