Coronel Sapucaia
Anúncio da venda do Consórcio Guaicurus divide expectativas de motoristas
Sindicato ainda não foi oficialmente informado sobre a negociação
FERNANDA PALHETA / CAMPO GRANDE NEWS
A venda do Consórcio Guaicurus para a empresa goiana HP Mobilidade dividiu as expectativas dos motoristas que trabalham no transporte coletivo de Campo Grande. Um dia depois do anúncio feito pela prefeita Adriane Lopes (PP), a categoria ainda não foi oficialmente informada sobre a negociação.
Ao Campo Grande News, o presidente do STTCU-CG (Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano de Campo Grande), Demétrio Freitas, afirma que o sindicato ficou sabendo da venda pela imprensa. Sem um comunicado oficial, a mudança gerou medo e a perspectiva de melhorias.
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'Cria uma incerteza, de não saber o que vai acontecer. Quando vem alguém novo, que vai querer fazer mudanças, há a possibilidade de demissões. A nova empresa vai absorver, não tem como contratar pela falta de mão de obra', detalhou.
O sindicalista chegou a gravar um vídeo tranquilizando os motoristas. Demétrio ressaltou que a nova gestora goiana já faz parte do ramo de transporte público. 'Não vai ser nada novo para eles, que já sabem das dificuldades da área', completou.
Apesar do medo, a categoria ainda tem expectativa de melhoria nas condições de trabalho e cita como exemplo a manutenção do pagamento do salário em dia.
Apesar do anúncio da mudança de proprietário, para a nova empresa assumir a operação em Campo Grande é necessária a anuência do Executivo Municipal. 'Nós, do Município, vamos solicitar um cronograma das melhorias para avaliar se haverá o aceite. Eu não vou aceitar se não houver mudança, que é o que venho cobrando', disse Adriane à reportagem.
Enquanto o município analisa o negócio e cobra da compradora uma proposta detalhada de investimentos para Campo Grande, o transporte coletivo permanece sob responsabilidade da equipe interventora.
Intervenção - O transporte coletivo de Campo Grande completa hoje 35 dias sob intervenção da prefeitura. A medida começou em 16 de junho e pode durar até 180 dias, período em que gestores nomeados pelo município assumiram o controle operacional, administrativo, financeiro e jurídico do serviço prestado pelo Consórcio Guaicurus.
A intervenção foi decretada após meses de apuração sobre o contrato de concessão, firmado em 2012. O processo começou a ganhar força em novembro de 2025, quando uma ação popular levou a discussão à Justiça. Em vez de determinar imediatamente que a prefeitura assumisse o sistema, o Judiciário exigiu a abertura de procedimento administrativo para verificar se havia justificativa para a medida.
Em março deste ano, uma comissão especial começou a analisar documentos financeiros, dados de fiscalização e o cumprimento das obrigações contratuais. O relatório final, concluído em 8 de junho, recomendou a intervenção.
Entre os problemas apontados estavam 21.910 autuações aplicadas ao consórcio entre 2021 e 2025. Desse total, 12.279 estavam relacionadas ao descumprimento de horários e 3.444 a viagens que não foram realizadas.
A comissão também identificou uma frota com idade média de 7,6 anos, 98 ônibus com mais de dez anos de uso, veículos parados por falta de peças, falhas nas inspeções e ausência dos seguros exigidos pelo contrato durante quase nove anos.
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