• Terça, 28 de Julho de 2026

Pedido de ajuda ao 190 demora 15 minutos em caso de ameaça de morte

Advogada relata que acionou a polícia após ser informada da ameaça e cobra explicações da corporação

GUSTAVO BONOTTO / CAMPO GRANDE NEWS


Cidadã liga para o 190 no aparelho celular. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

Esperar cerca de 15 minutos para ser atendida pelo 190 durante uma situação de emergência levou a advogada Joyciane Maldonado a questionar a estrutura do serviço de atendimento da PM (Polícia Militar). O episódio relatado ao Campo Grande News ocorreu no último sábado (25), em Campo Grande, quando ela tentava pedir ajuda para um cliente que, segundo relato recebido pelo escritório, era perseguido.

Para a reportagem, Joyciane afirma que recebeu uma mensagem do cliente informando a ameaça. Em seguida, entrou em contato com a mãe dele, uma idosa de quase 90 anos, que já sabia da situação e estava desesperada. Sem conseguir outra forma de acionar a polícia, ligou para o 190. 'Quinze minutos representam uma eternidade quando alguém acredita que uma vida pode estar por um fio', afirmou.

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Ela faz questão de separar a demora do atendimento prestado pelo servidor que recebeu a ligação. 'Fui muito bem atendida quando finalmente a ligação foi completada. O profissional foi educado, ouviu atentamente, orientou corretamente e realizou o registro da ocorrência', disse.

A crítica, segundo Joyciane, é direcionada ao funcionamento do serviço. 'Minha reflexão não é dirigida ao servidor que atendeu a ligação. Ela se dirige ao sistema. Um sistema eficiente não se mede apenas pela qualidade do atendimento humano, mas também pela capacidade de responder no momento em que cada segundo faz diferença.'

A experiência levou a advogada a imaginar outras ocorrências em que o tempo de espera poderia comprometer o socorro. Ela cita casos de violência doméstica, assaltos, acidentes e outras situações em que a rapidez pode ser decisiva. 'Quem busca sobreviver não pode esperar como quem aguarda uma ligação comercial', afirmou.

Apesar da crítica, Joyciane diz não conhecer a realidade operacional do serviço. Ela afirma não saber quantas ligações eram recebidas naquele momento, quantos atendentes estavam de plantão ou se havia limitações estruturais. Ainda assim, considera que a demora precisa ser discutida. 'Questionar não significa desacreditar. Questionar é um exercício de cidadania.'

A advogada também afirma que o relato não tem o objetivo de desmerecer o trabalho da Polícia Militar, mas de provocar um debate sobre a capacidade de resposta do serviço de emergência. 'Espero sinceramente que minha experiência tenha sido uma exceção. Mas, se não for, talvez seja hora de transformarmos indignação em debate, debate em prioridade e prioridade em investimento.'

O outro lado - A reportagem entrou em contato com a PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul) para saber se a corporação consegue identificar a ocorrência, o que motivou a demora no atendimento, qual era a demanda de chamadas no horário e qual é o tempo médio de espera do serviço. Até a publicação desta matéria, não houve resposta. O espaço permanece aberto para manifestação.



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