Coronel Sapucaia
Caiado evita “dividir bola” com Flávio e diz que prefere discutir o Brasil
Pré-candidato evitou avaliar desgaste da direita e negou apostar em ganho político com crise adversária
JHEFFERSON GAMARRA E JUDSON MARINHO / CAMPO GRANDE NEWS
Em agenda de pré-campanha em Campo Grande, nesta sexta-feira (15) o governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), evitou entrar em confronto direto com o senador Flávio Bolsonaro (PL) e outros integrantes do bolsonarismo após a crise envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro.
Durante entrevista coletiva concedida no fim da tarde em um hotel da Capital, Caiado repetiu diversas vezes que não pretende “fazer juízo de valor' sobre outros políticos e afirmou que prefere concentrar sua pré-campanha em temas como segurança pública, endividamento da população, logística e combate ao crime organizado.
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A fala ocorre em meio ao desgaste enfrentado por Flávio Bolsonaro, que admitiu nesta semana ter pedido recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horses, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, após anteriormente negar envolvimento com o caso.
Vorcaro, dono do Banco Master, está preso em Brasília e é investigado pela Polícia Federal sob suspeita de liderar um esquema bilionário de fraudes financeiras que, segundo as investigações, pode chegar a R$ 12 bilhões.
Nos últimos meses, Flávio vinha tentando desvincular a direita do escândalo e chegou a defender a instalação de uma CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) para investigar o caso.
Questionado sobre os impactos da crise no campo da direita, Caiado procurou se afastar do embate. “Respingar em outras candidaturas? O Ronaldo Caiado está fora disso. Eu tenho 40 anos de vida pública e nunca você me viu envolvido em nada', afirmou.
O governador também reforçou que cada um responde pelos seus atos. “Se você tem hoje problemas no Supremo, problemas no Congresso, problemas na Câmara, problemas no Senado, cada um responda pelos seus atos. E eu, Ronaldo Caiado, respondo pelos meus atos', disse.
Apesar de evitar críticas diretas aos Bolsonaro, Caiado sinalizou preocupação com o que classificou como “desordem institucional' e afirmou que o Brasil sofre atualmente com ausência de liderança política.
“Por que chegou a esse ponto o Brasil? Falta de presidente da República. Se o presidente tem que se ocupar de problemas familiares e de corrupção, como vai ter credibilidade diante dos outros poderes?', declarou.
Ao abrir a coletiva, Caiado afirmou que não desembarcou em Mato Grosso do Sul para discutir disputas pessoais ou crises políticas envolvendo adversários, mas sim para debater propostas nacionais.
Segundo ele, a prioridade deve estar em temas estruturais, como a Rota Bioceânica, segurança pública e desenvolvimento econômico do Centro-Oeste. “Eu venho aqui para discutir segurança pública, saúde, educação, inteligência artificial e minerais críticos. O Brasil hoje está cansado dessa discussão que não leva a pessoa a nada', afirmou.
O governador também destacou o crescimento econômico sul-mato-grossense, citando o chamado Vale da Celulose e o potencial logístico da região. “A Rota Bioceânica muda o conceito de logística do país. Mato Grosso do Sul está mostrando sua capacidade de crescimento', pontuou.
Embora tenha evitado confrontar diretamente Flávio Bolsonaro, Caiado admitiu que o objetivo do campo da direita continua sendo derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026.
Nos bastidores da direita, Caiado e outros pré-candidatos, como Romeu Zema (Novo), vêm defendendo um acordo para que o grupo apoie quem chegar ao segundo turno contra Lula.
Na entrevista, o governador afirmou que quanto mais nomes disputarem o primeiro turno, maior tende a ser a capacidade de articulação da oposição posteriormente.
“O foco é ganhar as eleições. E quanto mais candidatos tivermos no primeiro turno, melhor para ganharmos no segundo turno', declarou.
Ao comentar a possibilidade de surgir como alternativa dentro da direita em meio ao desgaste do bolsonarismo, Caiado disse que pretende disputar a eleição com base em sua experiência administrativa. “O que vai definir uma eleição é o debate de conteúdo', afirmou.
“Você escolhe o médico para operar seu filho não por amizade ou antiguidade, mas por competência', completou.
Críticas ao PT e ao governo Lula - Grande parte da entrevista foi usada por Caiado para criticar o governo federal, principalmente na área econômica e na segurança pública.
O governador atacou programas de renegociação de dívidas e afirmou que o PT é responsável pelo aumento do endividamento da população brasileira.
“Perguntem ao PT quem foi que enrolou o cidadão', disse, ao citar programas como o Desenrola.
Na segurança pública, afirmou que o governo federal falha no combate ao crime organizado e acusou Brasília de transferir responsabilidades aos estados sem repasses suficientes.
“Hoje você vê a população comandada pelo narcotráfico. As facções criminosas têm mais de 50 milhões de brasileiros tutelados por elas', afirmou.
Caiado também criticou a condução dos fundos nacionais voltados à segurança pública e sistema penitenciário. “Bloquearam o Fundo Penitenciário e o Fundo de Segurança Pública e agora vêm com a mentira de dizer que têm dinheiro', declarou.
Sem dizer se pretende atrair eleitores da direita diante do desgaste de Flávio Bolsonaro, Caiado apostou na própria trajetória política e administrativa como trunfo para a disputa presidencial. Ele citou os mandatos como deputado federal, senador e governador de Goiás, além de afirmar que deixou o governo estadual com 88% de aprovação.
“Tenho autoridade moral e independência intelectual para governar. Tenho estatura para sentar naquela cadeira. Não sou um homem que vai aprender na cadeira da Presidência da República', afirmou.
Também disse conhecer o funcionamento das instituições e defendeu firmeza no enfrentamento à corrupção e à violência. “No presidencialismo, cabe ao líder definir o norte do país', declarou.
A agenda de Caiado em Mato Grosso do Sul continua neste sábado (16), quando o governador de Goiás participa de compromissos políticos e encontros ligados ao agronegócio em Dourados.
