• Segunda, 29 de Junho de 2026

Queda da Alemanha diante do Paraguai "lava a alma" após trauma do 7 a 1

Festa em Campo Grande misturou orgulho paraguaio, torcida brasileira e provocações aos alemães

GUSTAVO BONOTTO, GABI CENCIARELLI E JUDSON MARINHO / CAMPO GRANDE NEWS


Torcedores comemoram, entre abraços e beijos, vitória paraguaia na Copa do Mundo. (Foto: Gabi Cenciarelli)

A última cobrança de pênalti entre Alemanha e Paraguai mal entrou no gol e a comemoração da classificação da Albirroja às oitavas de final começou na sede da Associação Colônia Paraguaia e também nos bares do Centro de Campo Grande, onde brasileiros vibraram como se o resultado também fosse deles.

Uns torciam pelas próprias raízes, outros pela amizade com o país vizinho. Quase todos tinham mais um motivo em comum: ver a Alemanha deixar a Copa do Mundo. A lembrança do 7 a 1 sofrido pelo Brasil na Copa de 2014 apareceu em quase todas as conversas.

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Para os paraguaios, a eliminação da Alemanha representou uma vitória histórica. Para muitos brasileiros, o resultado ganhou um sabor extra.

'O Brasil está vingado também, com o 7 a 1', resumiu o músico Cristobal Urbita, de 62 anos, que nasceu no Paraguai e vive em Campo Grande há 23 anos.

A professora Gabriely Echeverria, de 32 anos, conta que a torcida pelo Paraguai começou muito antes do confronto contra os alemães. A avó dela era paraguaia e parte da família ainda mantém raízes no país vizinho.

'Nossa avó era paraguaia e metade da família é de lá. A gente já torcia para o Paraguai, mas contra a Alemanha dá um gostinho a mais.'

Henrique Brito, de 42 anos, resume o motivo que o levou a vestir, ao menos por uma noite, a camisa da seleção vizinha.

'Vou torcer para o Paraguai. É nosso vizinho, um país irmão, e ainda pode tirar a Alemanha do caminho.'

Para quem nasceu no Paraguai, porém, a classificação significou muito mais do que eliminar uma das favoritas ao título. Cristobal diz que a campanha recoloca o país em evidência no futebol mundial depois de anos longe da Copa.

'Isso é indescritível. Essas emoções que o futebol pode dar para um país tão pequeno como o Paraguai. O Paraguai sempre sofre, mas no final fica feliz.'

O orgulho também aparece na história de Carolina Gomes, de 28 anos. Ela nasceu no Brasil, foi registrada no Paraguai e mudou-se para lá aos 15 anos. Perguntada se dividia a torcida entre os dois países, respondeu sem pensar.

'Sou paraguaia, com muito orgulho. O coração é paraguaio.'

Mesmo quem construiu a vida no Brasil diz que a identidade permanece. Diretora social e tesoureira da Associação Colônia Paraguaia, Natividad Gonzalez, de 68 anos, nasceu em Assunção e mora há 33 anos em Campo Grande.

'A gente fica muito feliz. Os paraguaios estão trazendo alegria para nós.'

Ela afirma que a relação entre brasileiros e paraguaios também se reflete nas arquibancadas.

'Muitos brasileiros torcem pela gente, assim como nós torcemos pelo Brasil.'

Na avaliação do diretor de Cultura da Associação Colônia Paraguaia, Oscar Maurício Martinez, a festa da noite é reflexo de uma convivência construída muito antes do futebol.

'Não tem como falar de Brasil e Paraguai sem falar da integração entre os dois países. Muitos paraguaios ajudaram a construir esta região e essa convivência continua até hoje.'

Para ele, a classificação também ficará marcada na história da seleção.

'Talvez não seja uma vingança. É mostrar a garra. Hoje não existe mais time pequeno. O Paraguai mostrou vontade de vencer.'

Nos bares do Centro, a comemoração também teve espaço para histórias pessoais. O fotógrafo Rafael Gomes Braga, de 23 anos, conta que começou a torcer pelo Paraguai por causa de uma amiga paraguaia.

'Depois do Brasil, eu sou Paraguai.'

Com o passar da partida, encontrou mais um motivo para permanecer na torcida.

'Nem tinha pensado nisso, mas agora que você falou, melhor ainda que a Alemanha não venha para a próxima fase.'

O cantor Eric Carrera, de 29 anos, preferiu ampliar a comemoração para além da rivalidade entre brasileiros e alemães.

'Vim torcer para o Brasil e, depois, para o Paraguai. Eliminando a Alemanha, fica mais fácil para o Brasil. América do Sul em primeiro lugar.'



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