Coronel Sapucaia
Em áudio, mãe de autista agredida diz que padrasto era "figura de pai"
Gravação atribuída à mulher circula no Paraguai; autenticidade não foi confirmada
GUSTAVO BONOTTO E HELIO DE FREITAS, DE DOURADOS / CAMPO GRANDE NEWS
Em gravação que circula na imprensa paraguaia, a suposta mãe da menina brasileira de 6 anos com TEA (Transtorno do Espectro Autista) agredida pelo padrasto afirma que o rapaz, preso desde a última semana, era visto pela criança como uma 'figura de pai'. No áudio, divulgado nesta quinta-feira (23), a mulher também diz que não tenta justificar as agressões e alega que o episódio foi isolado.
Na íntegra da mensagem, a mulher se apresenta como mãe da criança e em espanhol afirma que passou a ser apontada como 'negligente' desde que o caso ganhou repercussão. Ela diz que não tenta justificar o companheiro, nega que tenham ocorrido outras agressões dentro de casa e afirma que a família sempre foi unida.
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'A sociedade está contra mim como se eu fosse uma mãe ruim nesta situação. O que aconteceu não tem justificativa, e também não estou defendendo o agressor, mas quero que a verdade seja dita. Isso nunca aconteceu em casa. Nunca houve qualquer tipo de agressão. Somos uma família muito unida, temos pessoas que nos conhecem e somos uma família cristã.'
A suposta autora também acusa familiares paternos de divulgar informações falsas, afirma que algumas pessoas teriam sido pressionadas a prestar declarações e diz possuir provas para sustentar sua versão.
'A sociedade precisa saber a verdade porque essas pessoas foram longe demais ao me incriminar. Existem muitas mentiras e muitas coisas que mandaram fazer sob pressão. Tenho provas para mostrar a verdade.'
Ela também defende a família do companheiro e afirma que os parentes dele acolheram a ela e aos filhos. Em seguida, acusa familiares paternos de tentar obter vantagens financeiras relacionadas a benefícios sociais e critica a divulgação das imagens da criança.
'Eles sempre acolheram muito bem a mim e aos meus filhos. Os parentes da minha filha dependem do governo e usam qualquer situação para tirar proveito. Não se importaram em expor a imagem de uma criança. Quero que a sociedade saiba a verdade.'
Ainda no áudio, a mulher afirma que toda a família do companheiro acolhia a criança, diz que pretende apresentar documentos para comprovar suas declarações, aceita passar por exame toxicológico e volta a acusar a avó paterna de ameaças. Ela também sustenta que o pai biológico esteve ausente da criação da filha.
'Não falo apenas dele, porque toda a família dele considera minha filha como parte dela e nunca a tratou de forma inferior. Estou jurando diante de Deus ao dizer estas palavras. Nós, os pais, estamos mais do que surpresos e entristecidos com a situação. Para desmentir essa pessoa que disse que temos um vício em comum, estou aberta a provar. Peço às autoridades que a convoquem para fazer o exame. A avó paterna sempre fez ameaças à minha família. Eles vêm, sem saber a verdade, e me atacam para que eu entregue minha filha ao pai, uma pessoa que sempre esteve ausente.'
O caso - A menina foi levada ao Hospital Regional de Pedro Juan Caballero com hematomas nas costas, peito, pescoço, rosto, braços e nádegas. Conforme a investigação conduzida pelas autoridades paraguaias, a mãe havia saído para trabalhar e deixou a filha sob os cuidados do companheiro. O hospital comunicou o caso depois que a equipe médica identificou lesões compatíveis com agressões.
O padrasto, de 23 anos, foi preso e encaminhado para a Penitenciária Regional de Pedro Juan Caballero. O médico legista Marcos Prieto informou que os ferimentos podem ter sido provocados com as mãos ou um pedaço de madeira.
Durante a apuração, a Promotoria do Paraguai também passou a investigar a conduta da mãe por suspeita de falha no dever de cuidado com a filha.
Na terça (21), o juiz paraguaio Edison Escobar concedeu a guarda provisória da menina a um casal de pastores indicado pela mãe. Segundo a decisão, uma avaliação psicológica apontou vínculo afetivo entre a criança e os responsáveis. O magistrado também proibiu a mãe de se aproximar da filha e autorizou visitas do pai biológico enquanto o processo segue em andamento.
A decisão provocou reação da família paterna, da OAB-MS (Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Mato Grosso do Sul) e de representantes políticos, que defenderam a concessão da guarda ao pai ou à avó paterna.
Também nesta quinta, a presidente da Associação de Pais e Amigos dos Autistas de Ponta Porã, Vanessa dos Santos, divulgou denúncia feita pela família paterna de que a mãe teria recebido R$ 8 mil da avó da criança sob a promessa de devolvê-la, mas não cumpriu o acordo.
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