• Sexta, 07 de Agosto de 2026

Amigos se despedem de Scalise e recordam criatividade sem limites

Arquiteto é velado em meio a quadros, música e histórias que ajudam a explicar por que virou referência

THAILLA TORRES E GENIFFER VALERIANO / CAMPO GRANDE NEWS


Amigos, familiares e admiradores se reúnem no Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo para a despedida de Luis Pedro Scalise. (Foto: Juliano Almeida)

Flores, quadros, o som do violino e do piano, além das canções 'Imagine', de John Lennon, e 'My Way', de Frank Sinatra, embalam a despedida de Luis Pedro Scalise no Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo, nesta sexta-feira (7).

Ao lado do caixão, uma manta florida criada pelo próprio arquiteto divide espaço com quadros de sua autoria, enquanto cadeiras acomodam amigos, colegas de profissão e admiradores que permanecem no local relembrando histórias, mais do que lamentando a despedida.

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Pouco antes, durante uma oração, o padre recorda a passagem bíblica 'Não perturbe o vosso coração', trecho em que Jesus consola os discípulos na Última Ceia, pouco antes de ser crucificado, diante da angústia e do medo do que estava por vir.

A família, bastante emocionada, preferiu não falar. Quem falou por eles foram os amigos.

Para o arquiteto Zeca Paniago, Scalise deixa uma ausência difícil de preencher. 'Era uma pessoa única. A irreverência, a criatividade, a ousadia, mas principalmente a bondade. Acho que o Luis sempre agregou a nós arquitetos e a todo mundo que o conhecia. Ele tinha um poder de encantamento incrível. Era uma referência.'

Os dois trabalharam juntos em Cuiabá (MT) e, mesmo sem conviverem diariamente nos últimos meses, Paniago diz que bastava lembrar da forma como Scalise encarava cada projeto.

'Ele chegava e dizia: 'Tem que ser dessa forma'. Era incrível porque tudo onde colocava a mão se transformava. A percepção que ele tinha de estética e composição era diferente. Se eu pudesse resumir em uma palavra, diria que ele era irreverente.'

A criatividade também aparece na memória do afilhado Felipe Todesco, mas misturada a outra característica que, segundo ele, talvez explique por que tanta gente compareceu ao velório.

Todo mundo conhece o artista pelas obras, mas quem convivia conhecia uma pessoa extremamente generosa. O Luis tinha um olhar diferente para a vida. Conseguia transformar formas e dias cinzentos em dias coloridos. A arte dele não estava só nos pincéis.

Felipe lembra que o padrinho fazia questão de estar presente na vida das pessoas, ligava em datas comemorativas, aparecia com presentes e celebrava as pequenas conquistas dos amigos. 'Ele era exagerado. Não só nas cores, mas principalmente na generosidade com quem estava ao redor.'

Mesmo em meio à tristeza, o clima do velório acabou sendo tomado por histórias. Entre uma lembrança e outra, os amigos sorriam ao recordar viagens, projetos e momentos vividos ao lado do arquiteto.

'Ele deixa um legado enorme e leva o nome de Mato Grosso do Sul para o Brasil e para o mundo como artista', resume o afilhado.

Amiga desde os tempos da faculdade, a empresária Selma Rodrigues, diz que reencontrar Scalise era sempre ouvir uma nova história. 'A gente podia ficar um ano sem se ver. Quando encontrava, ele já vinha contando das viagens, dos projetos, de Dubai... Era uma das pessoas mais criativas que conheci.'

Ela lembra que o arquiteto tinha a capacidade de transformar qualquer material em algo sofisticado, mas acredita que seu maior talento era outro.

'O que sempre achei mais bonito nele foi a generosidade criativa. Ele ensinava, explicava, mostrava como fazia. Nunca escondia conhecimento.'

Para Selma, talvez seja justamente por isso que cada pessoa que passou pelo velório parecia ter uma história diferente para contar. 'Ele tinha um humor refinado, uma alegria muito própria. Todo mundo guarda alguma lembrança dele', finaliza.

Scalise morreu nesta quinta-feira (6) e o velório segue nesta sexta-feira (07) até às 15h30. O sepultamento será em seguida no Cemitério Santo Antônio.



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