• Quinta, 30 de Abril de 2026

Da novela ao pão de queijo: gringas do Minas se conectam com o Brasil além das quadras

Polonesa Julia Nowicka e russa Mariia Khaletskaya entram em quadra neste domingo pela final da Superliga Feminina entre Minas e Praia Clube

GLOBOESPORTE.COM / LUíS FELLIPE BORGES


Mariia Khaletskaya comemora com time do Minas — Foto: Hedgard Moraes/Minas Tênis Clube

Apostas do Minas para a temporada 2025/26 do vôlei, a polonesa Julia Nowicka e a russa Mariia Khaletskaya construíram uma relação com o Brasil que vai muito além das quadras na primeira experiência na Superliga Feminina. Enquanto Mariia decidiu vir ao país graças a um novela da TV Globo, Julia se apaixonou pela culinária mineira após chegar a Belo Horizonte.

Com as "gringas" no time titular, o Minas encara o Praia Clube pela final da Superliga neste domingo, às 10h, no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo. A partida decisiva terá transmissão da TV Globo, do sportv e da getv. O ge também acompanha o duelo em tempo real com vídeos exclusivos.

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*"O clone", em russo

Aos 31 anos, a oposta Khaletskaya conheceu a cultura brasileira por meio da novela "O Clone", escrita por Glória Pérez e exibida pela TV Globo pela primeira vez em 2001. Anos depois, a produção se tornou um fenômeno no exterior, incluindo a Rússia, e caiu nas graças de Maria.

— Na Rússia, conheci a cultura brasileira através de novelas de TV. Quando eu era criança, não havia internet nem TV a cabo, e não havia muitos programas. No entanto, as novelas mais populares da época – como "O Clone" – tornaram-se um verdadeiro fenômeno cultural. Lembro-me de que, à noite, quando essas séries começavam, não havia ninguém nas ruas, todos estavam sentados em casa, em frente à TV. Era algo incrível, uma verdadeira tradição. Todos assistiam – avós, mães, pais e filhos. Pode-se dizer que todos estavam "doentes" com a novela. Ela me ajudou a entender alguns aspectos da cultura brasileira e me inspirou a querer aprender mais sobre o país — contou Mariia em entrevista ao ge em 2025.

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O impacto da novela "O Clone" foi tão grande na Rússia que a produção foi exibida diversas vezes no país e deu fama ao elenco global. A produção — junto com a experiência que ela teve em Brasília na Liga das Nações de 2019 — motivou Khaletskaya a se aventurar no Brasil após passar a maior parte da carreira no voleibol russo.

"A novela mostrou uma vida brasileira linda, ensolarada e vibrante, cheia de paixão, alegria e emoções incríveis"

No Minas, Khaletskaya se tornou a terceira melhor pontuadora do time na Superliga, atrás de Hilary Johnson e de Julia Kudiess. Ao todo, a russa anotou 283 pontos na competição.

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*Pão de queijo", em polonês

Contratada pelo Minas para substituir a americana Jenna Gray - hoje, no Osasco - na posição de levantadora, Julia Nowicka se tornou um dos grandes nomes do time na temporada. Com ela e Mariia, o time mineiro foi campeão da Copa Brasília e no Campeonato Mineiro, além de terminar a primeira fase da Superliga Feminina na vice-liderança.

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Com bagagem internacional, Nowicka atua em solo brasileiro pela primeira vez. No entanto, uma foto que tirou aos sete anos usando uma camiseta com a bandeira do Brasil se tornou um presságio do que ocorreria no futuro da carreira da atleta.

— Minha mãe encontrou essa foto e disse: "Olha isso, você com a camisa do Brasil!". E eu fiquei: "Uau, isso é loucura" — revelou Julia.

Cada vez mais adaptada à vida em Belo Horizonte, a polonesa não resistiu ao pão de queijo e aos doces servidos nem uma entrevista à TV Globo (assista no vídeo que abre a reportagem). Ela se mostrou bem à vontade até para usar uma expressão tipicamente mineira ao elogiar a comida.

"Trem bom!"

Além da distribuição de jogo, Nowicka também é conhecida por ser ousada nos ataques, com muitas bolas passadas no segundo toque. Ela lidera as estatísticas da Superliga no quesito eficiência de saque, com 36,9% de aproveitamento.



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