• Sexta, 17 de Julho de 2026

Análise: estreia de Pedro Emanuel expõe velhos problemas e dura realidade do Vasco no Brasileiro

Depois de 46 dias sem jogos, time é derrotado com atuação apagada e vê falha individual ser novamente determinante para resultado negativo

GLOBOESPORTE.COM / JOãO GUERRA


Pedro Emanuel em estreia pelo Vasco, contra o Vitória — Foto: Walmir Cirne/AGIF

Pedro Emanuel escreveu o seu primeiro capítulo no comando do Vasco, com a derrota por 1 a 0 para o Vitória, nesta quinta-feira, pela 19ª rodada do Campeonato Brasileiro. E, 46 dias depois, o torcedor vascaíno volta à dura realidade vascaína e com um alerta pulsante: a zona de rebaixamento.

De fato, pouca coisa mudou em relação à última vez que o Vasco entrou em campo, na derrota para o Atlético-MG, no dia 31 de maio. Tanto sobre a postura sem confiança e de baixa intensidade de uma equipe em crise, quanto pelo elenco - com apenas um reforço confirmado até aqui para o segundo semestre: Paulinho, que não foi relacionado por opção técnica.

Após este um mês e meio em que o amante do futebol acompanhou o mais alto nível competitivo na Copa do Mundo, a realidade do Campeonato Brasileiro bateu à porta de uma forma melancólica. A equipe apresentou baixa intensidade no Barradão e ameaçou pouco o gol adversário para tentar um resultado que seria fundamental na luta vascaína contra o Z-4.

No entanto, seria injusta qualquer análise profunda sobre o trabalho de Pedro Emanuel, no Barradão. Apresentado na última segunda-feira, o técnico português teve somente três dias de treinos com o grupo de jogadores antes da estreia. O novo comandante, inclusive, cobrava maior intensidade do time em algumas disputas e ao menos demonstrava incômodo com a situação à beira do campo.

Com pouco tempo de casa, o novo treinador manteve toda base titular que atuou no primeiro semestre. A única diferença foi a ausência de Andrés Gómez entre os onze iniciais, devido ao tempo longo fora dos treinamentos com a equipe por estar a serviço da seleção colombiana na Copa do Mundo.

Nuno Moreira atuou pelo lado esquerdo, mas, assim como toda a equipe, não teve atuação inspirada. O Vasco apresentou muita dificuldade na construção. As trocas de posição não eram efetivas, e o trio do meio formado por Nuno, Rojas e Adson acumulava erros. Spinelli também sofreu nos duelos no pivô com a dupla de zaga do time baiano.

O Vitória tampouco jogou bem, o que corrobora com uma tônica deste primeiro turno do Brasileirão: para vencer o Vasco, parece não ser necessário uma atuação brilhante ou com muito esforço. Muitos times, como o Vitória, apresentam atuações pobres, mas conseguem o triunfo por meio dos erros individuais dos jogadores vascaínos. Não à toa, o time carioca é o líder isolado em gols sofridos a partir de falhas no Campeonato Brasileiro.

Na noite desta quinta-feira, foi a vez de Barros falhar, no momento mais consistente do Vasco na partida. Aos 23 minutos da segunda etapa, o volante recebeu passe de Robert Renan na entrada da área, demorou a tomar decisão e foi desarmado por Renato Kayzer. O atacante — sempre ele — balançou as redes cara a cara com Léo Jardim. O Vasco é a maior vítima da carreira do atacante revelado em São Januário, com seis gols marcados.

Assim, a trajetória de Pedro Emanuel como treinador do Vasco começou com o pé esquerdo. O time fechou o primeiro turno na zona de rebaixamento. Com 20 pontos, o clube carioca terminará a 19ª rodada, no mínimo, na 17ª colocação. Sem ainda falar sobre possíveis reforços, Pedro Emanuel afirma que o elenco tem condições de lidar com a pressão de fugir da degola.

— Não é um momento muito ruim, é um momento menos bom da temporada. O que nos alimenta é olhar pra tabela e ver que o campeonato é muito competitivo e equilibrado. Uma ou duas vitórias já mudam. Agora também sabemos que o Vasco é um time gigante. Isso pra nós também é uma responsabilidade. E precisamos saber lidar com isso, temos que saber viver com essa pressão, ela faz parte do futebol. Com o tempo, vamos superar isso com trabalho, rigor, critério e competência. Hoje demonstramos isso em muitos momentos, não posso dizer o contrário. Os jogadores foram extremamente receptivos ao plano de jogo, e esta era nossa ideia. Um exemplo concreto é a forma como sabíamos o quanto podíamos usar o Andrés Gómez, porque esteve na Copa do Mundo, chegou há três dias e se disponibilizou pra jogar, mas não podíamos arriscar perder um jogador importante.

O Vasco volta aos gramados na próxima quarta-feira para enfrentar o Independiente Medellín, na Colômbia, no jogo de ida da segunda fase da Copa Sul-Americana.

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