Esportes
Idolatria, lágrimas no telão e aplausos no fim: o adeus de Cristiano Ronaldo às Copas
Craque português se despede dos Mundiais com números que não justificam sua carreira, mas demonstra serenidade: “A vida continua'
GLOBOESPORTE.COM / LEONARDO LOURENçO
Cerca de 40 minutos antes do início do jogo, os jogadores de Portugal se reuniram no túnel que leva para o campo. Cristiano Ronaldo à frente. Foi ele quem puxou a fila para o aquecimento.
O imenso telão do estádio de Dallas fixou-se no camisa 7 por minutos. Todos ali sabiam que aquela poderia ser a última partida de Copa de um dos maiores jogadores de todos os tempos. Ele queria estender, ao menos por mais três jogos.
Não deu. O gol de Merino, aos 46 minutos do segundo tempo, colocou a Espanha nas quartas de final e tirou de Cristiano Ronaldo a chance de conquistar o Mundial – algo pelo qual ele sonhou por seis Copas, desde a estreia na Alemanha, em 2006.
O telão outra vez buscou o craque veterano quando o árbitro decretou o 1 a 0 para os espanhóis. Dessa vez, focava nos olhos, nas lágrimas que Cristiano Ronaldo deixou rolar ao ouvir aplausos de torcedores – mesmo os rivais, desta vez, pareciam reconhecer aquele momento.
Aos 41 anos, o jogador admitiu depois da partida que aquela tinha sido sua última em Mundiais. Deixou aberta a possibilidade de continuar a defender a seleção de seu país, decisão que será tomada “de cabeça fria, com a família'.
A Copa foi a kryptonita de um dos atletas que marcou essa geração.
Foram 11 gols em Copas, mas com participações que nunca fizeram jus à sua carreira. Esteve nas semifinais em 2006, quando Felipão comandou o time, mas depois nunca mais chegou perto de uma final.
Nos Estados Unidos, foram três gols marcados, mas questionamentos sobre se ainda deveria estar em os 11 titulares.
A idolatria dos torcedores nunca o abandonou, porém. Nas arquibancadas de Dallas, grandes máscaras com o rosto de Cristiano Ronaldo se espalharam. Era o único do time a ter o nome cantado em música.
Em campo, entregou menos do que se esperava.
Pouco participativo, teve duas chances de marcar, mas o goleiro Unai Simón impediu.
Demonstrou abatimento na zona mista, como se imaginava, mas serenidade. Disse, dessa vez com clareza, que era seu último Mundial, mas adiou qualquer decisão sobre aposentadoria – inclusive da seleção, que em 2028 pode disputar a Euro, vencida por Cristiano em 2016.
– Antes do Cristiano, Portugal não tinha títulos. O principal foi em 2016, que para mim tem a mesma dimensão que uma Copa. Amanhã será um novo dia, e a vida continua – afirmou o camisa 7.
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