Coronel Sapucaia
Honestino leva às telonas histórias que a ditadura tentou apagar
Na pré-estreia em Bonito, ator e diretor dizem que filme alerta para que o passado não seja esquecido
CLAYTON NEVES / CAMPO GRANDE NEWS
Seguindo a linha de Ainda Estou aqui, que contou a história de Eunice Paiva, e de O Agente Secreto, o filme Honestino, que chega às telonas em agosto, já provoca uma reflexão que vai além da história de um dos principais líderes estudantis mortos pela ditadura militar. O longa-metragem foi exibido na noite deste sábado (25) em pré-estreia na 4ª edição do Festival Bonito CineSur.
Em conversa com jornalistas, o ator Bruno Gagliasso afirmou que a produção é um alerta para que o Brasil não permita que esse capítulo da história seja apagado e para que as novas gerações compreendam a importância da democracia.
'É a nossa história, a história do nosso país. É uma história que tentaram apagar e tentam até hoje. Essa história serve não só para contar um pouquinho da nossa memória, mas também para alertar a gente de que precisamos estar atentos', disse o ator, que interpreta Honestino Guimarães, estudante desaparecido político durante o regime militar.
Em conversa com jornalistas em Bonito, Gagliasso contou que dar vida ao personagem foi uma experiência transformadora e que ele espera alcançar quem assiste. 'Foi muito importante para mim e espero que seja importante para milhões de outros jovens. São eles que podem mudar o mundo. Honestino acreditava no país dele, na educação e na saúde. Mataram o corpo, mas não mataram o espírito', afirmou.
A mesma mensagem é compartilhada pelo diretor Aurélio Michiles, que define o longa como uma forma de iluminar um período ainda pouco compreendido da história brasileira. Segundo ele, os 21 anos de ditadura deixaram marcas profundas e ainda guardam muitas histórias escondidas.
'Esse período continua, em grande parte, dentro de uma caixa-preta. Honestino foi assassinado, mas seu corpo nunca foi encontrado. A história dele abre espaço para tantas outras que também ficaram esquecidas durante a ditadura', afirmou.
Na avaliação do cineasta, o lançamento do filme, que mistura ficção e documentário, acontece em um momento oportuno.
'O filme traz uma luz para que essa escuridão seja iluminada. Nos momentos de maior violência, o que resta para nós é sonhar com novas possibilidades. Honestino representa justamente essa juventude que teve a audácia e a irreverência de acreditar que poderia transformar o mundo', analisa.
Prestes a lançar o filme, que vai às telonas em agosto, o diretor evita pensar em premiações e diz que a simples realização da obra já representa sua maior conquista.
'No Brasil é muito difícil fazer cinema, especialmente um filme como esse, que desperta emoções e resgata uma memória que durante anos tentou ser sufocada. O primeiro prêmio foi conseguir realizar o filme. O segundo será ver o público ocupando as salas de cinema e reconhecendo ali parte da sua própria história', destacou.
Além de apresentar o longa ao público pela primeira vez, Bruno Gagliasso também destacou a importância do Bonito CineSur para fortalecer o cinema sul-americano com o intercâmbio entre artistas e a aproximação do público com a produção nacional.
'A gente precisa de festivais como esse. O cinema é de todo mundo, não é só de quem faz. É de quem assiste, de quem gosta de arte e cultura. Quanto mais a gente troca, mais o cinema cresce', finalizou.
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