• Sábado, 23 de Maio de 2026

Flamengo critica não adiamento de rodada sem convocados; CBF rebate

Em resposta, CBF cita Conselho Técnico que definiu calendário: "Em nenhum momento, o Flamengo sugeriu o adiamento ou alteração da 18ª rodada"

GLOBOESPORTE.COM / REDAçãO DO GE


Presidente do Flamengo, Bap confraterniza com o presidente da CBF, Samir Xaud, na final da Libertadores do ano passado — Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

O Flamengo divulgou texto nesta manhã de sábado — dia de confronto com o Palmeiras, na ponta da tabela do Brasileirão — com críticas ao não adiamento da 18ª rodada do Campeonato Brasileiro. O time enfrenta o Coritiba no dia 30, no Maracanã, véspera de Brasil e Panamá no mesmo estádio. Horas depois, a CBF se manifestou e respondeu o clube carioca (veja mais abaixo).

Na nota divulgada (leia ela na íntegra no fim da reportagem), o Flamengo levantou reflexões sobre a falta de isonomia numa competição em que ele será forçado a jogar sem seus principais atletas convocados para a Copa do Mundo.

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O clube considera "erro muito claro" na decisão da CBF e citou também o Palmeiras, rival da noite deste sábado e principal concorrente ao título nacional .

— Numa competição de pontos corridos, em que todas as rodadas têm o mesmo peso na definição do campeão, não há isonomia nem paridade de forças quando uma equipe é obrigada a entrar em campo sem diversos jogadores, como é o caso de Flamengo e Palmeiras, exclusivamente porque estes atletas foram cedidos às suas seleções nacionais (quatro para o Brasil) — diz um trecho da nota.

Para o Flamengo, existe conflito de interesses no "dilema" da CBF no momento em que ela é organizadora do campeonato e também responsável pela seleção brasileira às vésperas da competição mais importante de seleções do mundo.

Apesar das críticas, o Flamengo voltou a elogiar os avanços da nova gestão da CBF. Sem deixar de pontuar a necessidade de separação da organização do campeonato a cargo dos clubes, numa liga. No texto, o Flamengo sugeriu ainda a data de 4 de agosto para seu jogo, já que foi eliminado da Copa do Brasil e havia este espaço na agenda.

"É mais do que urgente a criação de uma liga organizada no Brasil. A CBF é importante neste processo e deve participar ativamente dessa construção, mas entendendo que este é um movimento liderado pelas agremiações. Não há soluções fáceis para problemas complexos, mas o futuro passa por uma mudança de rota inadiável: o Campeonato Brasileiro precisa ser pensado e conduzido sob a ótica dos clubes, de seus atletas, de seus torcedores e de seus investidores e no fortalecimento do próprio produto", reforça o Flamengo.

Nesta segunda-feira, a CBF reúne 40 clubes das séries A e B para novo encontro a respeito da futura liga no futebol brasileiro. Os clubes foram convidados a enviarem sugestões dos mais diversos tipos para a melhoria do futebol e fortalecimento do interesse interno e externo no "produto" do campeonato.

CBF rebate Flamengo

Horas depois da divulgação da nota do Flamengo, a CBF se manifestou. Por meio de nota em seu site oficial, a entidade reiterou que o calendário do futebol brasileiro foi discutido e aprovado pelos clubes no Conselho Técnico da Série A. E o clube carioca não se posicionou contra as datas apresentadas,

"Em nenhum desses momentos, o Flamengo sugeriu o adiamento ou alteração da 18ª rodada", diz a CBF.

— Isso só veio a ocorrer após a eliminação do Flamengo da Copa do Brasil, quando o clube passou a sugerir a remarcação do jogo Flamengo x Coritiba para uma data reservada à Copa do Brasil no segundo semestre. Tal pedido foi rejeitado, pois atenderia apenas aos interesses de um clube atingido pelas convocações: o próprio Flamengo — escreveu a CBF (leia a nota completa mais abaixo).

Confira a nota do Flamengo na íntegra:

"Na esteira da mais recente encruzilhada em que se encontra o Campeonato Brasileiro de 2026, sobre adiar ou não os jogos da 18ª rodada das equipes que tiveram um número significativo de jogadores convocados para a Copa do Mundo FIFA, é preciso refletir: onde estamos errando e como iremos solucionar esses problemas?

Neste caso, o erro está muito claro. Numa competição de pontos corridos, em que todas as rodadas têm o mesmo peso na definição do campeão, não há isonomia nem paridade de forças quando uma equipe é obrigada a entrar em campo sem diversos jogadores, como é o caso de Flamengo e Palmeiras, exclusivamente porque estes atletas foram cedidos às suas seleções nacionais (quatro para o Brasil).

É preciso reconhecer os avanços da atual gestão da Confederação Brasileira de Futebol, que entre outras coisas buscou otimizar e ajustar o calendário para sanar problemas históricos, assim como a importância da Copa do Mundo para a CBF e para o país. Mas é justamente aí que reside o dilema. Quando a mesma entidade é responsável pela Seleção Brasileira e pelo principal campeonato nacional, alguém acaba prejudicado nesse conflito de interesses. Neste caso, novamente os maiores prejudicados são os clubes. Um contraste neste cenário é a UEFA, que defendeu seus filiados, a sua competição e conseguiu, junto à FIFA, liberação para que a final da Liga dos Campeões da Europa conte com seus astros em campo.

Quando equipes são obrigadas a jogar sem seus principais jogadores em razão de convocações, quem perde, acima de tudo, é o torcedor. Tanto o que paga ingresso quanto o que acompanha as transmissões. A qualidade do espetáculo fica comprometida, a integridade competitiva é afetada e o produto se desvaloriza, além de criar uma lógica inversa: as equipes que mais investem são justamente as mais penalizadas.

No passado, soluções paliativas da CBF buscaram amenizar esse problema recorrente, como a impossibilidade de uma equipe atuar caso cinco de seus jogadores fossem convocados. Outro exemplo ocorre atualmente, quando o Brasileirão realmente para durante Datas FIFA, mas retorna apenas dois dias depois. O Flamengo já precisou fretar aeronaves para trazer atletas que atuaram numa terça-feira à noite em outro continente e entraram em campo menos de 48 horas depois.

Essas medidas paliativas já não acompanham a realidade do futebol brasileiro. Enquanto os investimentos dos clubes aumentam, equipes brasileiras conseguem repatriar jogadores ainda no auge da forma física, manter talentos por mais tempo, estruturar departamentos multidisciplinares com profissionais de ponta e investir cada vez mais em Centros de Treinamento e infraestrutura. O futebol brasileiro evoluiu, e a gestão de suas competições precisa evoluir junto.

É mais do que urgente a criação de uma liga organizada no Brasil. A CBF é importante neste processo e deve participar ativamente dessa construção, mas entendendo que este é um movimento liderado pelas agremiações. Não há soluções fáceis para problemas complexos, mas o futuro passa por uma mudança de rota inadiável: o Campeonato Brasileiro precisa ser pensado e conduzido sob a ótica dos clubes, de seus atletas, de seus torcedores e de seus investidores e no fortalecimento do próprio produto.

Recordista de público como mandante e com ingressos esgotados no setor visitante em 100% dos jogos fora de casa até aqui, o Clube de Regatas do Flamengo e sua torcida levam o Campeonato Brasileiro muito a sério. É justamente por isso que o clube lamenta ser obrigado a entrar em campo desfalcado em razão das convocações para a Copa do Mundo, mesmo que as quedas precoces de Flamengo e Coritiba na Copa do Brasil permitissem encontrar uma solução jogando no dia 4/8/26, sem conflitar com Copa do Brasil. Quem estiver em campo fará de tudo para entregar um grande espetáculo, mas é inegável que ele já nasce comprometido para os mais de 45 milhões de torcedores apaixonados pelo clube."

Confira a resposta da CBF na íntegra:

Em relação à nota pública do Flamengo na data de hoje, em que o clube questiona a manutenção da data dos jogos da 18ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2026, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) vem esclarecer o que se segue:

1. A data de liberação obrigatória dos atletas para a Copa do Mundo de 2026 foi definida pela FIFA ainda em maio de 2025 e essa informação foi reiterada em diferentes documentos e comunicações oficiais.

2. O calendário do futebol brasileiro de 2026 foi apresentado, debatido e aprovado por todos os clubes da Série A, de forma unânime em dezembro de 2025. As datas das rodadas, incluindo a 18ª, bem como o período de paralisação para a Copa do Mundo FIFA 2026, foram amplamente discutidas no Conselho Técnico da competição, com participação de todos os clubes. A CBF não impõe calendário aos clubes: ela implementa aquele que é construído e validado em conjunto com as agremiações.

3. Em nenhum desses momentos, o Flamengo sugeriu o adiamento ou alteração da 18ª rodada. Isso só veio a ocorrer após a eliminação do Flamengo da Copa do Brasil, quando o clube passou a sugerir a remarcação do jogo Flamengo x Coritiba para uma data reservada à Copa do Brasil no segundo semestre. Tal pedido foi rejeitado, pois atenderia apenas aos interesses de um clube atingido pelas convocações: o próprio Flamengo.

4. A atual gestão da CBF não acredita e não apoiará qualquer tipo de tratamento privilegiado no âmbito desportivo, independentemente do tamanho da torcida ou do poder econômico. Vários clubes foram afetados pelas convocações para a Copa do Mundo e qualquer solução pensada para atender apenas um caso isolado representaria violação direta ao princípio da isonomia desportiva que rege a atual gestão da CBF.

5. O calendário do futebol brasileiro de 2026 apresentou evoluções claras, como a redução dos Campeonatos Estaduais e o início do Campeonato Brasileiro em janeiro. A CBF reafirma seu compromisso de trabalhar pela evolução permanente do calendário e pela construção de um ambiente competitivo equilibrado, por meio de soluções estruturais e coletivas, e não de decisões pontuais que beneficiem interesses específicos.

6. Por fim, a CBF registra seu apoio irrestrito à construção de uma liga conduzida pelos clubes, fundada no tratamento isonômico entre os participantes das competições e no respeito às regras previamente acordadas. O sucesso do projeto da liga depende de que cada clube respeite ao longo da competição as decisões aprovadas por todos antes do início do campeonato, e não busquem soluções exclusivas que confiram tratamento privilegiado conforme as circunstâncias.



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