Coronel Sapucaia
Antes do feminicídio, assassino ameaçou usar Lei Maria da Penha em extorsão
Denúncia aponta cobrança por dinheiro, pensão e falsa acusação contra fazendeiro
KAMILA ALCâNTARA / CAMPO GRANDE NEWS
Antes de ser preso pelo feminicídio da jornalista Vanessa Ricarte, o músico Caio César Nascimento Pereira já era alvo de investigação por outro crime, também marcado por ameaça e tentativa de controle. Em ação penal que tramita na 3ª Vara Criminal de Campo Grande, ele é acusado pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) de extorsão contra um homem, a quem teria exigido dinheiro, pensão e até parte de uma fazenda.
O caso, segundo a denúncia, ocorreu entre 5 de março e 7 de maio de 2024, quase um ano antes do assassinato de Vanessa, registrado em 12 de fevereiro de 2025, em Campo Grande. Caio é apontado como autor do feminicídio da jornalista e foi preso em flagrante à época. Reportagens publicadas após o crime informaram que Vanessa havia denunciado o músico e obtido medida protetiva horas antes de ser morta.
- Leia Também
- Ao juiz, músico alega ter matado jornalista por impulso após frase de desdém
- MPT-MS faz ato em memória de jornalista vítima de feminicídio
No processo de extorsão, o MPMS afirma que Caio passou a enviar mensagens e fazer ligações após o rompimento de um casamento. A acusação diz que ele mantinha um relacionamento extraconjugal com a então esposa do homem ameaçado e, depois da separação, passou a pressioná-lo para obter vantagem econômica.
Conforme a denúncia, as ameaças eram feitas por diferentes números de telefone. Caio teria exigido “metade do dinheiro' ou o pagamento de pensão à mulher. Caso contrário, dizia que mataria o homem e que faria com que ele fosse denunciado falsamente com base na Lei Maria da Penha.
Em uma das mensagens anexadas ao processo, Caio teria escrito: “Esperando você vender essa fazenda. Ou você dá a metade do dinheiro ou eu vou te mat**, seu filho da p***. Faz horas que bebo cerveja que você tá pagando. Kkk. Ou você dá uma pensão para ela. Ou vou fazer ela denunciar você na Maria da Penha, ela vai acabar com você se eu não acabar antes'.
Para o MPMS, a mensagem mostra que a ameaça não se limitava a xingamentos. A Promotoria afirma que havia uso de linguagem intimidatória para constranger a vítima, com ameaça à vida e de falsas imputações judiciais, tudo com objetivo de obter vantagem econômica indevida.
A Polícia Civil também apontou que Caio teria exigido dinheiro para não matar o homem e teria ameaçado convencê-la a registrar boletim de ocorrência por violência doméstica. O relatório policial cita ainda cobrança de pensão e pressão envolvendo a divisão de uma fazenda.
Caio negou o crime. Em interrogatório, admitiu ter tido relacionamento com a mulher citada no contexto do caso, mas negou ter enviado mensagens ameaçadoras ou feito ligações com intenção de extorquir. Ainda assim, a Polícia Civil concluiu o inquérito com o indiciamento dele por extorsão, crime previsto no artigo 158 do Código Penal.
A denúncia foi oferecida em janeiro de 2026 e recebida pela Justiça em março. A audiência de instrução e julgamento foi marcada para 16 de julho de 2026. Até lá, Caio responde à acusação como réu, sem condenação neste processo.
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.



