• Sábado, 18 de Julho de 2026

Celinho: entre riscos, fronteiras e o caminho de volta

Entre fronteiras e decisões difíceis, motociclista aprende que chegar em casa é o maior destino

FESTAS E EVENTOS TV- CONTEúDO DE MARCA / CAMPO GRANDE NEWS


(Foto: @celinhovoltaaomundo )
































Um post compartilhado por José Marques | Jornalista (@josemarques.app)

Quem acompanha uma grande expedição costuma ver apenas as belas paisagens, as fotos e o destino final. Poucos conseguem enxergar o que acontece entre uma fronteira e outra. São justamente esses momentos invisíveis que revelam a verdadeira dimensão de uma jornada.

Na conversa desta semana com o motociclista José Márcio, o Celinho, ficou evidente que uma volta ao mundo não é apenas um desafio geográfico. É, acima de tudo, um exercício diário de tomada de decisões, resiliência e equilíbrio emocional.

Depois de cruzar Peru, Equador, Colômbia e chegar à fronteira da Guatemala, ele relata que a estrada ensina muito mais do que qualquer mapa. Há dias de contemplação, mas também momentos de tensão. Em alguns trechos, percorreu pouco mais de 400 quilômetros em oito horas, enfrentando estradas difíceis, fronteiras fechadas e desvios inesperados que o obrigaram a retornar centenas de quilômetros apenas para encontrar um novo caminho.

Viajar sozinho também proporciona um encontro raro consigo mesmo. Entre quilômetros de silêncio, Celinho fala sobre a proximidade com Deus, o tempo para refletir e a oportunidade de observar uma realidade que muitas vezes passa despercebida por quem apenas visita esses países.

Os Andes impressionam pela beleza de suas paisagens, mas também provocam reflexão diante do contraste entre cenários exuberantes e comunidades marcadas pela pobreza. É uma viagem que muda a forma de enxergar o mundo.

Nem sempre o maior risco está na estrada. Muitas vezes ele está nas escolhas. Em determinado momento, após sucessivos alertas de moradores e viajantes, decidiu abandonar a rota prevista e evitar uma região considerada perigosa na Colômbia. Mudar o caminho significou abrir mão do planejamento para preservar aquilo que mais importa: voltar para casa.

Outra lição veio do ritmo. Conhecido por pilotar de forma intensa, Celinho conta que passou a viajar mais devagar, influenciado pelo companheiro Alexandre. Descobriu que reduzir a velocidade não significa perder tempo; significa ganhar segurança, aproveitar melhor a paisagem e chegar mais longe.

Os desafios burocráticos também fazem parte da aventura. Em uma das passagens pela Colômbia, enfrentou atrasos para conseguir liberar a motocicleta por causa da exigência de fumigação. Depois de horas de espera e muita insistência, conseguiu resolver a situação diretamente com o diretor responsável, evitando perder quase uma semana de viagem.

Mas o capítulo mais marcante dessa etapa aconteceu longe das aduanas.

O reencontro com a esposa, Janaína Barros Araújo, em Cartagena transformou completamente o estado de espírito do viajante. A expectativa pelo encontro serviu como combustível para superar os obstáculos dos dias anteriores. Durante quatro dias, vieram o descanso, as conversas, a tranquilidade e a sensação de que a família continua sendo o verdadeiro porto seguro, mesmo quando se está a milhares de quilômetros de casa.

Celinho faz questão de reconhecer o papel da companheira durante toda a expedição. Em momentos de dificuldade, foi ela quem reservou hotéis, ajudou na logística e deu suporte emocional mesmo à distância. Segundo ele, existe apenas uma promessa entre os dois: ele sempre voltará para casa.

Ao final da conversa, fica uma conclusão que vale para qualquer pessoa, esteja ela atravessando continentes ou enfrentando desafios do cotidiano.

As grandes viagens não transformam apenas quem percorre milhares de quilômetros. Elas transformam quem aprende que coragem não é ausência de medo, mas a capacidade de seguir em frente, mudar de rota quando necessário e nunca perder de vista o caminho de volta para aqueles que fazem a jornada valer a pena.

Clique no link abaixo e ouça o trecho desta entrevista.

Ouça o relato: clique aqui.

Celinho segue viagem rumo aos próximos destinos da expedição de volta ao mundo. Os próximos relatos dessa jornada continuarão sendo publicados em nossa coluna no Campo Grande News.

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