Esportes
Análise: empate no fim resgata Fluminense, mas não omite erros cometidos na volta da temporada
Ataque tem noite apagada, defesa comete falhas e compromete resultado. Briga no fim quase coroa jogo para esquecer, mas gol nos acréscimos salva derrota iminente
GLOBOESPORTE.COM / MARCELLO NEVES
O gol nos acréscimos salvou o Fluminense do pior, mas não omitiu a má impressão deixada em campo. Se a avaliação foi positiva nos amistosos contra Nova Iguaçu e Bahia, o mesmo não aconteceu quando virou jogo oficial. Nesta sexta-feira, a equipe tricolor empatou em 1 a 1 com o Bragantino, no Maracanã, muito pelos velhos problemas expostos e pelo primeiro tempo ruim que fez. Ao menos, demonstrou garra para arrancar um empate no sufoco com Ignácio.
Por ser a novidade, os olhos recaem sobre Hulk, claro. Mas será necessário aguardar para vermos a melhor versão do camisa 7. A sensação é que tanto o atacante quanto seus companheiros ainda procuram a melhor forma de se completarem. No Maracanã, se o time ganhou com o poder de fogo de suas iminentes finalizações, perdia pela falta de entrosamento. Mas a análise principal vem de trás para frente: o ataque sofreu pelo excesso de erros da defesa.
O setor defensivo se comportou muito mal diante de um Bragantino escalado de forma mais ofensiva que o habitual — com quatro atacantes e apenas um homem de contenção. A rotação das equipes também esteve diferente: o toca e passa dos paulistas encontrava superioridade numérica e espaço em praticamente todos os setores do campo. O gol marcado por Eduardo Sasha nasce dessa velocidade. Bastou um erro de passe para que os paulistas saíssem de cara para o gol.
Por falar em defesa, segue o já dito nas análises do ge: o Fluminense não precisa de um, mas dois zagueiros como reforços. Poupemos Millán, lesionado, que saiu cedo. Mas Jemmes, o pior da última linha, e Freytes, que entrou repetindo os problemas de costume, empilharam falhas. Thiago Silva aumentará o nível do setor, mas o Fluminense ganha mais se ele não precisar jogar por dois. Ignácio, por outro lado, sai da partida com saldo positivo.
A consequência foi sentida no ataque. Hulk, Lucho Acosta e Savarino estiveram sumidos dentro de campo e limitados a poucos lances de talento individual. Serna, errático e esforçado, foi quem mais levou perigo no primeiro tempo e chegou a acertar a trave. A produção, no entanto, deixava a desejar. Precisava de John Kennedy ou Hulk não jogando isolado como centroavante. Isso fez o time melhorar no segundo tempo.
Canobbio e John Kennedy foram as escolhas de Zubeldía que ajudaram o Fluminense a subir de produção. Primeiramente pela mudança tática: atuar com dois centroavantes obrigou o Bragantino a se reposicionar defensivamente e fez com que a velocidade imposta ficasse em segundo plano. O Fluminense teve mais bola e se aproximou do seu jogo. E, claro, pelo talento individual: Savarino e Serna, substituídos, não foram bem.
Também é preciso falar sobre a expulsão de Sant'Anna, por acertar uma cotovelada em Lucho Acosta. Se o Bragantino já adotava postura mais cautelosa, ter um a menos em campo empurrou os paulistas para a defesa. Mas a noite ruim do Fluminense seguiu: tirando uma cabeçada de Lucho Acosta, em posição de impedimento, e Cano nos acréscimos, Tiago Volpi fez poucas defesas. Cano, aliás, foi uma escolha caótica, que levou Hulk para a ponta direita, o que piorou ainda mais o time.
Para coroar a noite ruim, uma briga no fim quando a arbitragem assinalou nove minutos de acréscimo quase selou a derrota. John Kennedy foi expulso e a confusão comeu boa parte dos acréscimos, que era tudo que o Bragantino queria. Mas não todos. No abafa, Ignácio empatou nos minutos finais. Sem tática ou algo do tipo, apenas bolas lançadas na área e muita torcida. Após 47 dias sem jogos, empatar em casa não era o esperado.
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