• Sexta, 24 de Julho de 2026

Compradora de consórcio fará plano de melhorias exigido pela prefeitura

Grupo afirma que investirá na empresa criada para a compra e diz ter patrimônio de R$ 561 milhões

GUSTAVO BONOTTO / CAMPO GRANDE NEWS


Ônibus saindo do Terminal General Osório na Capital. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

O grupo goiano HP, comprador do Consórcio Guaicurus, informou na tarde desta sexta-feira (24), por meio de nota, que prepara um plano de trabalho para apresentar à Prefeitura de Campo Grande com propostas para reestruturar e melhorar o transporte coletivo antes da conclusão da transferência do controle das quatro empresas que operam o sistema na Capital.

No comunicado, o conglomerado afirma que 'acompanha o processo de intervenção e as etapas acima mencionadas, bem como prepara o detalhamento do plano de trabalho a ser apresentado ao Poder Concedente, contendo as propostas de reestruturação e de melhoria dos serviços do Sistema de Transporte Público de Campo Grande, a serem implementadas quando da assunção definitiva do contrato de concessão'.

  • Leia Também
  • Dentro da lei, diz secretário sobre criação de empresa que comprou Consórcio
  • Com capital de R$ 10 mil, compradora do Consórcio nasceu 2 dias antes do negócio

A nota, no entanto, não informa quais medidas serão apresentadas nem estabelece prazo para a entrega do projeto.

O requerimento havia sido antecipado pelo Campo Grande News. Na quarta (22), o diretor-presidente da Agereg (Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Campo Grande), Paulo da Silva, informou que a Prefeitura exigirá um projeto para o transporte coletivo antes de autorizar a mudança no controle do consórcio. A administração municipal também pretende aproveitar a revisão obrigatória do contrato para discutir melhorias, como renovação da frota, reforma de terminais e ônibus com ar-condicionado.

O comunicado também traz explicações sobre a Maas Administração e Participações Ltda., empresa criada para conduzir a compra do Consórcio Guaicurus. O Campo Grande News mostrou nesta semana que a nova gestora foi aberta em 16 de julho, dois dias antes da assinatura do contrato de compra, com capital social de R$ 10 mil. Na ocasião, representantes da Prefeitura afirmaram que a empresa foi criada apenas para conduzir a operação e a garantia financeira do negócio é dada pelo Grupo HP.

'Como é usual em transações dessa natureza, a Maas Administração e Participações LTDA, sociedade de propósito específico – SPE, recentemente constituída e integralmente detida pela HP Investimentos, com capital social simbólico de R$ 10 mil neste momento, tem como objetivo, após a aprovação das autoridades competentes, ser o veículo societário do Grupo HP responsável por consolidar as participações das quatro empresas que compõem o Consórcio Guaicurus.'

O grupo também respondeu aos questionamentos sobre a capacidade financeira da empresa criada dois dias antes da assinatura do contrato. Segundo a nota, a HP Investimentos e Participações encerrou 2025 com capital social de R$ 478 milhões e patrimônio líquido positivo de R$ 561 milhões. A companhia afirma que esses recursos darão suporte à nova controladora.

Em outro trecho, a empresa informa que a Maas receberá novos aportes para executar a operação em Campo Grande.

'Será através da Maas que o Grupo HP designará executivos, consultores de engenharia, assessores jurídicos e financeiros e estrutura para iniciar o desenvolvimento do projeto de transformação do transporte público de Campo Grande. Assim como todas as demais empresas controladas pelo Grupo HP, a HP Investimentos realizará aumentos de capital na Maas, sempre que necessário, para garantir que a Maas tenha todos os meios e recursos para cumprir com o seu objetivo.'

A nota reforça que a compra ainda depende da aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), da anuência da Prefeitura, da conclusão das auditorias e da solução das questões relacionadas à intervenção municipal e às ações que envolvem a concessão do transporte coletivo. Enquanto essas etapas não forem concluídas, o Grupo HP afirma que o serviço continuará sob responsabilidade das atuais empresas.

'Enquanto tais condições não forem integralmente atendidas, permanecem inalteradas as estruturas operacionais, as obrigações contratuais, as responsabilidades regulatórias e a prestação dos serviços públicos atualmente desenvolvidos pelas sociedades e pelo Consórcio Guaicurus. Não há, portanto, qualquer descontinuidade ou alteração imediata na operação do transporte para a população', finaliza.



Ao utilizar nossos serviços, você aceita a política de monitoramento de cookies.
Para mais informações, consulte nossa política de cookies.