• Segunda, 27 de Abril de 2026

Riedel diz que apuração sobre remédio oncológico levou à operação contra fraude

Riedel diz que estranhou judicialização que provocou desembolso de R$ 100 milhões em 2025

SILVIA FRIAS E FERNANDA PALHETA / CAMPO GRANDE NEWS


Governador Eduardo Riedel durante evento no Hospital do Câncer (Foto: Osmar Veiga)

A judicialização de um medicamento oncológico específico levantou suspeitas dentro da Secretaria Estadual de Saúde, que acionou a Corregedoria e a Polícia Civil para apurar o caso. A investigação, segundo o governador do Estado, Eduardo Riedel, desencadeou a Operação OncoJuris, que apura esquema de desvio de recursos da saúde para compra fraudulenta de remédios de alto custo.

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O fio começou a ser desenrolado há cerca de cinco meses, segundo Riedel, que falou sobre a apuração durante a inauguração do 5º andar do Hospital do Câncer, em Campo Grande.

Riedel diz que estava preocupado com o “nível de judicialização' para compra de medicamentos que, no ano passado, alcançou desembolso de R$ 100 milhões para aquisição de medicamentos.

Segundo Riedel, a secretaria levantou o caso de um remédio específico, o que levou ao acionamento da Corregedoria e da Polícia Civil.

No dia 23 de abril, quando a operação foi deflagrada, a informação divulgada foi de que a investigação começou em setembro de 2025, a partir de alerta do NAS (Núcleo de Atenção à Saúde), setor da Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul, que identificou um padrão atípico em ações judiciais.

A ofensiva do Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado), do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), da Defensoria Pública e da Receita Federal cumpriu mandados em MS, São Paulo e Minas Gerais.

Cinco pessoas foram presas na ação: os farmacêuticos Reginaldo Pereira dos Santos, de 54 anos, e Luiz Henrique Marino, de 50 anos; os advogados Altair Penha Malhada, de 40 anos, e Victor Guilherme Lezo Rodrigues, de 27 anos. O quinto investigado é o ex-servidor Guilherme de Oliveira Neto, de 37 anos.

Os cinco são investigados pelos crimes de organização criminosa, falsidade documental, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e irregularidades na área da saúde.

Os mandados de prisão preventiva, expedidos pela Justiça, são válidos por cinco dias e expiram amanhã.

Esquema – De acordo com informações da força-tarefa, o esquema era dividido em quatro núcleos: administrativo, jurídico, empresarial e de importação.

Os advogados teriam papel central na judicialização das demandas, ingressando com ações que obrigavam o Estado a fornecer medicamentos de alto custo. Já os integrantes ligados à administração pública seriam responsáveis por facilitar fluxos internos e dar respaldo às demandas.

Na outra ponta, o núcleo empresarial e técnico, onde se encaixam os farmacêuticos de pequenos estabelecimentos, viabilizaria a compra e o fornecimento dos produtos, muitas vezes importados sem registro na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e revendidos com valores até 70 vezes superiores.

O grupo criminoso pode ter movimentado ao menos R$ 78 milhões em recursos públicos.











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