• Quarta, 06 de Maio de 2026

Grupo ligado a execuções em MS é alvo de operação após série de homicídios

Ação prendeu três suspeitos de participação em mortes em Paranaíba, Aparecida do Taboado e Três Lagoas

BRUNA MARQUES / CAMPO GRANDE NEWS


Lorran Marchesi Santos de Brito, em foto publicada nas redes sociais. (Foto: Paranaíba Mil Grau)

A prisão de dois investigados em Rondonópolis (MT), na manhã desta quarta-feira (6), colocou a Polícia Civil no encalço de um grupo suspeito de envolvimento em parte da sequência de homicídios e atentados registrados nas últimas semanas em Mato Grosso do Sul. A ofensiva faz parte da Operação Suppressio, deflagrada pelo SIG (Setor de Investigações Gerais), da 1ª Delegacia de Paranaíba.

Foram presos Erick Pereira da Conceição e Gustavo Menezes Silva, de 23 anos. Segundo a investigação, eles seriam responsáveis pela execução dos crimes e pelo suporte logístico do grupo, incluindo a definição de ordens para ataques e homicídios.

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A operação também cumpriu mandados de busca e apreensão em Paranaíba para recolhimento de provas documentais e digitais.

Na segunda-feira (4), outro alvo já havia sido capturado em Três Lagoas. Caíque Natan Souza, de 27 anos, foi localizado após levantamento de inteligência feito pela equipe de Paranaíba. Conforme a polícia, ele estava armado e com munições, além de outros materiais relacionados aos crimes investigados.

As investigações apontam a participação do grupo em pelo menos cinco homicídios registrados recentemente em Paranaíba, Aparecida do Taboado e Três Lagoas. A polícia afirma que a organização tentava ampliar atuação no interior do Estado por meio de execuções e ataques armados.

Com a operação, a Polícia Civil afirma ter esclarecido o homicídio de Lorran Marchesi Santos de Brito, morto em 13 de abril deste ano em Paranaíba.

Lorran foi atacado no conjunto da Cohab onde morava com a esposa e a filha. Segundo a investigação, ele foi atingido por 13 dos 16 tiros disparados, sem chance de reação.

A identificação dos envolvidos ocorreu após análise de imagens, cruzamento de dados e outras técnicas investigativas. Dois dos três suspeitos já foram presos.

Sequência de mortes - Outro crime atribuído ao grupo aconteceu em Aparecida do Taboado e teve como vítima Gabriel Antônio Gois de Haro, de 18 anos.

Ele foi morto na noite de 20 de abril após ser chamado no portão de casa por dois homens em uma motocicleta preta. Gabriel jogava videogame com o irmão quando saiu para atender ao chamado e acabou atingido por vários disparos.

O pai ouviu os tiros, encontrou o filho ferido e o levou até o pronto-socorro da cidade. Gabriel chegou em estado grave e morreu pouco depois.

A perícia recolheu cápsulas, projéteis e marcas de sangue no local.

Dias antes do homicídio, Gabriel havia sido preso em flagrante por tráfico de drogas. Conforme o inquérito, o imóvel onde ele morava era monitorado pelo SIG após denúncias de comércio de entorpecentes. Durante a abordagem, foram apreendidos crack, maconha, cocaína, balança de precisão e dinheiro.

A escalada de violência também chegou a Três Lagoas. Gabriel dos Santos Souza, de 18 anos, morreu nesta terça-feira (5) após passar dois dias internado. Ele havia sido baleado no domingo (3), durante o ataque que matou a namorada, Kailayne Mirele Esperidião, de 19 anos.

Os dois trabalhavam em uma barraca de lanches na região do parquinho da Lagoa Maior quando foram surpreendidos por dois homens em uma motocicleta vermelha.

Testemunhas contaram que o passageiro desceu, fingiu um assalto e depois atirou várias vezes. Kailayne morreu no local. Gabriel foi socorrido pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), passou por cirurgia, mas não resistiu.

Antes do ataque ao casal, outro homicídio já havia provocado medo na cidade. No sábado (2), Pedro Augusto Otaviano dos Santos, de 19 anos, conhecido como “Cabelinho', foi morto com pelo menos nove tiros em frente a uma casa no Bairro São Jorge.

Um adolescente de 16 anos também foi baleado na perna e sobreviveu após correr para dentro de uma residência. Segundo testemunhas, dois homens chegaram de motocicleta, sem retirar os capacetes, perguntaram por um morador e abriram fogo.

De acordo com a Polícia Civil, a investigação aponta ligação entre os envolvidos e a expansão de um grupo criminoso entre cidades do leste de Mato Grosso do Sul. O nome da operação, “Suppressio', faz referência justamente à tentativa de interromper a atuação da organização antes que novos ataques aconteçam.



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