• Sábado, 25 de Julho de 2026

Homem é resgatado após 12 horas sendo torturado em "tribunal do crime"

Crime teria sido ordenado de dentro do presídio e cinco envolvidos foram presos

ANA PAULA CHUVA / CAMPO GRANDE NEWS


Envolvidos no crime foram presos em flagrante (Foto: TL Notícias)

Homem que não teve o nome divulgado foi resgatado por equipe da PM (Polícia Militar) após mais de 12 horas em cárcere privado sendo torturado em “tribunal do crime', na noite de sexta-feira (24), em Três Lagoas, distante 327 quilômetros de Campo Grande. Cinco suspeitos foram presos em flagrante.

Segundo a imprensa local, equipes da Rádio Patrulha e da Força Tática foram até o Condomínio Andorinha, Bairro Novo Oeste, após denúncia anônima de uma pessoa sendo mantida presa em um dos apartamentos. Os policiais fizeram a aproximação a pé para evitar que a vítima fosse morta.

Ao chegarem ao imóvel, perceberam que a porta de vidro do local estava entreaberta e visualizaram a vítima cercada por três homens. Ele estava com os punhos amarrados por cadarços e apresentava diversas lesões pelo corpo.

Próximo ao homem, os militares apreenderam uma faca tática com lâmina de 20 centímetros. Inicialmente, a vítima alegou aos policiais que o grupo apenas conversava sobre desentendimentos passados. Contudo, ao ser ouvida a sós, revelou que havia sido sequestrada por volta das 7h daquele dia assim que chegou de Água Clara.

Ele ainda relatou ter sido agredido com pauladas, ameaçado de morte e submetido a tortura psicológica, sendo levado entre apartamentos de dois condomínios (Andorinha e Tuiuiú). Os criminosos o acusavam de atuar como 'X-9' (informante) e de ter ligação com uma facção rival.

Os três suspeitos foram presos no local. Na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário), a vítima deu detalhes sobre a localização de outros envolvidos. Os policiais retornaram às diligências e prenderam mais dois envolvidos em outro imóvel.

Um dos presos cumpria pena com tornozeleira eletrônica e foi reconhecido pela vítima como um dos agressores diretos. O outro foi apontado como responsável por fazer ameaças usando uma arma de fogo durante o cativeiro. Um dos detidos na ação também estava evadido do sistema prisional.

Os cinco homens foram autuados em flagrante por sequestro, cárcere privado, tortura e integração ou associação a organização criminosa.

A Polícia Civil de Três Lagoas investiga o caso para identificar outros envolvidos e apurar a participação de presidiários do sistema penitenciário local que, segundo o depoimento da vítima, orientavam as ordens de execução por telefone durante o julgamento paralelo.

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