• Segunda, 25 de Maio de 2026

Empresas de Jay-Z e Bertolucci agenciam quase metade dos convocados da Seleção

Roc Nation e Bertolucci Sports representam 11 dos 26 jogadores que defenderão o Brasil na Copa

GLOBOESPORTE.COM / BRUNO CASSUCCI


Vini Jr. é agenciado pela empresa Roc Nation, que tem o rapper Jay-Z como sócio — Foto: Reprodução Instagram

A lista de 26 convocados para defender o Brasil na Copa do Mundo apresenta diversidade em relação aos clubes, idades e até estados de origem dos jogadores. Porém, quando o assunto é gestão de carreira dos atletas, o cenário é diferente.

Apenas dois escritórios são responsáveis por agenciar quase metade da Seleção . O empresário Giuliano Bertolucci e a Roc Nation Sports, que tem o rapper Jay-Z como um dos sócios, representam um time de convocados: 11 jogadores.

Bertolucci, que já liderou este ranking em outras Copas, trabalha com os zagueiros Gabriel Magalhães, Ibañez e Marquinhos; os meio-campistas Bruno Guimarães e Danilo; e o atacante Matheus Cunha. A relação de convocados agenciados por ele poderia ter sido ainda maior, já que Bertolucci trabalha com outros nomes que estavam no radar da Seleção, como Andrey Santos, Andreas Pereira e Pedro.

Já a Roc Nation cuida das carreiras do lateral Douglas Santos, do meia Lucas Paquetá e dos atacantes Endrick, Gabriel Martinelli e Vini Júnior.

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O que explica o duopólio?

Para entender como atuam estas agências e por que elas têm alguns dos principais jogadores do Brasil, o ge ouviu pessoas do mercado da bola em condições de anonimato. Boa parte delas apontou um fator comum a Roc Nation e Bertolucci: elas se retroalimentam do próprio sucesso. Em outras palavras: quanto mais jogadores têm, mais jogadores atraem.

Os portifólios com astros internacionais acabam servindo como chamariz para estes escritórios buscarem mais talentos desde a juventude. Além de prometerem acompanhamento personalizado, os empresários conquistam novos clientes sob o argumento de que têm portas abertas nos principais clubes do mundo.

Além disso, tais agências têm dinheiro de sobra em caixa e conseguem pagar multas rescisórias para que atletas troquem de empresário. Porém, esse tipo de medida, mais radical, não é tão comum. Em muitos casos elas priorizam parcerias com outros agentes. Bertolucci, por exemplo, compartilha as gestões das carreiras de Bruno Guimarães (com Alexis Malavolta), Danilo (TS Sports) e Ibañez (Promanager e Jair Sports). A Roc Nation, por sua vez, divide os cuidados de Douglas Santos com Roberto Dantas (RR Sports).

– Não tenho sócios, tenho alguns parceiros de negócios, pessoas que estão alinhadas com nossos valores como empresa e profissionais. Eu estou no dia a dia das decisões e conto com excelentes profissionais que estão há muitos anos na empresa e sabem como zelamos pela relação com os clubes aqui e fora do Brasil e com os atletas que trabalham com a gente – disse Giuliano Bertolucci, por meio de assessoria de imprensa.

Bertolucci atua no futebol há quase 30 anos. A entrada no mercado foi junto do sogro, que era dono da Euro Export, empresa que assumiu a gestão do Juventus-SP na década de 1990. Nos anos 2000, ganhou ainda mais relevância ao se aproximar do empresário iraniano Kia Joorabchian, que lhe abriu portas na Inglaterra.

– Primeiro, como em todo negócio, (o diferencial é) credibilidade. Aí apresentamos uma projeção do que pode ser alcançado na carreira, isso exige comprometimento de cada parte, o jogador precisa compreender que o investimento feito em sua contratação pelo clube é muito alto e que para estar em alto nível, não pode faltar empenho e muita dedicação. De nossa parte, buscamos auxilia-lo em tudo que possibilite que ele pense somente no seu trabalho – declarou o empresário, que tem mais de R$ 300 milhões a receber de clubes brasileiros por intermediações realizadas.

A Roc Nation também está no mercado esportivo há décadas, mas antes operava no Brasil com o nome de TFM Agency. Em 2023, o grupo fundado pelo rapper Jay-Z comprou 51% da companhia, mas manteve os executivos e agentes que já estavam na empresa.

Jay-Z não atua diretamente dos negócios esportivos, mas tem participação indireta:

– O nosso dia a dia é influenciado pela cultura da empresa, que é marcante e referência mundial na defesa dos interesses dos artistas e atletas, não somente quando vão assinar contratos. E essa cultura é fruto do que ele (Jay-Z) idealizou quando criou uma agência para que artistas e atletas pudessem transcender sua atividade principal e se tornarem ícones, referências e também empreendedores. Mesmo distante geograficamente, ele está muito presente no que buscamos todos os dias – explicou Thiago Freitas, diretor de operações da Roc Nation Sports no Brasil.

Frederico Pena é o CEO da empresa, que conta com três vice-presidentes: Lucas Mineiro, Marcos Casseb e Renato Martinez. Há ainda quatro agentes no Brasil e outros três na Europa, numa estrutura menos centralizada no dono, como acontece no escritório de Bertolucci.

– Nós seguimos uma estratégia de longo prazo que é clara, mas que é aberta a inovações, pra anteciparmos movimentos do mercado nem sempre ficam evidentes pra todos. Esse grande número de convocados é consequência da combinação de inteligência na identificação dos talentos, com a orientação e o suporte necessários para que a performance deles atinja níveis cada vez mais altos. É preciso ser competente nessas duas frentes – comentou Frederico Pena.

– Entre nossos clientes convocados, temos os que estão conosco desde quando iniciavam sua formação; com quatorze anos de idade aproximadamente; clientes que passaram a trabalhar conosco no final da sua formação; na sua transição para o futebol adulto; e quem veio trabalhar conosco já consolidado no futebol profissional. Isso atesta aquele que é a meu ver o nosso maior diferencial: uma equipe que além de robusta, engloba profissionais de diferentes perfis e aptidões. Seja o atleta ainda adolescente, seja um veterano, esteja ele em ascensão, esteja ele em um momento de dificuldade ou oscilação, temos profissionais que já lidaram com outros que estiveram em condição similar, e que sabem o que funcionou ou não com eles – opinou Thiago Freitas.

Ex-boleiros e mercado globalizado

Presentes em cargos diretivos e em comissões técnicas de clubes e seleções, ex-jogadores também vêm ocupando cada vez mais o mercado de agenciamento de atletas. Entre os convocados para a Copa não é diferente.

O zagueiro Léo Pereira é agenciado pelo ex-zagueiro Ricardo Scheidt. Já o atacante Igor Thiago é representado pelo ex-meia Hugo, que quando atleta foi campeão brasileiro por Corinthians (2005) e São Paulo (2007 e 2008).

Bertolucci, inclusive, negocia com Hugo e outro sócio para atuar em parceria na gestão da carreira de Igor Thiago.

Dentre os convocados do Brasil também há aqueles com empresários estrangeiros. São os casos, por exemplo, de Ederson e Fabinho, agenciados pelo português Jorge Mendes (o mesmo de Cristiano Ronaldo) e Casemiro, que trabalha com a empresa espanhola Best of You.

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