• Quinta, 06 de Agosto de 2026

Cinco mulheres são mortas em oito dias; uma a cada 38 horas em MS

Crimes ocorreram em diferentes regiões do Estado; todas as vítimas foram assassinadas a facadas

BRUNA MARQUES / CAMPO GRANDE NEWS


Da esquerda para a direita: Ana Carolina Goes, Adrielle Encarnação Rodrigues e Nathália Rodrigues Nogueira, vítimas de feminicídio em Mato Grosso do Sul (Foto: Reprodução)

Ao menos uma mulher foi vítima de feminicídio a cada 38 horas em Mato Grosso do Sul. Entre 30 de julho e esta quinta-feira (6), cinco mulheres foram assassinadas em um intervalo de apenas oito dias. Todas foram mortas com facas e, na maioria dos casos, os suspeitos eram companheiros ou ex-companheiros das vítimas.

A sequência começou em Água Clara, com a morte de Ana Carolina Goes, de 45 anos, atacada em 30 de julho. No dia seguinte, Adrielle Encarnação Rodrigues, de 26 anos, foi morta em Corumbá.

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Em agosto, foram registrados os feminicídios de Rose Batista Cabreira, de 41 anos, em Dourados; Adriana Barrios, de 22 anos, em Paranhos; e Nathália Rodrigues Nogueira, de 26 anos, em Rio Verde de Mato Grosso.

Os crimes ocorreram entre uma quinta-feira e outra, alcançando municípios das regiões leste, oeste, norte e sul do Estado, além da faixa de fronteira e de comunidades indígenas.

Em quatro ocorrências, ao menos um suspeito foi preso. No caso mais recente, em Rio Verde de Mato Grosso, o homem apontado como autor fugiu de motocicleta e continua sendo procurado.

Com as novas mortes, Mato Grosso do Sul chegou a 20 feminicídios desde o início de 2026. O balanço considera os casos noticiados pelo Campo Grande News, pois os números disponíveis no sistema da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública) ainda não haviam sido atualizados.

Julho terminou com cinco vítimas - Somente em julho, cinco mulheres foram vítimas de feminicídio em Mato Grosso do Sul. O total supera os três casos registrados no mesmo período de 2025, conforme dados da Sejusp.

Agosto começou mantendo a sequência de violência. Nos primeiros seis dias do mês, três mulheres foram mortas em ocorrências investigadas como feminicídio.

O número já se iguala ao total registrado durante todo o mês de agosto do ano passado, quando também foram contabilizados três casos.

Somados, julho e os seis primeiros dias de agosto de 2026 registraram oito vítimas.

Sequências de feminicídios - O primeiro crime da sequência ocorreu em 30 de julho, em Água Clara. Ana Carolina Goes, de 45 anos, foi atacada pelo ex-namorado depois de uma discussão. Ela chegou a ser socorrida e transferida para um hospital em Três Lagoas, mas não resistiu.

O suspeito foi localizado pela polícia quando tentava deixar o município. Conforme a apuração do caso, ele não aceitava o fim do relacionamento e já teria ameaçado a vítima. Uma criança de 5 anos presenciou o crime e procurou ajuda.

No dia seguinte, Adrielle Encarnação Rodrigues, de 26 anos, foi morta dentro de uma residência no Bairro Centro América, em Corumbá.

O suspeito afirmou à polícia que havia mantido um relacionamento com a vítima e que os dois continuavam se encontrando ocasionalmente. Ele permaneceu no local depois do crime, recebeu atendimento médico e foi preso em flagrante.

O terceiro caso ocorreu no domingo (2), nas proximidades das aldeias Jaguapiru e Bororó, em Dourados. Rose Batista Cabreira, de 41 anos, foi encontrada morta em uma estrada vicinal.

Uma mulher foi presa em flagrante e confessou participação no crime. Segundo a investigação inicial, a vítima teria sido atraída até o local em uma emboscada motivada por vingança.

A Polícia Civil também investiga a participação do companheiro de Rose, suspeito de ter ajudado a levá-la até o ponto onde ocorreu o ataque.

Na madrugada desta quarta-feira (5), Adriana Barrios, de 22 anos, foi morta na Aldeia Arroyo Corá, em Paranhos. O companheiro da vítima foi preso e confessou o crime, segundo a investigação. Ele apresentou aos policiais uma versão relacionada a ciúmes e a uma suposta traição.

A polícia informou que não havia registros anteriores de violência doméstica envolvendo o casal.

O caso mais recente ocorreu durante a madrugada desta quinta-feira, em Rio Verde de Mato Grosso. Nathália Rodrigues Nogueira, de 26 anos, foi morta em frente à residência onde vivia, no Bairro Santa Inês.

Crianças estavam no imóvel e teriam presenciado o crime. O suspeito, companheiro da vítima, fugiu de motocicleta após o ataque.

De acordo com a polícia, o homem possui registro anterior relacionado à violência doméstica, feito em 2019. Ele continua sendo procurado.

Investigações - Apesar das diferenças nas circunstâncias e nas possíveis motivações, a maioria dos casos envolve algum tipo de vínculo afetivo ou pessoal entre as vítimas e os suspeitos identificados pelas investigações.

As ocorrências continuam sendo apuradas pela Polícia Civil do Estado. A classificação jurídica definitiva dependerá da conclusão dos inquéritos, da análise das circunstâncias de cada crime, dos vínculos entre vítimas e investigados e das motivações apontadas pelas autoridades.

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