Esportes
Saída de bola e defesa alta preocupam na estreia ruim do Brasil na Copa
Equipe de Carlo Ancelotti viu Marrocos finalizar e criar mais. É preciso mudar, e rápido.
GLOBOESPORTE.COM / LEONARDO MIRANDA
O Brasil empatou por 1 a 1 com Marrocos na estreia da Copa, mostrando falhas táticas e dependência de jogada individual de Vinícius Júnior para evitar a derrota.
Apesar das alterações de Ancelotti no segundo tempo, a equipe produziu pouco e agora precisa corrigir a transição defensiva para evoluir no torneio mundial.
Se antes da Copa do Mundo o debate girava em torno da falta de confiança na seleção brasileira, o empate por 1 a 1 com o Marrocos, na estreia deste sábado (13), pouco fez para mudar esse cenário.
A atuação do Brasil ficou abaixo da expectativa criada em torno da chegada de Carlo Ancelotti. Com dificuldades para controlar o jogo em diferentes momentos da partida, a equipe voltou a depender de uma jogada individual de Vinícius Júnior, autor do gol brasileiro, para evitar a derrota.
Os problemas observados foram diversos. A defesa voltou a sofrer com bolas em profundidade, a saída de bola teve pouca fluidez e jogadores experientes como Marquinhos e Casemiro estiveram abaixo do nível esperado. O empate manteve expostas limitações que a seleção ainda não conseguiu corrigir e aumentou a pressão para os próximos compromissos do torneio.
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COMO O BRASIL JOGOU
Com três novidades na escalação, o Brasil atuou em um típico 4-4-2: Ibañez, Marquinhos, Gabriel e Douglas Santos na defesa; Casemiro e Bruno Guimarães no meio; Raphinha pela esquerda e Paquetá pela direita; Vinícius Júnior e Igor Thiago no ataque.
O problema começou na saída de bola. Escalado para dar mais criatividade à equipe, Paquetá era facilmente anulado pela marcação marroquina. Sem a ajuda de Bruno Guimarães e de Raphinha na construção, o meia ficou sobrecarregado e a bola não chegava ao ataque.
A imagem abaixo mostra a pobreza da seleção ao sair jogando: Casemiro, Paquetá e nenhum tipo de movimentação coordenada para superar uma marcação que o Brasil já conhecia.
O nível foi tão baixo que Casemiro, um dos jogadores mais experientes do elenco, errava passes não por deficiência técnica, mas pela falta de opções. Veja a jogada: Marrocos se defende com duas linhas de quatro, enquanto Paquetá e Raphinha se apresentam para receber.
Mas quem está realmente livre? E por que os laterais permanecem tão presos?
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SEXTO JOGO SEGUIDO COM A DEFESA VAZADA
Ineficiente com a bola, o Brasil foi ainda pior sem ela. E a principal razão segue sendo a defesa alta que Ancelotti insiste em utilizar e que, até aqui, não tem funcionado.
Lembra do gol de Mbappé? Ou dos gols marcados por Panamá e Egito?
Marrocos fez o que qualquer equipe faria diante desse cenário: roubou a bola e atacou uma defesa que parece pouco coordenada. Paquetá erra o passe e a estrutura defensiva fica exposta. Casemiro se vê sobrecarregado e os zagueiros ficam sem cobertura.
Douglas Santos faz uma leitura correta da jogada e ajuda o volante a pressionar. Mas, ao abandonar sua posição, era preciso interromper a transição, mesmo com falta. O passe sai, o espaço aparece e Marrocos marca um belo gol.
BRASIL MELHORA COM AJUSTES, MAS MOSTRA POUCO COM A BOLA
Na base da insistência e com mais bola no chão, o Brasil buscou o empate em uma grande jogada de Vinícius Júnior. Aberto pela esquerda, ele atraiu marcadores, criou desequilíbrios e participou das melhores ações ofensivas da equipe. O gol saiu justamente no momento em que o Brasil mais sofria na partida.
No intervalo, Ancelotti leu bem o jogo. Tirou Casemiro e Ibañez para as entradas de Danilo e Fabinho. Com a defesa mais protegida, o Brasil passou a ter mais posse e conseguiu trabalhar a bola no campo adversário.
Mas produziu pouco. Faltam ideias para esse time além de entregar a bola a Vinícius Júnior e esperar que algo aconteça. No melhor momento brasileiro, o treinador italiano abandonou a ideia de ter um meio-campo capaz de pensar o jogo e lançou Luiz Henrique e Danilo Santos.
Foi a senha para Marrocos empurrar o Brasil para trás. A seleção passou a atuar em transições, protegendo o empate e buscando uma escapada em velocidade aqui e outra ali.
A única notícia razoável desse empate é que estreias ruins não impedem boas campanhas. A Espanha perdeu para a Suíça em 2010 e terminou campeã do mundo. A Argentina caiu diante da Arábia Saudita em 2022 e levantou a taça poucas semanas depois.
Em ambos os casos, a derrota serviu como ponto de partida para ajustes, correções e mudanças de rota. Carlo Ancelotti construiu sua carreira justamente pela capacidade de ler cenários, adaptar equipes e encontrar soluções em momentos de pressão.
Porque o principal problema da seleção hoje não parece ser a ausência de Neymar nem o treinador.
O que o time precisa é evoluir na saída de bola, reduzir os espaços deixados na transição defensiva e encontrar mecanismos coletivos que lhe permitam controlar melhor as partidas.
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