Esportes
MP investiga suposta contratação irregular de empresa de segurança pelo Corinthians
Ministério Público abre investigação para apurar se gestão Osmar Stabile cometeu crime ao contratar empresa aberta por funcionário sem autorização da Polícia Federal
GLOBOESPORTE.COM / GABRIEL OLIVEIRA E VITOR CHICAROLLI
O Ministério Público instaurou procedimento investigatório criminal para apurar a contratação, pelo Corinthians, de uma empresa de segurança supostamente irregular, aberta em nome de um funcionário do clube, pelo valor de R$ 676,6 mil.
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Entre setembro e outubro de 2025, já sob o comando do presidente Osmar Stabile, que assumiu provisoriamente em maio e definitivamente em agosto, o Corinthians pagou a Mega Assessoria Operacional Ltda para cuidar da segurança do clube. Foram emitidas três notas fiscais, de R$ 244.627,66, R$ 208.350,00 e R$ 223.650,00 para serviços de julho a outubro.
A Mega, entretanto, não teria autorização da Polícia Federal para prestar serviço de segurança privada, nem teria assinado contrato formal com o Corinthians, segundo a portaria de instauração da investigação do MP.
Constituída em 3 de julho deste ano, pouco mais de um mês após o afastamento do ex-presidente Augusto Melo e só dois meses antes de emitir a primeira nota fiscal ao Corinthians , a Mega está em nome de Fernando José da Silva, então gerente operacional do clube social e que hoje exerce a mesma função no CT Joaquim Grava.
Ele inicialmente disse ao site Sport Insider, que revelou a história, que abriu a empresa a pedido do diretor administrativo do Corinthians, Fábio Soares, para viabilizar o pagamento dos profissionais de segurança recém-contratados. Depois, mudou a versão e alegou que o pedido partiu de Stabile.
Em nota, o Corinthians alegou que viu a necessidade emergencial de substituir a equipe de segurança após a invasão à presidência do clube em 31 de maio de 2025 por apoiadores de Augusto Melo.
O Corinthians disse que os pagamentos corresponderam a demandas operacionais efetivamente realizadas pela empresa no Parque São Jorge, no CT Joaquim Grava e no CT das categorias de base e que, embora soubesse da relação da empresa com o funcionário, entendeu que não havia conflito de interesses.
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O Corinthians apontou que, após a estabilização do clima político, abriu concorrência para contratação de uma nova empresa responsável pelo serviço de segurança.
Para o promotor do MP, responsável por investigar ex-presidentes do Corinthians, há indícios de possíveis irregularidades.
— As notas fiscais tornadas públicas são sequenciais, números 01, 02 e 03; demonstram, em pelo menos numa delas, o mesmo pagador e tomador de serviço; e podem gerar a ideia de retorno de dinheiro sacado, mormente porque é prática cotidiana no SCCP o adiantamento de valores em espécie ou o reembolso de valores através de notas fiscais frias — escreveu Conserino em um dos trechos da portaria de abertura de investigação.
Ele destacou ainda que o endereço registrado como sede da Mega possui uma fachada de uma residência comum, em São Paulo.
Segundo o promotor, a investigação irá apurar as possibilidades de furto de valores, falsidade ideológica, crimes tributários, entre outras irregularidades.
No despacho, assinado na última terça-feira, o representante do MP já marcou os depoimentos de Fernando e Fábio para o próximo dia 26.
Leia o posicionamento do Corinthians na íntegra:
Sobre os questionamentos enviados pela reportagem acerca dos serviços prestados pela empresa Mega Assessoria Operacional Ltda, o Sport Club Corinthians Paulista esclarece:
1) Após o lamentável episódio da invasão ao quinto andar no dia 31 de maio de 2025, foi detectada a necessidade de substituição da equipe de segurança para preservar o processo de transição de gestão no clube até a data da assembleia geral que definiria o impeachment de Augusto Mello e a posterior eleição do novo presidente em reunião do Conselho Deliberativo. A contratação, portanto, ocorre a partir de uma demanda operacional de emergência identificada.
2) A relação profissional do senhor Fernando José da Silva era de conhecimento da administração. À época, entendeu-se que não havia conflito de interesses formalmente caracterizado, considerando a natureza dos serviços contratados, a estrutura operacional vigente e a demanda emergencial identificada.
3) Os pagamentos realizados corresponderam a demandas operacionais executadas durante o período contratado, incluindo despesas relacionadas a contratação de pessoal e suporte operacional realizados pela Mega Assessoria Operacional Ltda. Os valores refletem a soma dos serviços apresentados pelo controle dos pontos de segurança do Parque São Jorge, CT Dr. Joaquim Grava e CT das categorias de base.
4) Com a estabilização do ambiente interno do clube, houve a abertura de concorrência para a contratação de uma nova empresa responsável pelos serviços de segurança.
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