• Terça, 30 de Junho de 2026

Restaurante tem marmita abençoada a R$ 10 de dia e à noite vira igreja

Casal vende refeições simples e transforma espaço pequeno em ambiente de fé na Vila Taquarussu

NATáLIA OLLIVER / CAMPO GRANDE NEWS


Marmita abençoada, de dia Restaurante dos Gordinhos, à noite igreja (Foto: Osmar Veiga)

De dia, Restaurante dos Gordinhos; à noite, casa de oração, onde o pastor também é o cara que prepara as marmitas vendidas de R$ 10 a R$ 13. Há 2 anos, a Bíblia e um púlpito não passam despercebidos e não se separam das panelas. Para os gordinhos, como são chamados Anderson e Patrícia Achar, o trabalho na cozinha é parte de uma missão de fé. Ali, a marmita é abençoada, dizem eles.

Arroz, feijão, macarronada, ovo e frango assado ou bife a cavalo. O cardápio é simples, mas tem sustentado muita gente que passa na Rua Brigadeiro Tobias, 1024, na Vila Taquarussu. A marmita é vendida por um valor acessível. Para o casal, vender comida barata virou uma forma de ajudar o próximo.

Patrícia, de 55 anos, conta que ver as pessoas chegando em busca de comida é motivo de gratidão.

“Para a gente é muito gratificante. Nós podemos não só vender, mas ajudar o nosso próximo, aqueles que necessitam. Tem muita gente, até pessoas de rua, que vem aqui comprar marmitex a R$ 10. Tem pessoas que compram um para dividir em 3 pessoas. Então, para a gente, é muito gratificante mesmo. E é tudo sempre com amor', afirma Patrícia.

Quem explica a rotina da cozinha é Anderson. Segundo ele, por dia são vendidas cerca de 100 marmitas de frango e 45 de bife.

“A marmita é barata e fresquinha. Nós não armazenamos material, é tudo do dia. O frango é comprado e entregue todo dia, e o bife também é comprado no dia', explica Anderson. Salada, por enquanto, não entra na marmita. Ele diz que o motivo é o preço dos produtos e a dificuldade de encontrar valores que permitam manter a refeição a R$ 10.

A ligação da comida com a oração vem de antes da mudança para Campo Grande. O casal veio de Itajaí (SC), depois de enfrentar o alto custo de vida no estado. Anderson conta que o aluguel por lá estava caro e que a mudança para a Capital sul-mato-grossense também teve relação com uma promessa de Deus.

Em Itajaí, Anderson e Patrícia já reuniam pessoas em uma varanda para momentos de fé. “Nós tínhamos uma varanda onde havia muitas pessoas, muitos idosos que nós buscávamos e fazíamos culto. Também íamos ao centro de recuperação, onde levávamos a palavra. Através dessa varanda, sempre puxamos o nome da Casa de Oração Jesus Cristo Nova Aliança', conta Anderson.

Em Campo Grande, o espaço escolhido para recomeçar tinha ligação com a família dele. O imóvel pertenceu à mãe, ao pai e ao tio de Anderson. Com a morte da mãe e do tio, ele ficou com a parte que era da mãe e decidiu fazer um restaurante.

O preço baixo surpreende muita gente. Segundo Anderson, alguns clientes perguntam por que o casal não cobra mais caro. Ele também afirma que já ouviu reclamações de pessoas ligadas a outros restaurantes, preocupadas com a concorrência.

“Muitas pessoas vêm até aqui e falam: por que vocês vendem a marmita nesse preço? Vendem mais caro. Inclusive outras pessoas que também têm restaurante ficam até bravas e falam para colocar mais caro, porque senão vai prejudicar. Mas, se Deus deu a direção, eles não vão fazer', diz.

O nome Restaurante Gordinho nasceu de forma simples, dentro da própria família. Anderson conta que ele e a esposa decidiram colocar no negócio uma marca que representasse os dois.

“Quando nós chegamos, colocamos o restaurante na família. A família que eu tenho é a minha esposa. Nós dois somos gordinhos, então colocamos Restaurante Gordinho. E pegou o nome. Todo mundo fala: vamos lá nos gordinhos', brinca.

Agora, o casal quer ampliar a produção. Anderson afirma que pretende contar com empresários dispostos a colaborar para que o restaurante consiga vender mais marmitas populares. “Nós estamos contando com vários. Nós estamos aqui para produzir mais ainda, queremos aumentar', afirma.

Além dele e da esposa, que também ajuda na produção, está Luzinete Dalacheque, de 65 anos. Para eles, o restaurante tem dono, missão e endereço. Mas o propósito, segundo o casal, vem de cima. “Fazemos a melhor marmita. É um prato simples, mas sustenta', resume Anderson.

O restaurante dos Gordinhos fica na Rua Brigadeiro Tobias 1024, no bairro Taquarussu. Funciona de segunda a sábado, das 10h30 até acabarem as marmitas, normalmente até às 14. Aos sábados, o casal serve feijoada completa, com arroz, couve e farofa.

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