• Quinta, 23 de Julho de 2026

Mostra coletiva discute memória, território e meio ambiente até sexta

Artistas de Mato Grosso do Sul e outros estados expõem no espaço cultural no MIS

GUSTAVO BONOTTO / CAMPO GRANDE NEWS


'Galo que muda de cor do Seu Ilson III', feito com madeiras naturais de diferentes espécies, por Iuri Dias. (Foto: Reprodução)

A exposição coletiva 'Na véspera de dentro' segue aberta para visitação até sexta-feira (24), no espaço do NAUS (Plataforma Sul-mato-grossense de Incentivo à Criação em Artes Visuais), em Campo Grande. A mostra reúne obras de seis artistas de Mato Grosso do Sul e de outros estados, com entrada gratuita. Sob curadoria de Elias de Aquino, a proposta aborda temas como memória, território, meio ambiente e cotidiano por meio de diferentes linguagens das artes visuais.

Em cartaz desde junho, a exposição reúne trabalhos de Antonio Junior, Iuri Dias, Ana Reis, Eliane Fraulob, Gabriel Matos e Wendel Fontes. As produções incluem pintura, marchetaria contemporânea, fotoperformance, instalação e intervenções com objetos do dia a dia, transformando o espaço expositivo em um ambiente de diálogo entre diferentes pesquisas e trajetórias artísticas.

Segundo o curador Elias de Aquino, a proposta foi reunir artistas que exploram temas ligados ao território, aos afetos e à matéria. A seleção busca ampliar o debate sobre a produção contemporânea desenvolvida no Centro-Oeste e por artistas que mantêm relação com a região.

Entre os destaques está o trabalho de Antonio Junior, artista visual e pesquisador radicado em Campo Grande. As pinturas apresentadas surgem de uma pesquisa sobre queimadas em terrenos baldios da cidade. A partir de caminhadas e registros fotográficos, ele retrata resíduos descartados pela população para provocar reflexões sobre abandono urbano e questões ambientais.

Iuri Dias leva à mostra o díptico 'Galo que muda de cor do Seu Ilson'. A obra utiliza a técnica da marchetaria com pelo menos 13 espécies de madeira para representar o brilho das penas de um galo e homenagear o sonho de infância do sogro do artista de construir um galinheiro após a aposentadoria.

A artista e professora Ana Reis apresenta 'Filtro de Barro (Fé Cega, faca amolada)', integrante da série 'Autoficções de isolamento'. A fotoperformance ressignifica elementos do ambiente doméstico e propõe reflexões sobre vulnerabilidade, gênero e colonialidade por meio de imagens que ocultam o rosto e exploram efeitos de camuflagem.

Natural de Campo Grande e residente no Rio de Janeiro, Eliane Fraulob expõe pela primeira vez na cidade desde que se mudou para outro estado. Nas obras 'Pé de Vento' e 'Segredo para a Terra', a artista constrói paisagens inspiradas na vegetação e na escrita gestual para tratar de memórias e da crise ambiental.

Gabriel Matos participa pela primeira vez de uma exposição em Mato Grosso do Sul. O artista utiliza objetos cotidianos para discutir migração, êxodo rural e afetos. Entre as obras está 'Infiltração', instalação feita com tranças utilizadas em arreios de cavalos, que saem de um filtro de barro rachado, além de uma pamonha produzida com argamassa.

A mostra também reúne pinturas de Wendel Fontes. O artista pesquisa lembranças da infância por meio de cenas que misturam memórias, ficção e cores intensas. As telas apresentam crianças em momentos de introspecção e exploram a relação entre recordações e imaginação.



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