• Terça, 05 de Maio de 2026

Violência, esperança da família e surgimento de "El Tren": as origens de Viveros, artilheiro do Brasileirão

Em entrevista exclusiva ao ge, atacante conta detalhes inéditos da vida e da carreira até virar sensação do Athletico

GLOBOESPORTE.COM / JONATHAS GABETEL E NADJA MAUAD


Viveros; Athletico — Foto: Reprodução/Redes sociais

Desde a infância, o atacante Kevin Viveros aprendeu a conviver com a responsabilidade de ser a grande esperança da família. Saiu dos campos de areia na Colômbia para se tornar o artilheiro do Brasileirão e sensação do Athletico na temporada. Em entrevista exclusiva ao ge, o camisa 9 deu detalhes inéditos sobre vida, carreira e sonhos pessoais.

🗞️ Mais notícias do Athletico ✅ Clique aqui e siga o canal ge Athletico no WhatsApp

Viveros nasceu em Buenaventura, principal cidade portuária da Colômbia. O município convive com realidade de violência, devido à presença de facções ligadas ao narcotráfico e grupos paramilitares.

- Minha infância foi um pouco difícil, porque minha família tinha pouco recurso. A esperança estava praticamente em mim desde os cinco anos, quando comecei a jogar. Minha família me apoiou muito, porque viram que eu tinha muito talento.

- Desde nasci existe o tema da violência. É difícil que os jogadores de futebol de lá, se não têm apoio, sigam construindo seus sonhos. Sem apoio, buscam outro caminho, o qual não é o bom.

O lar abrigava seis pessoas: além dele, os pais Ana Milena e Luis Alberto e os irmãos Luis David, Luis Alberto e Aida Lida. Para viver o sonho, precisou largar os estudos e focar no campo.

Viveros deu os primeiros passos no futebol em uma escolinha de sua cidade, chamada Urbano UFC - hoje, Pacífico UFC. O primeiro treinador foi Ricardo Urbano, por quem o centroavante nutre carinho até os dias atuais.

- Eu jogava em um campo de areia em Buenaventura, era como se estivesse na praia. Não tinha chuteiras, jogava com chuteiras estragadas. Minha família fazia um grande esforço para comprar novas. Essa infância me marcou muito, por isso sou grato a todas as pessoas que me deram oportunidade. Isso me motivou mais a lutar cada dia mais para dar uma boa vida à minha família.

O jogador estreou profissionalmente em 2018, pelo América de Cali, e passou por Atlético Cali e Itagüi Leones antes de vivenciar um dos episódios mais desafiadores da carreira. Sem acordo para renovar, ficou um ano à espera de uma nova oportunidade, que veio no Carabobo, da Venezuela.

- O clube queria renovar, mas as condições não foram as melhores. Eu pedi os papéis, porque já tinha acabado o contrato. Fiquei um ano parado, em 2021, só treinando. Foi algo muito difícil para mim. Acabou o salário, acabou tudo. Não sabia o que fazer da vida, porque eu treinava, esperando a oportunidade. Até que um dia chegou a oportunidade no Carabobo. Foi um novo começo na minha vida.

- Eu cheguei a ajudar muitos companheiros que tinham empreendimentos, fazendo publicidade no meu Instagram para que mais pessoas pudessem comprar . Naquele momento, minha mãe, com o pouco que eu tinha, também me ajudava muito, meu irmão, minha esposa.

MAIS: + Athletico não terá Odair e três titulares contra o Vasco + Odair cutuca Luís Castro, e auxiliar do Grêmio responde

Na equipe venezuelana, Viveros marcou 21 gols em 34 partidas, terminando como goleador máximo da temporada 2022. Caiu nas graças da torcida e ganhou o apelido de "Trem". A definição ideal de seu estilo de jogo e sua ambição em campo.

- O apelido de Trem me colocaram na Venezuela. Cada vez que fazia um gol, cantavam "Kevin Viveros, El Tren". Eu gosto, porque me identifico e é como sou em campo. Eu sou um trem porque não tenho medo de nada. O trem sempre vai reto, direto. E esse sou eu. Vou direto, sempre procurando os gols. Quem se mete no meu caminho, eu o pego.

Em 2024, o atacante teve uma rápida e frustrante passagem pelo FK Sarajevo, da Bósnia. O desejo de jogar na Europa ficou longe da expectativa.

- Foi muito rápido. Eu cheguei à Bósnia com muita ilusão de jogar na Europa. Mas quando cheguei à Bósnia, nos meses em que estive, foi só treinando. Joguei apenas 22 minutos em quatro meses. Falei com o presidente, queria ir embora, porque não estava lá só para treinar.

A chegada no Athletico

Ainda naquele ano, transferiu-se ao Atlético Nacional e se destacou. Foi campeão da Liga Colombiana, da Taça da Colômbia e da Supercopa local. Era um dos artilheiros da Copa Libertadores de 2025 quando surgiu o interesse do Athletico.

O técnico Odair Hellmann foi o responsável por indicar Viveros à diretoria rubro-negra na metade do ano passado. O Furacão desembolsou 5 milhões de dólares (R$ 27,5 milhões) para fazer a contratação mais cara de sua história.

Técnico e jogador têm relação de confiança no Rubro-Negro. O apreço é tão grande a ponto de Kevin se declarar ao Papito.

- Para mim, o melhor técnico que tive até agora é o Papito. Uma pessoa que eu amo muito, uma pessoa que ajudou minha carreira a subir de nível. Nos momentos difíceis que passei, senti o apoio dele. E eu retribuo com gols, dando todas essas vitórias. Papito merece só coisas boas, porque é uma grande pessoa, é um grande técnico. O carinho que eu tenho por ele é imenso, não tenho palavras para dizer.

Viveros é o artilheiro do Brasileirão, com oito gols, empatado com Pedro, do Flamengo. É também o goleador máximo do Furacão na atual temporada, com nove gols em 17 partidas.

+ Viveros se diz melhor centroavante do Brasil

Fica no Furacão?

Casado com Nayarid, Viveros é pai dos pequenos Jhosua e Antonella. A família é o grande pilar do centroavante e já se sente adaptada ao Brasil. Ponto crucial para a definição do futuro.

O camisa 9 garante que fica na Arena da Baixada. O clube recusou proposta milionária e não pretende negociar seu principal jogador tão cedo. Inclusive, já tem conversas em andamento para a renovação do contrato, atualmente válido até o final de 2028.

- Sim, eu quero estar aqui. Minha família está feliz aqui. Eu só quero organizar algumas coisas. E o resto, eu quero estar aqui. Eu vi que houve muitas ofertas por mim, mas eu não quero ir a um lugar que vou desaparecer. Eu quero ir a um lugar que eu vou estar bem. O clube que decide quando. Estou muito feliz aqui no Athletico, e vou estar aqui por muito tempo.

✅ Clique aqui e siga o canal do ge PR no WhatsApp

Mais do esporte paranaense em ge.globo/pr



Ao utilizar nossos serviços, você aceita a política de monitoramento de cookies.
Para mais informações, consulte nossa política de cookies.