Coronel Sapucaia
Justiça solta suspeito de matar manicure e jogar corpo em vala de estrada
Izaias Gimenez era monitorado havia um mês e foi preso ao tentar emitir novo documento em Campo Grande
BRUNA MARQUES / CAMPO GRANDE NEWS
A 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande revogou a prisão preventiva de Izaias Gimenez, de 52 anos, acusado de matar Valdineia Ferreira Delgado, de 34, em julho de 2023. A medida foi adotada em incidente de liberdade provisória vinculado ao processo de feminicídio e determinou a expedição de alvará de soltura, desde que o réu não esteja detido por outro motivo. O despacho foi publicado no Diário da Justiça desta quarta-feira (15).
Conforme a decisão, Izaias deverá apresentar comprovantes de trabalho e endereço, além de manter atualizados o telefone, a residência e a atividade profissional durante o andamento do processo. O descumprimento dessas obrigações poderá levar à revogação da liberdade.
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Conforme apurado pelo Campo Grande News, a promotoria manifestou-se favoravelmente à colocação do acusado em liberdade. Izaias nega veementemente a autoria do crime, é primário e, segundo informações levantadas pela reportagem, as testemunhas não afirmam com certeza quem teria cometido o crime, apresentando mais suposições do que certezas.
Há ainda uma série de circunstâncias no processo que demandam uma análise mais aprofundada e que, neste momento, militam em favor do acusado sob o princípio da presunção de inocência.
Izaias havia sido capturado pela Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) no dia 8 de abril, no Centro de Campo Grande. Ele estava com mandado de prisão em aberto desde 24 de março de 2026, expedido pela 2ª Vara do Tribunal do Júri.
Conforme apurado pela reportagem, a equipe do SIG (Setor de Investigações Gerais) já investigava havia pelo menos 30 dias o paradeiro do homem. O trabalho começou após um levantamento de pessoas foragidas por crimes cometidos no período em que o feminicídio ainda não era considerado crime autônomo, mas uma qualificadora do homicídio aplicada aos casos em que uma mulher era morta em razão da condição do sexo feminino.
O levantamento foi iniciado pelo setor do SIG (Setor de Investigações Gerais), em janeiro, e passou a verificar a existência de foragidos enquadrados nesse tipo de crime. Durante a análise, a equipe identificou o caso de Izaias e atribuiu a investigação a um policial, que passou a realizar levantamentos de campo e reunir informações sobre o paradeiro do acusado.
A partir daí, os investigadores iniciaram o monitoramento, cerca de um mês antes da prisão. Durante as diligências, os policiais descobriram que Izaias havia se dirigido ao Instituto de Identificação Gonçalo Pereira para fazer um novo documento de identidade.
Com a informação, foi montada uma campana, onde investigadores descaracterizados aguardaram a chegada do procurado. Ao mesmo tempo, uma equipe monitorava a casa de Izaias, enquanto outra acompanhava a residência do irmão dele.
Quando Izaias entrou no local, os policiais fizeram a confirmação visual da identidade e, em seguida, o localizaram e efetuaram a prisão dentro da sala do Instituto de Identificação.
Crime - O corpo de Valdineia Ferreira Delgado, de 34 anos, foi encontrado na noite de 8 de julho de 2023, em uma estrada vicinal no Jardim Corcovado, que dá acesso à Avenida Zila Corrêa.
A Polícia Civil foi acionada por telefone após a localização da vítima. Valdineia estava deitada de bruços, já em rigidez cadavérica, sem documentos e sem sinais aparentes de violência.
Izaias Gimenez foi denunciado por homicídio qualificado por motivo torpe, com a qualificadora de feminicídio, além de ocultação de cadáver. À época do crime, o feminicídio ainda não era tratado como crime autônomo pela Justiça, classificação que passou a vigorar apenas em 2024.
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