• Sábado, 01 de Agosto de 2026

Ele comanda o Corinthians, mas só veste a camisa do Palmeiras: saiba quem é este presidente

Téo Freitas dirige com afinco equipe amadora de São José dos Campos que carrega o nome do Alvinegro, mas é um palmeirense fanático; conheça como ele lida com as duas paixões

GLOBOESPORTE.COM / DANILO SARDINHA E GUILHERME MACHADO


Téo Freitas, presidente do Corinthians FC, de São José dos Campos — Foto: Danilo Sardinha/ge

Téo Freitas é presidente há 30 anos de um time de futebol amador de São José dos Campos, no interior de São Paulo. Luta pelo sucesso da equipe com unhas e dentes. Porém, não peça para ele vestir a camisa do time. Ele não irá vesti-la de jeito nenhum.

Sim, a contradição é estranha. Mas há um motivo curioso que a justifique: Téo Freitas, de 58 anos, é palmeirense fanático. E o time que ele preside se chama Corinthians Futebol Clube do Jardim Paulista.

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Quem vê de longe o uniforme da equipe pode pensar que se trata da camisa do SC Corinthians Paulista. O escudo é praticamente o mesmo. A diferença está no nome escrito dentro do escudo. Por isso, Téo quer evitar confusão.

– Se eu pôr isso aqui (a camisa do Corinthians FC), o pessoal não me deixa mais entrar no estádio do Palmeiras – disse.

A rivalidade entre Corinthians e Palmeiras é tamanha que Téo não chama a equipe que preside pelo nome que está no escudo. Chama pelo apelido carinhoso que o time tem: Corinthinha. Durante toda a entrevista ao ge, o presidente se referiu à equipe somente desta forma.

Téo Freitas assiste aos jogos do Corinthinha todo fim de semana, mas não deixa de chamar atenção pela forma como vai vestido.

– Todo domingo vou assistir ao amador, que é muito forte aqui em São José dos Campos. Eu vou com a camisa do Palmeiras e os caras falam: "Nunca vi isso, um palmeirense ser presidente do Corinthinha" – contou.

Talvez você possa pensar que, por ser palmeirense, Téo Freitas não é um bom presidente para o Corinthians FC do Jardim Paulista. Ledo engano. Nesses 30 anos à frente da equipe, ele tem alguns títulos no currículo.

Esforça-se bastante para manter uma das equipes mais tradicionais do futebol amador de São José dos Campos, que já foi defendida até por atleta de Copa do Mundo (saiba mais abaixo). E, por mais contraditório que possa ser, ele é um palmeirense que diz amar o Corinthians... Futebol Clube do Jardim Paulista, que fique bem claro.

– A gente faz por amor (o trabalho para manter o Corinthinha). Quando eu era pequeno, ia ver o Corinthinha jogar, meus tios me levavam para ver o time jogar... A gente vai pegando amor – afirmou.

De um lado do coração, o Palmeiras

Téo Freitas nasceu em uma família de corintianos. Mas o sangue não pesou na escolha. A Academia comandada por Ademir da Guia encantou os olhos do garoto, que decidiu contrariar todos os familiares e foi vestir a camisa do Palmeiras.

– Vi ele (Ademir da Guia) jogar, o jeito que batia na bola, e decidi que seria palmeirense. Minha mãe falou que todo mundo era corintiano, mas ela não forçou. Então, andava o meu irmão com a camisa do Corinthians, e eu com a camisa do Palmeiras. Peguei uma paixão pelo Palmeiras por tudo. Cresci e vi que fiz a escolha certa. Coitado do lado deles, está sofrendo – diverte-se.

Com uma família recheada de corintianos, Téo sempre vive a rivalidade nos clássicos. Na Libertadores de 2000, por exemplo, Palmeiras e Corinthians se enfrentaram na semifinal. A decisão, que terminou com vitória palmeirense nos pênaltis, reuniu os familiares na casa de Téo. Levaram bandeiras do Corinthians na residência do palmeirense, mas quem sorriu por último foi Téo.

– Chutei mesa, chutei tudo lá em casa (na comemoração). Meu irmão foi embora e largou até meu sobrinho em casa. Eu tive que aguentar eles o jogo inteiro, né? (risos) Palmeiras só me deu alegrias. Neste ano, estou esperando o título da Libertadores e do Brasileiro – disse.

Do outro lado do coração, o Corinthians FC

O amor pelo Corinthinha também surgiu na infância. Natural de São José dos Campos, Téo frequentemente ia assistir aos jogos do futebol amador da cidade com os tios. E o Corinthians FC do Jardim Paulista já era uma das principais forças do município.

Téo queria ser igual Ademir da Guia, mas também se imaginava vestindo a camisa do time que ia sempre ao campo ver os jogos. E a imaginação se concretizou. As únicas vezes em que ele vestiu a camisa do Corinthinha foi quando atuava como atacante da equipe.

– A maioria dos boleiros bons de futebol da cidade saiu do Corinthinha. Então, acho que joguei um pouquinho (risos). Eu jogava de centroavante, de atacante. Fazia um gol... Por ano (risos). Estou brincando, fazia mais – disse.

Ao aposentar as chuteiras do amador, Téo também aposentou a camisa do Corinthinha. Nunca mais a vestiu. Mas, nem por isso, distanciou-se da equipe. O amor pela equipe o levou à presidência do time há 30 anos.

Téo destaca a dificuldade para manter um time amador em atividade. O Corinthians FC tem seis títulos do futebol amador de São José dos Campos, mas, mesmo sendo uma equipe tradicional, luta para conseguir seguir em atividade.

O presidente se esforça bastante e agradece ao apoio de parceiros para manter o time de pé. Por questão financeira, atualmente a equipe disputa apenas o campeonato de veteranos, já que os custos do amador tradicional estão altos. No torneio de veteranos, a equipe é atual campeã da cidade.

– Estamos correndo atrás (de mais um título de veteranos). Tem vários times bons, ex-jogadores profissionais reforçando as equipes. A gente monta o time para ser campeão. Não desrespeitando ninguém, mas montamos para ser campeão. Se deixar, a gente chega de novo – comentou.

Vila Corintians e atleta de Copa do Mundo

O Corinthians Futebol Clube do Jardim Paulista foi fundado em 1952, no bairro Jardim Paulista, na região central de São José dos Campos. Recebeu esse nome em homenagem ao Corinthians da capital paulista. Vários atletas que defenderam o São José Esporte Clube como profissionais saíram da equipe amadora.

Um deles foi o lateral-direito Fidélis, que atuou no Corinthinha. Depois, como profissional, defendeu o São José-SP, o Bangu e o Vasco. Foi convocado para a Copa do Mundo de 1966. Com o Vasco, foi campeão brasileiro em 1974.

A tradição do Corinthinha era tão grande que parte do bairro Jardim Paulista foi desmembrado em 1971 e recebeu o nome de Vila Corintians (sem o H mesmo, embora há também registros com o H). O estádio de São José dos Campos, o Martins Pereira, fica localizado na área da Vila Corintians.



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