Coronel Sapucaia
Maior fábrica de celulose do mundo já credenciou "4 Inocências" em trabalhadores
Em quase dois anos, a obra da Arauco habilitou 33,5 mil colaboradores e integrou 1.087 empresas
ANDERSON VIEGAS / CAMPO GRANDE NEWS
Em quase dois anos de obras, a construção da maior fábrica de celulose do mundo, em Inocência, no leste de Mato Grosso do Sul, já credenciou 33.580 trabalhadores para atuar no Projeto Sucuriú. O contingente equivale a quatro vezes a população do município, que tem 8.404 habitantes, segundo o Censo 2022 do IBGE. No mesmo período, a obra integrou 1.087 empresas à rede de fornecedores da Arauco, contabilizou 6.401.327 acessos ao canteiro e realizou mais de 155 mil análises documentais.
Os dados são da Meta.X, empresa responsável pelo credenciamento e mobilização de colaboradores, controle de obrigações acessórias e gestão de acesso da obra. Segundo a companhia, a rede de fornecedores foi estruturada em modelo multinível, conectando contratantes, contratadas e subcontratadas.
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Desde o início da construção, as catracas registraram 6.401.327 acessos ao canteiro, uma média de 52.903 movimentações por dia, com pico de 69.719 registros em um único dia. A operação conta com 65 catracas, oito portarias monitoradas, sendo três na planta industrial e cinco nos alojamentos, além de monitoramento em tempo real, 24 horas por dia, sete dias por semana.
Outro indicador da dimensão do empreendimento é a cadeia de fornecedores. Até o momento, 1.087 empresas foram integradas ao sistema da Arauco, formando uma estrutura multinível que reúne contratantes, contratadas e subcontratadas.
Ao longo da obra, o sistema realizou 155.086 análises documentais. O pico de credenciamentos ocorreu em fevereiro de 2026, quando 3.182 colaboradores foram habilitados para atuar no empreendimento em um único mês. Atualmente, o ritmo permanece entre 2 mil e 3 mil credenciamentos mensais.
Do total de acessos registrados, 188.762 foram bloqueados preventivamente, o equivalente a 2,95% das tentativas de entrada. Entre os bloqueios, 59.258 ocorreram por reprovação no teste do bafômetro e 6.975 por descumprimento do intervalo mínimo de interjornada. A operação também controlou o acesso de 7.245 visitantes e 6.168 veículos credenciados.
Outro pilar da gestão da obra é o COA (Controle de Obrigações Acessórias), sistema que verifica se as empresas prestadoras de serviço cumprem as obrigações trabalhistas, fiscais e contratuais exigidas para atuar no projeto.
Até o momento, foram auditadas 490 empresas, 740 contratos e 89.220 colaboradores, com índice de 97% de aprovação documental. Dos contratos avaliados, 91% atendem integralmente aos requisitos da Arauco, enquanto os 7% classificados como críticos permanecem sob acompanhamento, com planos de regularização em andamento.
Drones preservam vegetação na implantação da linha de transmissão
O gigantismo do Projeto Sucuriú também aparece nas soluções adotadas para reduzir impactos ambientais. Um exemplo é a implantação da linha de transmissão que conectará a futura fábrica ao SIN (Sistema Interligado Nacional), em Selvíria.
Para minimizar intervenções sobre a vegetação nativa, a Arauco passou a utilizar drones no lançamento das primeiras cordas-guia para instalação dos cabos de alta tensão. Em trechos específicos, a tecnologia substituiu o método convencional, que exigiria abertura de faixas de vegetação e acesso direto de equipes às áreas preservadas.
Na prática, os drones transportaram pelo ar as cordas que servem de guia para a instalação dos cabos da linha de transmissão. Segundo a empresa, a solução preservou 33,29 hectares de vegetação nativa e manteve estocadas aproximadamente 4.566 toneladas de CO₂ equivalente, carbono que continua armazenado na vegetação preservada.
'Esse projeto nasceu de uma decisão técnica e ambiental muito clara: mesmo havendo autorização para a supressão vegetal ao longo do traçado, buscamos uma alternativa que reduzisse ao máximo a necessidade de intervenção em áreas de vegetação nativa. É uma solução que mostra como a inovação pode ser aplicada de forma prática para reduzir impactos e aprimorar a implantação de grandes projetos de infraestrutura', afirma Camila Paschoal, gerente de Meio Ambiente da Arauco Celulose.
A linha de transmissão terá 91 quilômetros de extensão e utilizará 1.045 quilômetros de cabos de alta tensão. A estrutura é essencial para conectar a futura fábrica ao sistema elétrico nacional.
Quando entrar em operação, a unidade terá capacidade para gerar 400 MW de energia, sendo 200 MW destinados ao consumo próprio e outros 200 MW disponibilizados ao Sistema Interligado Nacional. Segundo a empresa, esse excedente será suficiente para abastecer uma cidade do porte de Campo Grande.
Além do uso de drones, o projeto incorporou soluções de engenharia para reduzir interferências ambientais. As torres variam entre 13,5 e 54 metros de altura, enquanto os cabos ficam entre 13 e 50 metros do solo, conforme o relevo e os requisitos de segurança elétrica. Em alguns trechos, as estruturas foram elevadas para evitar intervenções em APPs (Áreas de Preservação Permanente).
A utilização dos drones também trouxe ganhos operacionais, reduzindo a necessidade de acesso físico a áreas de difícil alcance, ampliando a segurança das equipes e diminuindo os impactos sobre o solo, a fauna e a conectividade ecológica.
Além de evitar a supressão vegetal, a iniciativa contribui para preservar importantes serviços ecossistêmicos, como o armazenamento de carbono, a manutenção de habitats, a regulação hídrica e a proteção de áreas dos biomas Cerrado e Mata Atlântica.
Maior investimento da história da companhia
O Projeto Sucuriú representa o maior investimento da história da Arauco, uma das maiores empresas globais dos setores de celulose, produtos de madeira, reservas florestais e bioenergia.
São US$ 4,6 bilhões destinados à construção da primeira fábrica da companhia no Brasil e da maior fábrica de celulose do mundo construída em etapa única.
A unidade terá capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose de mercado por ano, com início das operações previsto para o fim de 2027.
No pico da construção, o canteiro deverá reunir mais de 14 mil trabalhadores. Após o início da operação, o Projeto Sucuriú deverá gerar cerca de 6 mil empregos nas áreas industrial, florestal e logística.
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