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Cria do Arsenal, Saka é símbolo de superação que inspira o time em busca da Champions inédita
Desde os sete anos no clube, atacante consolida redenção pessoal em temporada marcada por título da Premier League e final europeia, cinco anos após perder um pênalti na final da Euro
GLOBOESPORTE.COM / REDAçãO DO GE
Cinco anos atrás, quando viveu o pior momento da carreira, foi "em casa" que Bukayo Saka encontrou apoio para superar não apenas o pênalti perdido na final da Eurocopa, em Wembley, mas principalmente a onda de ofensas racistas que envergonharam a Inglaterra mais do que a perda do título para a Itália. O xodó da torcida inglesa estava ferido na alma. E o Arsenal foi fundamental para sua recuperação.
Aos 24 anos, Saka entrará em campo sábado para outra final europeia, a sua primeira final de Liga dos Campeões, contra o Paris Saint-Germain, como um dos destaques de um Arsenal revigorado. Um símbolo de superação para um time que acumulou decepções nos últimos anos até viver o êxtase com a conquista da Premier League nesta temporada, encerrando 20 anos de jejum na liga nacional. Cria do clube, Saka aprendeu como poucos a dividir tudo com a torcida, do sofrimento pessoal à glória coletiva.
- Nos bons e nos maus momentos, o apoio que eu sinto dos torcedores, não há palavras para descrever. No meu coração, eu só quero devolver isso - afirmou Saka em janeiro deste ano, em entrevista publicada no site do Arsenal.
De forma quase premonitória, Saka comparou seus desafios pessoais com as dificuldades vividas pelo clube nos últimos anos.
- A jornada que eu vivi, de onde eu saí até onde estou agora, e a jornada do time também, isso é especial. Acredito que os próximos anos serão aqueles em que vamos "cruzar a linha de chegada" e conseguir conquistar os títulos e fazer história com o clube - previu o atacante quatro meses antes do título na Premier League.
O ge acompanha PSG x Arsenal em tempo real na decisão da Champions League, sábado, às 13h (entenda a mudança de horário da final deste ano).
Único time da carreira
Londrino de Eating, distrito da região metropolitana da capital inglesa, Saka chegou às divisões de base do Arsenal com apenas sete anos. Nunca defendeu outro clube na carreira. Estreou no time profissional aos 17, em novembro de 2018, e fez apenas mais três partidas no restante da temporada.
Sua integração completa à equipe veio na campanha de 2019/20, e coincidiu com a chegada do técnico Mikel Arteta ao Arsenal. A dupla se entendeu perfeitamente: Saka fez 38 partidas naquela temporada, 26 pela Premier League. Rapidamente, se tornou titular absoluto do time e principal revelação do futebol inglês.
A Eurocopa adiada pela pandemia para 2021 foi sua primeira competição com a seleção principal. Tudo dava certo. Alternando jogos como titular e saindo do banco, ajudou a Inglaterra a chegar à sua primeira final europeia. Entrou no segundo tempo da decisão contra a Itália, já com o placar de 1 a 1, que seguiu até o fim da prorrogação.
O sonho da Eurocopa inédita em Wembley virou pesadelo na decisão por pênaltis. Saka não foi o único inglês a errar sua penalidade - Rashford e Sancho já tinham perdido. Mas foi do jovem atacante do Arsenal, com apenas 19 anos na época, a última cobrança, com a pressão de igualar o placar e manter a decisão aberta. Mas a defesa do goleiro Gianluigi Donnarumma decretou o título italiano, e o xodó da Inglaterra virou imediatamente o alvo das piores ofensas possíveis, notadamente as de cunho racista.
Apoio contra o racismo
O papel do Arsenal, com Mikel Arteta à frente, foi fundamental para ajudar o atacante a enfrentar a onda de ódio. Na volta para a pré-temporada, Saka foi recebido com um mural repleto de mensagens de apoio da torcida. E o treinador incentivou que ele usasse as cicatrizes da Euro como motivação.
- Eu estava preocupado com tudo o que tinha acontecido com ele. Mas quando o encontrei pela primeira vez após as férias, eu percebi que ele lidaria bem com isso. Sua reação foi incrível, e o apoio que ele teve de todos no mundo do futebol foi algo que o jogou para cima - comentou Arteta à imprensa inglesa em janeiro de 2022.
A garantia de que o pênalti perdido tinha ficado definitivamente para trás veio na primeira temporada após o vice na Euro: com 12 gols em 43 jogos, Saka teve seu ano mais artilheiro no Arsenal. Desde então, mesmo não sendo um goleador nato, nunca mais fez menos de 10 gols por temporada.
Saka é o jogador do atual elenco há mais tempo no clube e também quem mais fez gols com a camisa do time: 81 em oito temporadas. Na campanha atual, divide com o brasileiro Gabriel Martinelli o posto de segundo goleador da equipe, com 11, atrás apenas do sueco Viktor Gyökeres, com 21.
Na seleção inglesa, Saka também mostrou personalidade para superar a Euro perdida. Em 2022, disputou no Catar sua primeira Copa do Mundo - a Inglaterra caiu para a França nas quartas de final. Este ano, está convocado para mais um Mundial. Mas foi em outra Eurocopa, em 2024, que o jovem atacante do Arsenal consolidou sua volta por cima: Inglaterra e Suíça decidiram nos pênaltis a vaga na semifinal, e Saka converteu a terceira cobrança na vitória inglesa por 5 a 3. Finalista outra vez, a Inglaterra perdeu mais uma final, para a Espanha, mas dessa vez a dor foi coletiva.
Como era coletivo também o sofrimento de jogadores e torcedores do Arsenal por não conseguir encerrar o jejum na Premier League. O time de Arteta e Saka já tinha comemorado uma Copa da Inglaterra (2019/20) e duas Supercopas da Inglaterra (2020 e 2023), mas os três vice-campeonatos seguidos no Campeonato Inglês, dois deles vendo o título escapar na reta final, começaram a ganhar ares de trauma.
Até chegar a temporada da redenção. Este ano, não teve apagão. Mesmo com o Manchester City tentando atrapalhar novamente, o Arsenal conseguiu, enfim, levantar a taça e encerrar um jejum de 22 anos. Para a festa ficar completa, falta agora o inédito título da Champions League. De volta à final após 20 anos, o Arsenal pode se inspirar na jornada de superação do seu jovem mas já vivido camisa 7 para bater o atual campeão europeu PSG na decisão de sábado, em Budapeste.
