• Sábado, 18 de Julho de 2026

Depois do expediente, quatro amigos fazem da arte resistência

Coletivo Breu une produção autoral, identidade LGBT+ e apoio mútuo para seguir criando

CLAYTON NEVES / CAMPO GRANDE NEWS


Composto por Mar Cozta, João Lucas, Maya Severino e Beare, o grupo surgiu em 2023. (Foto: Arquivo Pessoal)

Quando o expediente termina, é aí que começa o trabalho de quatro artistas de Campo Grande que vivem da carteira assinada e aproveitam o tempo que sobra para desenhar, gravar, imprimir, pintar e organizar oficinas. Unidos pela amizade e pela vontade de continuar criando, os integrantes do coletivo Breu encontraram na arte uma forma de resistência e de existência.

Composto por Mar Cozta, João Lucas, Maya Severino e Beare, o grupo surgiu em 2023, a partir da convivência dos artistas no curso de Artes Visuais da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). Depois de participarem de um coletivo da universidade, eles decidiram criar um projeto independente para participar de feiras, exposições e eventos com identidade própria.

Hoje, o Breu reúne os quatro artistas que apostam na produção autoral e no trabalho coletivo. Além de produzir obras, eles compartilham conhecimento, promovem encontros mensais e incentivam a troca de experiências entre artistas iniciantes e experientes.

Um dos diferenciais do coletivo é a valorização da autoria. Segundo o artista Mar Cozta, apenas uma pequena parte do catálogo é dedicada à fan art e todo o restante nasce das pesquisas e das vivências de cada integrante.

As produções abordam diferentes temas como identidade LGBT+, relações de amizade, representatividade feminina, natureza, publicações independentes e também reflexões sobre a vida de trabalhadores que muitas vezes passam despercebidos pela sociedade.

É justamente esse olhar para quem costuma ser invisibilizado que aparece na pesquisa do artista João Lucas. Em seus desenhos e lambe-lambes, ele retrata pessoas LGBT+ dentro da classe trabalhadora e questiona a ideia de que essas pessoas não pertencem aos ambientes profissionais.

'O nosso trabalho fala sobre pessoas que também precisam trabalhar, pagar as contas e existir. Antes de sermos LGBT, também somos cidadãos', comenta.

O próprio cotidiano dos integrantes influencia diretamente a produção artística. Nenhum deles consegue viver apenas da arte. Todos mantêm empregos formais para garantir a renda enquanto seguem produzindo.

Mar conta que essa é uma das maiores dificuldades de ser artista em Campo Grande. Para ele, quem trabalha em horário comercial acaba encontrando menos oportunidades para frequentar eventos, fazer contatos e ocupar espaços culturais.

'A gente sonha em viver da arte, mas hoje não consegue. Somos artistas CLTs. Produzimos no tempo que sobra, porque fazer arte é muito mais do que um hobby. É uma forma de continuar existindo', resume.

Para João, fazer parte de um coletivo torna esse caminho menos solitário. Além de dividir custos e oportunidades, os quatro artistas também dividem incentivos para continuar criando.

'Enquanto coletivo, a gente se fortalece. Quando um não consegue estar presente, o outro representa. Isso faz a gente continuar produzindo, apesar das dificuldades', finaliza.

Acompanhe o trabalho do coletivo aqui.

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