Esportes
Acabaram as dores? Nova regra da Fifa faz número de atendimentos em campo despencar na Copa
Jogadores devem permanecer pelo menos um minuto fora do gramado após o atendimento médico. Entenda todos os detalhes da regra e descubra quais são as exceções
GLOBOESPORTE.COM / ROBERTO MALESON
Uma mudança nas regras do futebol já tem efeito direto na Copa do Mundo de 2026. A cena do jogador caído no chão, se contorcendo de dor, ficou rara no torneio. As equipes médicas quase não têm entrado mais em campo, e os jogadores têm dispensado o atendimento para continuar em campo jogando.
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Até aqui, a equipe do Gato Mestre* contabilizou 12 casos em que o árbitro orientou o jogador a se dirigir à beira do campo e cumprir um minuto fora de jogo. O número de atendimentos real pode ser um pouco maior. Isso porque a transmissão da partida nem sempre deixa claro se a regra foi aplicada. Mas o efeito da mudança já é visível em campo.
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A International Football Association Board (IFAB), organização que escreve as leis do futebol há mais de 140 anos, definiu que os jogadores devem permanecer um minuto fora de campo toda vez a partida for interrompida para o atendimento do atleta. A nova regra integra o pacote de medidas da Fifa para combater a perda de tempo e aumentar o período de bola rolando no futebol. E os números mostram que ela tem funcionado.
A "punição" de um minuto fora de campo já está fazendo os jogadores reavaliarem a dor antes de pedir atendimento. No dia da estreia da Copa do Mundo, o primeiro exemplo veio à tona, na vitória da Coreia do Sul por 2 a 1 sobre a República Tcheca.
Aos 36 minutos do segundo tempo, o camisa 8 Paik Seung-Ho se sentou no gramado e se alongou por causa de uma cãibra. O árbitro egípcio Amin Mohamed se aproximou, perguntou se ele precisaria de atendimento médico e avisou que, nesse caso, teria de cumprir um minuto fora. Paik recusou e se levantou. Com a Coreia à frente no placar, ficar com um jogador a menos, ainda que por pouco tempo, poderia custar os três pontos.
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Como toda regra tem sua exceção, a "Lei 5", como foi nomeada pela IFAB, definiu quais casos poderiam liberar o atendimento médico em campo, sem obrigatoriedade do lesionado cumprir o minuto fora de campo. A lista completa das exceções está no fim desta matéria.
Aos 11 minutos do primeiro tempo de Canadá x Bósnia, Memic foi atendido após uma falta dura do lateral Johnston, que recebeu cartão amarelo no lance. O meia bósnio não precisou deixar o gramado e voltou a jogar em seguida. A razão está na exceção prevista pela regra: quando a lesão resulta de uma falta punida com cartão, amarelo ou vermelho, o lesionado pode permanecer em campo.
A primeira aplicação da regra registrada pela equipe do Gato Mestre* foi em Holanda x Japão. Kubo machucou o joelho e pediu atendimento. Orientado pelo árbitro, deixou o campo, foi tratado na linha lateral enquanto o jogo seguia e, minutos depois, acabou substituído.
Ainda na primeira rodada, dois casos em Costa do Marfim 1 x 0 Equador chamaram a atenção. Principalmente o do volante Moisés Caicedo. O árbitro francês François Letexier mandou o equatoriano sair do gramado depois de ele ficar caído no campo de ataque. De início, o jogador do Chelsea pareceu não entender a ordem. Foi contrariado para a lateral e começou a reclamar para poder voltar ao campo, convencido de que já podia voltar. Porém, ainda faltava tempo. Letexier só autorizou o retorno após um minuto e seis segundos.
Veja todos os casos registrados da aplicação da regra do minuto fora na Copa do Mundo 2026:
Kubo em Holanda 2 x 2 Japão: 2 minutos e 54 segundos até ser substituídoMoisés Caicedo em Costa do Marfim 1 x 0 Equador: 1 minuto e 6 segundos até voltar ao campoOrdóñez em Costa do Marfim 1 x 0 Equador: 1 minuto e 15 segundos até voltar ao campoIsmaïla Sarr em França 3 x 1 Senegal: 1 minuto e 6 segundos até voltar ao campoMbappé em França 3 x 1 Senegal: 46 segundos até o árbitro apitar o fim de jogoCasimir em Brasil 3 x 0 Haiti: 1 minuto e 6 segundos até voltar ao campoAktürkoglu em Turquia 0 x 1 Paraguai: 28 segundos até voltar ao campoDiego Gómez em Turquia 0 x 1 Paraguai: 1 minuto e 11 segundos até voltar ao campoSchlotterbeck em Alemanha 2 x 1 Costa do Marfim: 1 minuto e 15 segundos até voltar ao campoTelmo Arcanjo em Uruguai 2 x 2 Cabo Verde: 1 minuto e 8 segundos até voltar ao campoKevin Pina em Uruguai 2 x 2 Cabo Verde: 1 minuto e 8 segundos até voltar ao campo
Entenda a regra
Como funciona o período de um minuto fora do campo de jogo, segundo a IFAB?
O período de um minuto fora do campo de jogo tem início quando o jogo é reiniciado.O minuto é cronometrado em tempo corrido e é determinado pelo árbitro, que pode ser auxiliado pelos demais membros da equipe de arbitragem.O jogador só pode retornar com a permissão do árbitro. Ele deve reingressar pela linha lateral se a bola estiver em jogo, mas pode reingressar por qualquer linha de demarcação se a bola estiver fora de jogo.Se o jogador lesionado for substituído, a substituição não é retardada.Se o primeiro tempo terminar antes de transcorrido o minuto, o jogador pode retornar a partir do início do segundo tempo; esse princípio aplica-se a: a) o intervalo entre o fim do tempo normal e o início da prorrogação; b) o intervalo da prorrogação; c) o intervalo entre o fim da prorrogação e as cobranças de pênalti (disputa de pênaltis).
O jogador não é obrigado a deixar o campo de jogo por um minuto quando:
O jogador sinaliza que não necessita de atendimento médico, exceto quando o jogo tiver sido paralisado em razão da lesão; ou deixa o campo voluntariamente durante o jogo ou em uma paralisação, desde que isso não retarde o reinício;Um goleiro está lesionado;Um goleiro e um jogador de linha colidiram e precisam de atendimento;Jogadores da mesma equipe colidiram e precisam de atendimento;Ocorreu uma lesão grave, sobretudo na cabeça (por exemplo, concussão), problema cardíaco ou evento de risco à vida (por exemplo, convulsão, asfixia etc.);O jogador se lesionou em decorrência de uma falta física pela qual o adversário é advertido ou expulso (por exemplo, entrada imprudente ou falta grave);Foi assinalado um pênalti e o jogador lesionado será o cobrador.
Leia a regra ("lei 5) da IFAB na íntegra aqui.
*Gato Mestre é formado pelos jornalistas Arthur Sandes, Davi Barros, Felipe Tavares, Guilherme Maniaudet, Gustavo Figueiredo, Leandro Silva, Lorrayne Vieira (estagiária), Roberto Maleson, Rodrigo Breves e Valmir Storti, pelos cientistas de dados Bruno Benício e Vitor Patalano e pelo programador Gusthavo Macedo.




