Esportes
Wagner Ribeiro revela segredos de negociações e critica empresários: "O mercado está promíscuo"
No futebol há quase três décadas, agente admite que utilizou a imprensa para valorizar jogadores e conta bastidores: "O Neymar chegou a ir para o Real Madrid três vezes"
GLOBOESPORTE.COM / BRUNO CASSUCCI, EMILIO BOTTA E LEONARDO LOURENçO
Os mais jovens talvez não se lembrem, mas houve um momento em que era praticamente impossível acompanhar o noticiário esportivo do Brasil sem se deparar com o nome de Wagner Ribeiro. Agente de alguns dos principais jogadores do país no início deste século, como Robinho, Kaká e depois Neymar, o empresário tinha presença frequente em programas de TV, rádios e manchetes de jornais.
O apelo midiático não apenas satisfazia o ego, como também ajudava nos negócios, já que a fama atraía novos clientes bons de bola. Mas havia outras formas de utilizar a imprensa, como o próprio Wagner Ribeiro admite:
– Se eu vazo aqui que o jogador tem interesse do Real Madrid, por exemplo, com certeza muitos da Europa vão vir atrás. Um jogador que o Real Madrid quer, todos querem. E outra, na hora de fazer a renovação do contrato aqui, os valores são outros – contou o empresário, em entrevista ao Abre Aspas.
Após uma condenação por sonegação e um processo de divórcio, Wagner perdeu clientes e protagonismo no mercado de agenciamento na última década. Hoje com 64 anos, trabalha principalmente com jovens jogadores, mas ainda guarda proximidade com Neymar e a família, a quem é só defesa e elogios.
Em mais de duas horas de entrevista ao ge, Wagner Ribeiro contou diversos bastidores do futebol: das disputas entre agentes às artimanhas utilizadas para driblar a lei. Também detalhou grandes negociações que conduziu e analisou as mudanças que presenciou em quase três décadas como empresário.
– Hoje o mercado está promíscuo.
Abre Aspas: Wagner Ribeiro
Você está neste mercado há quanto tempo? – Desde 1997. 29 anos.
E como iniciou? – Eu tinha um parente que estava em Jaú e era político. Ele ganhou a eleição e queria que tivesse o futebol, o XV de Jaú, e me chamou para ajudá-lo. Ele juntou um grupo de 20 empresários, cada um entrou com um valor para levantar o XV, para subir para a Série A1 do Paulista. Nós não subimos. Porém, como colocamos dinheiro, eu escolhi três jogadores e os levei para vários clubes. Por exemplo: o França eu trouxe para São Paulo. Ele foi o meu primeiro grande jogador. O outro era o Sandro, do Coritiba. E o outro era do Palmeiras, Auecione. Vocês não devem lembrar, mas ele usou o número 10 do Ademir da Guia, era meia esquerda. E aí comecei.
Até então você trabalhava em qual ramo? – Mercado financeiro, bolsa de valores.
Você lembra quanto investiu no XV? – R$ 20 mil. Éramos 30 pessoas que ajudamos o XV. Como o XV não subiu, nós resolvemos pegar jogadores. E eu adorava futebol, escolhi três.
Três jogadores por só R$ 20 mil? – Sim, e o resto você sabe a história, (o França) entrou na Copa São Paulo, fez gol de bicicleta.
Foi um investimento baixo pelo retorno que você teve depois. – Foi, realmente foi. E talvez isso tenha me motivado.
O mercado de agenciamento ainda engatinhava no Brasil. – Naquela época não existia (direito econômico), era uma pizza o jogador, cada um tinha um pedaço. Hoje só pode ter direito econômico o clube e o jogador de futebol, o empresário não pode, investidor não pode. Naquela época era livre. Nós pegamos o França, trouxemos para o São Paulo. Era eu e mais 29. Cada um ficou com um percentual do França. Conhecendo o futebol e gostando, eu fui comprando dos meus sócios (o percentual).
No começo o seu foco estava em ter parte do jogador, o passe. – Isso, que foi algo que acabou. Então, naquela época, o que valia era o todo. Você comprava o jogador e levava para o time. No caso nosso, o jogador era nosso, trouxemos para o São Paulo, ele fez a avaliação, passou, pegamos o documento mostrando que o XV tinha 50% e esses 50% eram divididos em 30 pessoas.
Você era do mercado financeiro e conta que entrou no XV de Jaú para ajudar um parente. Como é que você chegou ao São Paulo com o jogador? – Eu tinha contatos. O José Dias era diretor do São Paulo. Eu era torcedor do São Paulo e tinha ido para o Japão ver São Paulo x Milan. Fiquei amigo do presidente da época, o (José Eduardo Mesquita) Pimenta, diretores, (Fernando José) Casal de Rey, e quando tinha um jogador bom eu levava para São Paulo. Ele (França) passou. Quando ele passou, ficamos felizes e resolvi começar a trabalhar com futebol. Através do França, eu conheci o Kaká. O pai do Kaká gostaria de trabalhar comigo e me procurou, e aí começaram... Vieram Robinho e outros grandes nomes.
– Mas também existem muitos com quem trabalhei que não chegaram a ser protagonistas, que eram jogadores medianos. Vou dar um nome: Lulinha. Era um protagonista (da base) do Corinthians, foi campeão sul-americano no Chile pela seleção brasileira, todo mundo queria no time principal. Eu trouxe uma proposta do Tottenham na época, ele era menor (de idade), e até tive um problema com o Leão, porque dizia que ele estava muito verde. Eu disse ao Nézi Cury, que era o diretor da época: vamos vendê-lo. "Também não vamos".
– Aí eu fiz um contrato com ele, maravilhoso na época. Ele começou a ganhar R$ 120 mil. Para quem ganhava R$ 6 mil, era maravilhoso. Depois, chegou a R$ 280 mil. Ele foi emprestado para vários clubes e não virou aquilo que eu imaginava, porque ele marcou 297 gols na base, na seleção brasileira era o melhor. Eu levei para Portugal, para o Japão, mas ele nunca se firmou. Jogou na época em que o Corinthians estava caindo para a Série B. Acho que esse foi o motivo.
Um jogador como esse, mesmo com uma carreira de oscilações, ainda é possível lucrar? – Sim, claro. Na verdade, você investe o seu trabalho, o seu tempo, eu não invisto dinheiro, invisto conhecimento. Eu adoro futebol, queria ter sido jogador. Hoje eu tenho um filho que é jogador.
Essa sua descoberta de talentos você credita mais ao seu feeling ou a uma rede de apoio, de ter olheiros, parceiros... Como é a descoberta? – Com certeza à rede de apoio. Vocês devem conhecer o Betinho, de Santos, ele faleceu um ano e pouco atrás. Primeira vez que veio no escritório ele falou: "eu tenho um menino muito bom, quero que você trabalhe com ele. Chama-se Robinho". Eu falei: "poxa, eu vi jogar com um loirinho, era o Diego Ribas". O Robinho virou tudo aquilo, teve um problema com o empresário antigo. O cara fez o Robinho assinar um documento, ele dava a procuração a essa pessoa, era o Aloísio Guerreiro. E ao mesmo tempo o Robinho não sabia o que estava fazendo. Eu fui lá, resolvi.
– O próprio Betinho me procurou e falou: "olha, caíram três raios na Vila Belmiro. Primeiro, o Pelé. O segundo, eu te trouxe, o Robinho. E o terceiro está aqui". Estava lá um menino magrinho, pequenininho, chamado Neymar. Eu fui vê-lo jogar uma vez, falei para o pai dele: "vão matar esse moleque de tanto bater, ele é muito atrevido. Ele pega a bola e acha que ele é invisível, quer passar por cima de todo mundo". O pai dele falou: "quanto mais batem nele, mais ele joga". Em determinado dia, eu fui no programa da TV Gazeta, o Mesa Redonda e, como já tinha tido Kaká e Robinho, eles perguntaram: "qual o próximo?". Eu falei: "o próximo tem a dinâmica do Kaká, a definição do Ronaldo e o talento do Robinho". Aí eles brincaram: "então é Pelé". Eu falei: "não, um menino magrinho chamado Neymar".
– Enfim, eu dei muita sorte, é verdade, posso citar 15, 20 jogadores famosos. E os 200 e poucos que entraram no escritório e não foram famosos? O Lulinha foi um jogador que foi famoso, mas não chegou no ápice como esses citados. E teve tantos que deixei de trabalhar porque não dava para abraçar todos. O pai do Jô foi ao escritório e só faltou pedir pelo amor de Deus para ele trabalhar conosco. Nós achávamos que ele era bom. Mas tinha um menino no Corinthians que se chamava Elton. Era um anãozinho, tinha 1,56 m. Eu brincava com ele: o Jô deve a carreira dele a você, porque todos os gols que o Jô faz é através da assistência sua. Aí ele falou para mim: "mas o Jô vai ganhar mais dinheiro do que eu porque ele faz gol". Resumindo, não trabalhei com o Jô, trabalhei com o Elton. Depois ele foi para a Arábia e resolveu a vida financeira dele.
Você fala que o empresário não investe dinheiro, investe tempo. Mas hoje em dia ouvimos que sim, o agente está investindo muito dinheiro em compra de representação. Ao longo desses 29 anos, você percebeu muita mudança neste mercado? – Hoje o mercado está promíscuo. Como? Não gostaria de citar nomes, porque eu tenho amizades com todos, somos colegas, companheiros. Comigo eles respeitam. Até porque eu não quero tomar jogador de ninguém. Se chega um jogador que trabalha com outro agente, se me procurar, pai ou mãe, como já me procuraram, eu falo: você está saindo dele por quê? "Ah, porque não está me ajudando". Então traga o seu agente junto, eu faço uma parceria com ele e nós vamos juntos. É justo. Isso eu tenho com vários.
– Agora, eu já estou acompanhando de pessoas que pagam valores altos, um milhão, um milhão e meio, para comprar a procuração. Na verdade, você não compra a procuração, você compra a representação, para representar tal atleta. Isso é péssimo, porque eu acho que, na maioria das vezes, é uma ingratidão muito grande da família e do menino. O menino, coitado, não tem culpa, ele obedece aos pais. Mas o empresário vem e ajuda quando ele tem dez anos, paga ônibus, paga o lanche, ajuda a família. Muitas vezes dá chuteira, porque ainda não tem o patrocínio da marca. E chega um determinado momento, o garoto sobe, vem alguém e pá, (fala) para o pai: "te dou R$ 500 mil". O pai aceita e desliga de quem ajudou. Porque um garoto até 16 anos, ele não pode ser registrado, ele não é de ninguém. E o que você já gastou com o jogador lá atrás?
Em que momento você percebe uma virada? E quando esse mercado passa a ser promíscuo, como você diz? – Na época que eu iniciei existia o Juan Figer, um uruguaio que tinha um clube em Montevidéu e deixava lá o passe, o que seria hoje o direito econômico. Um exemplo: ele comprou o Lucas do Athletico por R$ 2 milhões. Vendeu por US$ 24 milhões a um clube francês. Como ele ganhou dinheiro? Ele comprou o jogador, levou para o Uruguai e vendeu para a França. Ele fez uma triangulação. Tem algo irregular? Não, não houve. Houve um bom negócio que ele fez, sorte dele.
– Antigamente, para você ser agente, não podia ser um "agente brasileiro". Tinha que ser agente Fifa. Fazia (um teste), como o Juan Figer fez, e até me levou para ser lá na Fifa. Eu tinha que fazer uma prova. Aí a Fifa delegou, e a CBF fazia também os testes, as provas. Eu fui ao Rio, fiz um questionário com 70 perguntas, tinha que acertar 50, sobre a Lei Pelé. Coisas que eram o dia a dia nosso, como é hoje. Eu não sou advogado, mas entendo tudo da lei trabalhista, como funciona o mercado, quando pode sair, quando não pode, quando é contrato de formação, profissional, contrato de imagem, essas coisas que a gente aprende com o tempo. E naquela época não tinha nada disso. Naquela época era o jogador e o empresário. O Figer dominava e, para mim, foi um professor.
Quero insistir no ponto da promiscuidade. Você diz que lá atrás isso não existia, essa concorrência entre agentes era mais civilizada? – Existia mais respeito. Hoje nós temos no Brasil quase dez mil agentes, empresários, procuradores. Na verdade, procurador é quem tem a procuração no cartório. O agente vai e faz esse teste que eu falei, a avaliação na CBF, mas que hoje não precisa. Basta você ter uma empresa, você credencia na CBF, e coloca debaixo dessa empresa várias pessoas que são seus funcionários. E elas viram o quê? Agentes dessa empresa. Então, está tudo modificado. Por que está promíscuo? Digamos que tenha um jogador no Palmeiras que seja o melhor jogador. O empresário dele é uma pessoa não conhecida de vocês. Aí você chega e fala: "eu quero comprar a sua representação". Quanto? "Te dou R$ 1 milhão". O cara acha ótimo. Vai vender correndo. Esse jogador já está vendido para algum na Europa. Quando eu digo promiscuidade é porque se esse (empresário) não vende, ele perde. Porque o jogador vai querer ir, os pais querem, independência econômica da família, jogar num clube da Europa, disputar uma Champions, uma Premier League. O cara vai correndo.
Mas essa promiscuidade é baseada em mentiras que são contadas? Ou em dinheiro? – Em pressão econômica. Porque o dinheiro... Imagina esses garotos que começaram do nada e se tornaram bons jogadores, têm um futuro brilhante e estão amarrados porque não conseguem deslanchar, falta alguém para empurrar. Eu tenho parceria na Europa com vários agentes. Tenho que ter. Porque é a forma de vender os jogadores melhores.
Em algum momento você já se sentiu ludibriado por algum desses parceiros? – Todos já foram. Já sentiram isso. Eu não quero citar nomes porque são agentes famosos de fora. Vamos lá, eu vou dar um nome: Pini Zahavi. Já ouviu falar? Com certeza. Não tenho nada contra. Ele é israelense. Porém, ele usa métodos que não são normais para poder tirar um jogador. Ele quis o Robinho de todas as formas, mandou gente aqui, foi na casa dele, ofereceu dinheiro, e o Robinho foi muito fiel a mim, tanto é que eu o tenho como filho. Quem mais sofreu os problemas do Robinho fui eu, porque eu o defendi publicamente, dizendo que não acreditava naquilo que estava sendo julgado e condenado. E aqui eu tive problemas sérios, grupos e milícias que me atacaram.
Voltando ao assunto, o Pini é um dos grandes empresários do planeta. Inclusive participou na transferência do Neymar para o PSG. – Veja bem, como existia um problema entre nós, se eu falasse que o Joãozinho aqui era bom de bola ele mandava vir atrás. Mas não vou... Isso não vale a pena. Quando o vejo, por ironia ele vem, me abraça, me beija, porque ele está sempre com o Neymar. Ele me vê, me abraça, me beija, como foi com todas as negociações, eu estava presente, porque o Neymar pai comigo sempre foi fiel. Nós somos parceiros, somos amigos.
Muita gente tem curiosidade de como o empresário ganha dinheiro no futebol. Há um modelo, um padrão de porcentagem que você recebe, por exemplo? Ganha comissão do que: de quem compra, de quem vende, do salário do jogador? – Quando eu comecei, o senhor Juan (Figer) ganhava 10% do salário de todos os jogadores. Quando vendia o jogador, ele ganhava 10% do clube vendedor, aqui no Brasil. E eu soube depois que ele também ganhava do comprador. Veja bem, eu aprendi isso com ele. A única coisa que eu não segui foram os 10% de comissão do salário, por que como eu ia cobrar o salário de alguém se ele trabalhou e eu fiquei sentado no escritório esperando as coisas acontecerem? Correndo atrás no computador, no telefone, mas isso aí é o trabalho dele, ele tinha que ser remunerado, não eu.
Você ganha e ganhava só dos clubes? – Só dos clubes. Porque os clubes pagam. Eu posso ganhar do clube sobre o salário do jogador. (Suponha que) O jogador vai ganhar R$ 100 mil por mês, R$ 1,2 milhão por ano. Eu falo: "tá bom, então eu quero R$ 120 mil reais. Você me paga?". Mas eu não pego do jogador. Eu não me sinto bem, é desconfortável. E sobre a venda lá fora, os clubes que procuram jogador do nível de Kaká, Robinho, Neymar, Lucas Moura e outros tantos, os clubes que nos procuram eles pagam. Só que hoje existe uma lei que eu não posso receber duas comissões. Digamos que eu vou vender o Joãozinho. O São Paulo paga a comissão, e o Real Madrid paga a comissão. O São Paulo pode pagar para mim, mas a comissão do Real Madrid não pode ser para a mesma pessoa que vende. Então aí você usa uma outra empresa, que é o parceiro da Europa. Paga um percentual (para o parceiro) e recebe. Que é, na verdade, uma coisa lícita, porém... Quer falar, poxa, então vocês estão enganando quem? A CBF? A Fifa? Eles é que colocaram.
É um mercado bastante lucrativo? – Não tenha dúvida. Tanto é que tem 10 mil registrados na CBF. Mais de 10 mil. Eu sou o número 18 da CBF. Não é que eu sou tão velho.
Se um jovem ou alguém de outra área te procura falando que tem interesse em entrar no mercado de agenciamento de jogador de futebol, o que você diz? – Muita gente me procura e já ganhou dinheiro através da minha empresa. Por exemplo, você não conhece o Caiuby, que eu trouxe da Ferroviária para o São Paulo. Vocês conhecem? Arranjei um investidor que pagou R$ 500 mil e eu o vendi por 4 milhões de euros. Quem ganhou essa diferença? O investidor. Eu ganhei comissão. Isso é fato. Francisco Alex. Eu trouxe do interior, foi para o São Paulo, jogou com o número 10. É a mesma coisa: arranjei investidor. E hoje acontece muito isso. O próprio Gabigol, que também trabalhou comigo... Trabalha, né? É a mesma coisa. Eu consegui o direito econômico. Quem mexeu com isso fui eu, no França, que é a pizza. Aí veio a Fifa e pá: não, empresário não pode (ter direito econômico).
Não pode mesmo? – É claro que isso aí se dá um jeito. Como se dá um jeito? Digamos que eu vou no Palmeiras e pego 30% do jogador A. Ele pode ter os 30%. O pai dele fala: "eu preciso de dinheiro, quero um carro, quero uma casa, um apartamento e eu tenho 30%". Eu falo: "quanto custa o seu apartamento?". Custa R$ 500 mil. Eu arranjo um investidor que pague os R$ 500 mil para o pai do menino. E ele vende esses 30% por R$ 500 mil. Mas como que ele vende se não pode? Os advogados fazem um contrato que ao receber (por uma eventual transferência) ele vai transferir o valor referente aos 30% da venda para o investidor.
Um contrato de mútuo. – Um contrato de mútuo, exatamente. A palavra é essa. Por quê? Se ele não fizer isso... Esse dinheiro vai entrar na conta do jogador, com certeza. Na mesma hora, se as coisas não estiverem boas no momento, ou seja, um acordo, vem um mandato de segurança e já bloqueia o dinheiro. Nunca aconteceu isso porque todo mundo sabe que o investidor ajudou quando ele não tinha nada e agora é justo o investidor ganhar.
– O Gabigol vendeu uma parte, o Lucas Moura não vendeu, o Kaká não vendeu, e o Neymar vendeu para o Grupo DIS. Vocês lembram dessa história? Eu que fiz essa intermediação. Ele vendeu os 40% que eu consegui no Santos por causa da minha ida a Madri com o Neymar. O Neymar chegou a ir para o Real Madrid três vezes. Quando ele tinha 13 anos, ficou 20 dias comigo em Madri. O Florentino (Pérez, presidente do Real) até brincava comigo: "você traz os meninos aqui e onde você os descobre?". Eu já tinha o Robinho lá, tanto é que o Real Madrid nos deu o melhor hotel, mas o Neymar queria ficar aonde? Na casa do Robinho, para jogar snooker, comer feijão com arroz, que era o que ele gostava. E o Robinho era o ídolo do Neymar. Para mim, aquilo era muito bom, porque é uma relação profissional que virou uma amizade muito íntima do Robinho com o Neymar. E eu conheci tudo isso, vivi. Tinha anos que eu ficava mais tempo fora do Brasil do que aqui.
O Grupo DIS foi uma empresa que investiu em direitos de jogadores, e na época pagaram R$ 5 milhões pelos 40%. – Mais 10% de comissão.
Anos depois, quando o Neymar se transferiu, virou uma confusão. Como foi isso? – Você sabe por que o Delcir Sonda entrou na Justiça? Porque ele achava que aquele dinheiro que a empresa do pai do Neymar recebeu, os 40 milhões de euros, porque ele deu prioridade de compra ao Barcelona... O Real Madrid também dava. Quem decidiu? Eu comprei uma briga com a cidade de Barcelona, com o Sandro Rossell (ex-presidente do Barça) e outros, porque eu queria levar o Neymar para o Real Madrid. Ele já tinha ido lá quando criança, apareceu o Neymar na mídia quando eu estava em Madrid...
Mas eu pergunto porque você mesmo falava que o bom negócio era investir e recuperar o dinheiro com uma venda no futuro. Neste caso, a DIS fez um investimento baixo e deveria receber muito dinheiro, mas deu confusão. Como você ficou entre o investidor e o pai do Neymar? – Ele investiu R$ 5 milhões, como você falou, mais R$ 500 mil de comissão. E recebeu 6,3 milhões de euros. Foi depositado na conta dele, mas ele queria receber sobre os 40 milhões de euros, o que não tinha motivo. E outra: quem devia para ele não era o Neymar, era o Santos. É aí que está. Eles falam que o Santos deveria ter pago sobre os 10 milhões, que eram referentes a dois amistosos (acertados com o Barcelona). Em um tomou de oito e não fez o segundo. Tinha mais 10 milhões, que era (referente) a prioridade de três jogadores, dentre eles dois meus, um deles era o Gabigol. Tanto é que quando eu vendi o Gabigol para a Inter de Milão, eu tive que pedir a liberação do Barcelona.
A DIS interpretava que esses valores, acertados entre Santos e Barcelona à parte da transferência do Neymar, eram uma manobra para não repassar totalmente o percentual que eles tinham direito. – Cada um defende (o seu). O Santos está errado? O Santos fez um negócio. O Neymar está errado? De jeito nenhum. Na realidade, eu tenho um filho que joga futebol. Eu vendo para quem eu quero. Ele só vai jogar. Lógico, tem um contrato, tem que cumprir. Se é pago a multa, a rescisão, acabou. Vai para onde ele quiser, para onde eu quiser.
Se o seu Delcir Sonda te perguntasse: Wagner, o que eu recebi foi justo ou injusto? O que você diria para ele? – Eu considero o Delcir como amigo. As pessoas trabalhavam com ele, inclusive hoje o Guilherme (Miranda) da Elenko, que é meu amigo, trabalhava com outras pessoas. Eu falo: tanto é que eles entraram na Justiça e não ganharam. Eles não iam pedir 40% sobre o valor que o Neymar recebeu, sobre os dois amistosos, sobre a prioridade. Aí você vai falar: "então foi feito uma manobra aí. Está errado". Depende de que ângulo você olhe, por que o clube não pode exigir isso? O que importa deveria estar escrito lá e não estava, que a DIS teria aquele percentual em cima do TMS. Você sabe o que é o TMS? É o termo de transferência. Se lá foi vendido por 80, então... Mas não, lá foi vendido por 18 e pouco, o que deu 6,3 milhões (para a DIS).
Então foi justo, ele recebeu o que deveria? – De acordo com o que estava no papel.
Na saída do Neymar do Santos para o Barcelona, o quanto você esteve envolvido naquela transferência? Porque havia um outro agente brasileiro trabalhando em favor do Barcelona, o André Cury. – Eu queria o Real Madrid, briguei com todo mundo. Vocês sabem tudo o que aconteceu da ida do Neymar para o Barcelona, tanto é que deu problema até para o presidente do Barcelona. Eu era uma pessoa que a imprensa de Barcelona não gostava. Eu me lembro que quando ele foi vendido (para o PSG) por 222 milhões de euros, nós pegamos um avião pessoal de um amigo do Neymar, que é o Marquinhos da Audio Mix, pegamos esse voo para o Porto, para ele fazer o exame médico. A hora que nós chegamos ao aeroporto de Barcelona tinham lá mais ou menos uns 150 cinegrafistas, repórteres, e foram em cima do Neymar. O Neymar passou, não respondeu nada. Foram em cima do pai do Neymar, também nada. Quem sobrou fui eu. E eles me juntaram, me perguntaram: "para onde vocês vão?". Eu já estava de saco cheio, falei: "olha, ele foi vendido por 222 milhões de euros". Pô, mas como assim? Só que o Barcelona não queria receber os 222 milhões. Esse é o problema. Então teve que ser depositado judicialmente. O Marcos Motta, que era o advogado, fez isso. Olha onde nós chegamos. Pegamos o voo, ele fez o exame normal. Voltou, depositou o cheque. Eu lembro do cheque que eu peguei na mão, do banco do Catar.
Em 2010, o Neymar recebeu uma proposta do Chelsea, mas o Santos não vendeu. No ano seguinte, o Neymar foi campeão da Libertadores, e o Real Madrid vem forte para comprá-lo. Como foi aquela negociação? O Barcelona se mantinha forte na disputa, até que chegou um momento em que parecia que estava tudo certo com o Real Madrid. – Estava. Tinha uma cláusula que faltava: o Santos dar o aval. Porque o pai do Neymar é um avião. Tudo certo com o Florentino, os advogados (do Real Madrid) ficavam em Moema...
Só pra saber: você negociava com o Real, quem negociava com o Barcelona? – O (André) Cury.
E vocês se falavam? – Não. Aí já é outro problema, não quero entrar em detalhes. O pai do Neymar decidia. Todos os jogadores do Barcelona ligaram para o Neymar convidando para jogar no Barcelona. Nenhum jogador do Real Madrid ligou para o Neymar. Só ligava o Florentino para o pai do Neymar e para mim. A imprensa de Madri e Barcelona parece inimiga, outro país. No final, eles aceitavam. Quando eu fui, no mesmo voo que o Neymar foi para Barcelona, na apresentação, inclusive com o Cury no avião em que havia 18 pessoas...
– Chegando lá, fui colocado como se fosse um intruso. Eu não participei da festa, de nada, fiquei no canto. E também não quis participar. A mãe do Neymar, o pai do Neymar, falavam: "vem aqui, fica aqui com a gente". Eu falava, não. E eu estava realmente... Queria até parar de trabalhar com futebol. Porque eu tinha um compromisso com o Real Madrid e o Florentino. Fiz de tudo. Agora, quem decide não é o empresário. É o jogador. E ele decidiu, o Neymar decidiu ir para o Barcelona, e o pai apoiou. Pode ser que o pai até quisesse que ele fosse para o Real Madrid, foi bem recebido, houve uns 20 dias de negociação, foi assinado um documento que só faltava o aval do Santos. E o Santos só dava o aval para quem o Neymar queria, óbvio. O Santos ia receber. E recebeu.
No final de 2011, pouco depois de o Neymar assinar uma renovação com o Santos, ele assina também um contrato de promessa de transferência para o Barcelona - o que a gente só descobre anos depois. Você negociava com o Real Madrid. Em que momento você descobre sobre esse acordo com o Barcelona? – Nunca houve segredo. Eu acompanhava tudo. Eu trazia proposta do Real Madrid para o pai do Neymar e o Santos. E o Neymar recebia também do Barcelona, do Bayern de Munique, do Chelsea. Os clubes do mundo todo queriam. O Real Madrid pagava qualquer valor. Isso foi tudo no e-mail. Os advogados do Real Madrid ficaram aqui. Em frente do meu escritório tem um flat, eles ficaram 15 dias lá.
Mas o Neymar viajou para o Mundial de 2011, quando possivelmente enfrentaria o Barcelona, já com um contrato assinado com o clube da Espanha. Você sabia disso? – Esse compromisso poderia ser rompido. Desde que os 10 milhões (de euros) que o pai dele recebeu fossem devolvidos. Então, é muito relativo isso. Ele não era jogador do Barcelona naquele momento. Ele tinha um documento de que poderia ser. Os valores foram pagos. E os valores poderiam ser devolvidos.
Mas você sabia disso, Wagner? Porque você seguiu trabalhando pelo Real. – Veja bem, eu poderia... O pai do Neymar sempre foi correto comigo. Não houve uma sacanagem. Eu queria o Real Madrid, claro que queria. Por tudo.
E quando você viu que tinha perdido a batalha? – Quando assinou esse documento. O Neymar pai. E aí, ele me convidou para ir a Barcelona. Eu fui no mesmo voo, após um jogo no Maracanã. Nós pegamos o voo ali do Galeão, um voo privado. Chegamos no aeroporto e tinha um milhão de pessoas. Fomos direto para aquela festa toda, apresentação no campo. E eu lá, com cara de tacho.
Teria sido melhor ir para o Real? – Ele jogou muita bola com Suárez, Messi, Xavi, Iniesta, a defesa que saía jogando... Lá só tinha craque. Ganhou tudo. Não tem arrependimento. Dinheiro também foi envolvido, ele ganhou muito dinheiro no Barcelona. Mas, um ano antes de ele ir para o PSG, eu tive uma reunião com o pai e com o Neymar em Ibiza. Levei o Nasser Al-Khelaifi, que era o dono, o presidente do PSG. Peguei um carro escondido de todo mundo. Nesse hotel ficamos umas três horas. Foi decidido o seguinte: o Nasser dava para ele um percentual de hotéis, um jato à disposição e um salário mais do dobro que ele ganhava no Barcelona. Ele ganhava 11 (milhões) de euros do Barcelona, o Nasser ofereceu 25. Nós pedimos 40. Quando o Neymar pai, que usou essa reunião – e eu deixei vazar também em Paris, pelo (jornal) L’Équipe – que o PSG pagava 25, o Barcelona cobriu. Deu 26. Um ano depois, ele foi ganhar 40 (milhões de euros) e pagaram 222 (milhões de euros na multa). Essa é a verdade. Dinheiro é tudo, não?
Nessa primeira transferência, mesmo trabalhando pelo Real Madrid, você recebeu comissão pelo negócio com o Barcelona por ser o agente? – Tudo era no fio do bigode entre o Neymar pai e eu. Não houve traição, tudo foi às claras. Eu frequentava a casa dele no Guarujá. O primeiro apartamento que ele comprou em Santos foi com o dinheiro que recebeu do Grupo DIS, a cobertura que ele tem no Canal 5. A história foi bonita, virou esse mito. Hoje o Neymar não é só um jogador de futebol, ele é uma celebridade mundial. Eu fui com ele em vários países desse mundo todo. Aonde a gente ia, parecia que era o rei do local.
Você mencionou que a ida para o Barcelona foi um desejo pessoal do Neymar, apoiado pelo pai dele. Na saída do Barcelona para o PSG foi a mesma coisa? Ou foi um movimento pensado do pai dele, de convencer o filho a jogar em outro mercado e talvez ser protagonista? – O pai não faria a venda dele para o PSG se ele não quisesse. Então, foi tudo pensado. Ele queria novos ares e tinha a promessa que o PSG ia montar um grande time, como montou. Ganhou dinheiro, muito mais dinheiro do que ganhava. Chegamos lá, eu nunca tinha visto, na Torre Eiffel (estava) o nome do Neymar. Você se lembra de alguém que pôs o nome na Torre Eiffel? Eu estava lá, eu vi.
Você acha que essas transferências foram feitas da forma correta? – O Neymar queria sair pela porta da frente. Ele saiu, porque não saiu rompendo o contrato. Foi pago um valor máximo. Até hoje, ninguém passou desse valor. Então, não houve irregularidade. Eu acho que, na época, o presidente do Barcelona deveria ter sentado e feito um jogo de despedida, alguma coisa assim. Ele foi campeão de tudo, era ídolo tanto quanto o Messi, Xavi, Iniesta. Como não foi feito isso, eu acho que faltou um pouco para ele sair feliz.
Você trabalhou com o Neymar desde a adolescência. Qual foi a sua participação e como é hoje? Você ainda é um conselheiro de alguma forma, está próximo da família? – Quando eu conheci o Juninho, ele tinha 12 anos. Foi quando eu liguei para o Florentino (Pérez, presidente do Real Madrid), porque eu já tinha o Robinho lá. Disse a ele que tinha um jogador aqui que era fantástico. Ele mandou passagem aérea para mim, para o jogador, para o pai, hotel e refeições pagas. Fomos todos. Eu não fui passear, fui trabalhar. Tinha uma planilha na época com os profissionais do Real Madrid, que eles davam um tique lá. Intensidade: 10. Cabeceio? 10. Perna direita? 10. Perna esquerda? 10. Ou seja, ele foi aprovado em tudo. E fizemos um contrato. Ele foi registrado na Federação Espanhola. Eu fiz esse contrato. Ele ia ganhar dez mil euros por mês, um milhão de euros de luvas, escola, carro e emprego para o pai. Marcelo Teixeira (presidente do Santos) me liga: "Você já assinou alguma coisa aí?". Eu falei não.
O Marcelo sabia que você tinha viajado? – Sim, porque ouviu uma entrevista minha para a Band, que ele (Neymar) tinha ido fazer uma avaliação, e nós estávamos felizes no camarote do presidente e tudo. E viemos para cá (para o Brasil). O Marcelo Teixeira me chama e fala: "vamos fazer um contrato diferente". Eu falei: "você dá dez mil euros de salário?". Ele falou: "dou". Um milhão de luvas? Dou, mas eu quero dividir em dez vezes. Aí que está o grande passo: "eu quero 40% de direitos econômicos". Quando houve isso, ele chamou os advogados e deram. O Santos pagou tudo isso para ele ficar. O que aconteceu? Ele foi crescendo, crescendo, teve um momento que o salário dele era R$ 200 mil e ele devolvia para o Santos R$ 1,5 milhão com publicidade. Ou seja, o que ele ganhava de publicidade, pagava o salário e ainda sobrava muito, pagava meio time. E aí, toda vez que ia negociar, o pai dele pegava (percentual) da imagem.
Muita gente comenta que faltou assessoramento ao Neymar, faltou mais orientação na condução da carreira dele. Como foi o seu papel nisso? Você se limitou a essa parte de transação, de mercado, ou até pela proximidade que você tinha com a família você tentou aconselhar de outras formas? – Falando de economia, o pai dele é um avião. O pai dele multiplicou muitas vezes o dinheiro dele, o dinheiro do filho, o dinheiro que entrou nas empresas. O pai dele foi um gênio. Quem cuidava disso não era eu. Nunca cuidei do dinheiro do pai dele. Eu cuidava de quê? De transações. Eu levava também algumas publicidades, que eram pequenas na época. Da vida dele, do Neymar, quando ele foi pai, por exemplo, muito jovem... tudo isso abalou a família, mas ele sempre foi muito correto, o jogador e a família. Os pais sempre tiveram a cabeça boa.
Você participou de alguma forma da ida dele para o futebol da Arábia Saudita? – Não. Quem fez essa transação foi o Pini, com o Ney. Eu fiquei sabendo, o Ney sempre falava comigo, mas eu não participei de nada e apenas achei que naquele momento ele estava indo para ganhar dinheiro realmente. Ninguém tem dúvidas.
Quando foi a última vez que você teve papel numa negociação do Neymar? Qual foi a última vez que você teve alguma procuração, alguma coisa de fato? – Eu vou te falar uma coisa que eu acho que... Nunca. Nunca fiz um documento de representação, nada. Mas eu sempre fui agente dele, desde o início. Porque, primeira coisa, eu penso assim: "se não vale nada, por que eu vou ter?". Até os 16 anos, (o documento) não vale nada. Quando o Neymar tinha 16, ele já era tudo aquilo, estava no profissional. Depois também era só no fio do bigode, ele não saía daqui do meu escritório.
Mas sempre te pagou? – Ele me trouxe muitas coisas através dele. Na verdade, é o que eu fui. Eu sempre fui amigo da família, e para mim o que valia era isso.
O que faltou para o Neymar ganhar a Bola de Ouro? – Política. Vou te dizer da mesma coisa. Por que o Vinicius Junior não ganhou a bola de prata do ano passado? Ele merecia. Existe preconceito. O Neymar era um jogador. Uma coisa eu tenho certeza, se o Neymar jogasse para o Real Madrid ele teria ganho. Eu não tenho dúvida.
Mas o Messi ganhou um monte jogando no Barcelona... – Mas o Messi ganhou, tudo bem, começou lá, ganhou. Mas o Neymar tinha tudo para ganhar e não ganhou porque tinha o Messi também. E eles queriam que o Messi continuasse ganhando. Era bom para o Barcelona, era bom para a Europa. E o Neymar ia embora logo como foi. Se ele tivesse ido para o Real Madrid, teria ganho. Não tenho dúvida.
O Real Madrid é mais forte no bastidor? – Não tenho dúvida. Bem mais forte. Madri é a capital, né?
Mas houve algum momento em que o Neymar mereceu ganhar e não ganhou? – Sim, claro. Esse time mágico do Barcelona. Poxa vida, eu o vejo fazendo aquelas coisas maravilhosas no futebol, marcando gols de todo jeito. Quando ele ganhou o prêmio Puskas, lembra? Aquele dia eu achava que ele iria ganhar, porque tinha feito uma Champions maravilhosa, uma Liga, e não ganhou. Pegou o gol, o gol dele. Ele fez muitos gols por isso, não foi só aquele.
Você acha que a carreira dele ficou aquém da expectativa de quando você conheceu aquele garotinho de 13 anos ou depois quando ele se transferiu para o Barcelona? – Eu vou te responder fazendo perguntas. O Neymar é conhecido mundialmente? Sim. O Neymar ganhou muito dinheiro no futebol? Sim. O Neymar marcou muitos gols lindos, maravilhosos, que se repetem toda hora? Sim. O Neymar foi campeão olímpico pelo Brasil, que nunca tinha ganho uma medalha de ouro no futebol? Sim. O Neymar fez o Santos ser mais conhecido depois do Pelé e ganhou muitos títulos aí, ganhou a Libertadores? Sim. Ele foi para o PSG? Como eu já falei há pouco, o nome dele na Torre Eiffel. Disputou o final de Champions, não ganhou, mas chegou na final. Acho que ele realizou tudo. Qualquer jogador queria isso, acho que foi o pai dele e ele fez tudo certo.
O que você vê agora do momento do Neymar e o que você pensa que seria o ideal para o futuro, esse fim de carreira dele? – O Neymar teve muitas lesões, né? Agora na Copa tentou de todas as formas. Ele não foi para o Carnaval, a esposa foi com a família, e ele ficou em casa se tratando. Para quê? Para ser convocado. Então ele tentou de todas as formas, o sonho dele era ganhar uma Copa. Como ele mesmo disse, foi a última. O Santos é um time que... Falta alguma coisa. Talvez a própria base seja a resposta. Subir mais jogadores. Acho que o sonho dele de terminar no Santos é uma coisa que tem que repensar, até porque ele tem propostas de fora, com certeza. Não tenho dúvidas. E o pai dele e ele vão ver o que eles querem. Como eu falei há pouco, o problema não é dinheiro. Hoje não é dinheiro mais que se discute. Discute o clube e como que eles querem. Eu acho que o Neymar tem futebol ainda, se cuidando, para no mínimo mais dois anos.
Você acha que ele ainda quer jogar tanto tempo? – Com certeza vai ter convite dos Estados Unidos, na MLS. Ele tem muitos amigos. E acho que talvez até aqui no Brasil, vai para outro clube. Mas estou achando, porque acredito que com certeza joga em alto nível mais de dois anos.
Você acha que ele não tem conseguido mais se blindar do que acontece fora de campo? Isso traz algum tipo de irritação para ele? – Tudo que ele faz fora de campo, não é nada. Ele está sentado jogando um baralho. O Calleri estava também jogando. Por que explodiu que o Neymar estava no pôquer e não o Calleri, que é um grande jogador e joga em time grande? Porque o Neymar, tudo nele repercute muito grande. É um absurdo. E a dimensão que tem isso, engajamento, eu vejo aí onde que ele está, tem fila de pessoas, de crianças querendo autógrafo, foto. É aquilo que eu falei, ele realizou tudo.
Vê a família Neymar com a potencial compradora dos Santos? – Eu perguntei para o Neymar pai, um tempo atrás, se ele compraria o Santos, porque ele é santista, ama o Santos. Ele falou: "muita dor de cabeça, não sei se vale a pena. Muita dor de cabeça". O menino está lá, você vê aí o que falam dele, o que fazem. E ele está jogando bola. Imagina se o Neymar pai for... Primeiro, tem que ter uma equipe boa de estrutura, de executivos, técnicos, diretores. E o pai está acostumado com o jogador, com a estrutura do clube. Então, eu acho difícil o Ney entrar nessa de SAF.
De todas as negociações, qual foi a que você mais se orgulha? – Do Gabriel, o pessoal fala que ele não jogou na Inter de Milão. Foi para Portugal e jogou pouco. Quando ele chegou à Inter de Milão, enfrentou os argentinos que não deram chance. Então ele foi infeliz, eu fiquei frustrado. Mas ele voltou para Santos, foi campeão, jogou bem, artilheiro, depois foi para o Flamengo, fez uma história maravilhosa. O Kaká, ao chegar no Milan, não queriam. Na verdade, eles iam levar o Kaká para o Brescia. Nós exigimos que ele ficasse. O técnico era o Ancelotti. E o Kaká atropelou todo mundo.
– O Robinho foi uma situação diferente. Porque ele teve esses problemas de ordem familiar (sequestro da mãe). Foi muito difícil essa negociação. Ele morrendo de medo de sair na rua em Santos. O pai dele não queria sair de casa. Depois, na volta da Copa das Confederações, que ele foi para o Real Madrid, tive que tomar umas atitudes fora do normal. Sequestrar um jogador, entre aspas, por ele levar e esconder em algum lugar, era a única forma que eu tinha para falar para o presidente. Ele não quer ficar aqui no Brasil. Ele quer ir pro Real Madrid. Então, paga a multa. Mas ele tem um percentual. Não, não vou pagar o percentual. Ele tem que abrir mão, paga os 30 milhões. Pagou 30 milhões e foi levado para o Real Madrid.
– O Lucas Moura estava acertado com o Manchester United. Acertado. Então, me liga o Leonardo. Como é que está a situação do Lucas? Já assinou? Falei: "não, mas estou voando essa semana". Quanto que estão pagando? Falei: "35 milhões de euros". Ele falou: "pago 45 euros". Tive que ir a Manchester dar uma desculpa qualquer. Fizeram o exame médico dele na Seleção. Assinamos um contrato e todo mundo achando que ele ia para o Manchester, mas já estava acertado com o PSG. Essa foi complicada, porque eu fiquei... Eles me chamaram de moleque e irresponsável, o pessoal do Manchester, os jornais. Eu tenho que ver o que é melhor para o cliente, né? E eu tentei, fiz o melhor.
Teve uma época que você era o agente das estrelas, aparecia na televisão o tempo todo. Você conseguiu surfar essa onda para trazer novos atletas, fazer mais negócios? – Fiz muitos negócios naquela época. Por exemplo, o Ilsinho. Eu o trouxe do Palmeiras, pulou o muro para o São Paulo, vendi para o Shakhtar. Hoje eu tenho muitos garotos de 12, 13, 15 anos, que são os novos, do futuro. Os clubes europeus hoje compram jogadores jovens. Quem vendeu o Vinícius para o Real Madrid? O Vinícius nunca foi meu jogador. Quem levou o pessoal da Traffic para falar com o Florentino? Fui eu que levei para falar com o Vinicius. Mas não ganhei um centavo. Mas eu fiz isso por quê? Porque eu falava que o Vinicius Júnior era o cara, e era.
Tem gente que defende scout talvez tenha tirado um pouco daquela velha maneira de você descobrir o jogador, de olhar, observar o cara dentro do campo jogando... – Eles erram pouco, né? Hoje o que se fala muito no futebol é intensidade. O que é intensidade? Você vê um jogo do PSG, do Arsenal. Aquela rapidez, está 3 a 2, faltam cinco minutos, os caras viram, 4 a 3. É diferente. Antigamente, aqui no Brasil, era o cara que era bom de bola, aquele que dominava bonito, que lançava, mas jogava parado. Jogador que não corre, eles não têm interesse. Não tenho dúvida, os scouts são muito importantes para os times.
Você falou de hoje estar com mais jovens jogadores. Essa foi uma mudança forçada que você teve que fazer ou foi uma estratégia mesmo de começar a priorizar garotos? – Hoje eu estou muito procurado pelos meninos que estão começando. Meninos que tem dez anos, 11 anos que são estrelas. Tem menino aqui no São Paulo, no Palmeiras, no Corinthians, no Santos que ganha R$ 15 mil, R$ 20 mil por mês. Ganha mais do que o pai. Por quê? Porque isso aí é o futuro. Se não apostarem nesses meninos, vão apostar em quem? Eles são o futuro.
Você direcionou seus esforços para a base? – É uma coisa natural, porque eu sou procurado por pais de jogadores novos que querem que eu ajude. Eu levo aos clubes, apresento. Como eu disse agora há pouco, contrato não vale nada nessa idade. Mas eu tenho ali a confiança dos pais. E depois, chegar no momento certo, eu vou levá-los ao apresentado lá fora.
É possível ser jogador sem ter um agente no futebol? – É impossível. Não tem quem não tenha. O pai do Kaká, o Bosco, ficava comigo. Foram os primeiros. O pai do Robinho eu pedi para não trabalhar mais na parte de esgoto, em Santos, para cuidar mais da família. E veio o sequestro da mãe do Robinho, que eu participei. Como eu participei? Porque os caras ligavam para mim, meu telefone era grampeado pela polícia, e eles ligavam porque a mãe do Robinho só tinha um telefone no papelzinho dela, o meu, que ela ligava. Esse cara querendo mandar pedaço da orelha dela, mandava: "vai em tal lugar, tem uma foto com a metralhadora no ouvido da mãe do Robinho". Triste demais. Depois veio o pai do Neymar, também ficou comigo, ele morava praticamente aqui em São Paulo comigo. E outros que apareceram. Mas o pai é coração. O pai muitas vezes não aceita algumas coisas. Se você falar que um jogador é mercenário para o pai, vai criar um mal-estar, no mínimo. Comigo não. Fala que o jogador é mercenário, eu entendo que ele está falando que o cara gosta de dinheiro e precisa de dinheiro. Eu vou levar por esse lado. Porque eu sou profissional.
Como você capta novos jogadores? – Nós temos o pessoal que traz. Eu conheço muita gente. A minha vida é futebol. Eu vejo futebol. Hoje, no YouTube, eu vejo o jogo da sub-13 ao vivo.
Você ainda tem gana para sentar e assistir um jogo do sub-13 e garimpar jogador? – Normalmente eu vejo, porque já tem alguém nosso que trabalha, eu fico vendo o número 4, o número 5, entendeu? E hoje eu tenho um filho que também joga, que é a minha vida.
Você está com quantos jogadores hoje? – Tem bastante meninos aí, novinhos. Não tem assim. Trabalho muito, porque primeiro, esses jogadores não podem nem assinar. Eu levo para avaliar, são aprovados e continuo falando com a família e cuidando deles.
Você tem algum jogador que você olha e fala: "esse vai vingar"? – Com certeza. Mas também, se eu falar um, vou ser injusto com todos, com muitos, porque são muitos. No Flamengo, no Vasco, Cruzeiro, Atlético-MG, aqui em São Paulo, no Santos. Tem um goleiro do Santos que é bom [filho de Wagner]. Fazer minha política aqui (risos).
Muitos torcedores gostam de dizer que determinado atleta só joga por que tem esquema do empresário com o treinador, com diretor. Isso existe ou é lenda? – Já existiu. Hoje não mais. Até porque o técnico que ele põe o jogador, que é do empresário dele, de um amigo dele, um afiliado dele, ele coloca o emprego dele em jogo. A bola não mente. Se o menino não é bom, ele perde o emprego. Mas já existiu, em clubes grandes.
Já recebeu algum tipo de oferta dessa? – Tem que procurar o pessoal do clube, não a mim. Porque o emprego quem dá é o clube. Eu apenas indico pra fazer uma avaliação. Se o jogador não passa, não é culpa minha. Se ele passa, aí muda tudo.
No imaginário popular também se fala da Seleção, de empresário que influencia. – Eu acho injusto. Porque quem está lá são os melhores. Eu não levaria o Casemiro, eu não levaria o Danilo, do Flamengo. Mas a maioria dos 26, você levaria no mínimo 20. Qualquer um que levaria 20. Hoje somos inferiores, temos que reconhecer. Têm times muito melhores.
Mas dá para o empresário fazer uma pressão para que o jogador dele seja convocado? – Já houve, hoje não tem mais isso. Lá estão os melhores. Como eu falei, de 26, 20 você levaria.
Por ser muito midiático nos anos 2000 e 2010, você era reconhecido pelos torcedores e chegou até a ser alvo de protestos. Lembro que ganhou o apelido "Wagner Dinheiro". Como lidava com isso? – E tem uma outra também, que me trouxe problemas. Na época que o Neymar teve aquele problema com a Receita Federal, bloquearam 180 milhões dele, das empresas, a Receita também foi fazer uma visita. E eu fui também, entraram com tudo, tive problemas, até hoje tenho. Aquelas coisas incomodam. Mas eu não sou... Se trabalhei de uma forma errada, se eu não paguei o imposto, não foi porque eu não quis, houve realmente um erro. Você pega, recebe na jurídica e usa na física. Me pegaram aí, mas os advogados resolveram e estou pagando.
Teve algum episódio mais difícil que você vivenciou? – No jogo Corinthians x Santos, no Pacaembu, eu estava descendo do carro, paramos com o pai do Neymar, os amigos. E a torcida do Santos, na época, na véspera da negociação, me xingando. A torcida do Santos ia para atrás do gol, no famoso Tobogã. E eu estava entrando para a numerada. Meu amigo, naquele dia, fiquei com medo, porque era muita gente. E xingando mesmo, ofendendo de tudo que é nome de ladrão, corno.
Mas você já recebeu algum tipo de ameaça, ligações? – Já, muitas ameaças. Eu tenho uma filha, falaram que iam pegar o extintor de incêndio no shopping e quebrar na cabeça dela. Escreveu isso. Talvez é só para ameaçar. E o que eu fiz de errado? Nunca roubei jogador de ninguém, sempre fiz um negócio do bolso, clubes pedem para a gente vender jogador. E hoje, então, pelo amor de Deus. Hoje, então, do jeito que eles estão aqui, querem vender jogador para pagar o transfer ban. É um absurdo aquilo que eu falei. Não usam a base, que tem como suprir. Você lembra dos Menudos do Morumbi? Que beleza, não tinha dinheiro. Ou Santos, por que Robinho e Diego subiram? Não tinha dinheiro. Pô, será que ninguém enxerga isso?
Tem casos que o clube está pedindo para você vender o jogador e aí depois você que fica com a fama de que forçou a negociação, é isso? – Normal. Normal. Você vai imaginar que os jogadores... Hoje é tudo globalizado, o jogo aqui é visto lá, como nós vimos aqui a Champions, a Premier League, a gente vê tudo aqui, eles também veem a gente.
Você já plantou informações que não foram necessariamente verdadeiras para tentar valorizar uma negociação em algum jogador? – Já. Não vou mentir. Eu falava que tal clube queria o jogador. Eu ligava para o clube oferecendo o jogador. Ah, vamos ver aqui, me mandava material, não sei o que, para oferecer. E eu vazava aqui para que ele... Se eu vazo aqui que ele tem interesse do Real Madrid, por exemplo, com certeza muitos da Europa vão vir atrás. Um jogador que o Real Madrid quer, todos querem. E outra, na hora de fazer a renovação do contrato aqui, os valores são outros. Se o Real Madrid quer um jogador, que estou falando que ele quer, e ele aqui no clube não tá com muita moral, agora vai ter moral. Ele cresce. É uma estratégia.
Você acha que é uma estratégia válida? – Faz parte do mercado, faz parte do futebol. O que é um jogador que é muito bom, agora há pouco eu falei, não tem nada contra esse jogador, contra a pessoa. Eu não levaria o Casemiro e o Danilo do Flamengo pra Seleção. Você pode dizer, mas eles são bons. O Casemiro ganhou cinco Champions. Eu falo para você, ele não dá um drible. Ele não faz uma jogada de efeito. O negócio dele é marcar, tomar, usar o braço. Tudo bem, precisa. Então é relativo. O que é bom para você, o que não é bom para mim, pode ser pra você. Bom jogador.
Você tinha jornalistas de confiança? – Tinha muitos amigos da imprensa. Tinha mesmo.
Alguns desses sabiam que você estava os usando? Suspeitavam, ou eles acreditavam sempre quando... – As rádios, principalmente, na época eram jornais, jornal de esportes e rádio. E a gente colocava as coisas que realmente aconteciam. Porém, como disse uma vez, que perguntaram qual era o próximo a estourar, que falei que tinha que ser as características do Kaká, do Robinho, do Ronaldo, e o cara brincou que era Pelé. Poxa, eu falei Neymar. Deu certo, não deu? Não é tudo isso mesmo que eu falei? Então, isso aí me deu credibilidade. Se eu falar que o meu filho joga muito bem, vão acreditar que ele joga, porque, poxa, eu já trabalhei com tantos bons jogadores, só que eles falam de 10, 15, não falam dos 200 e poucos que não viraram. Eu vou valorizar todos, principalmente aqueles que me deram essa moral.
Quero tirar uma dúvida sobre o Endrick. Eu já vi você falar como se tivesse uma relação com ele, mas também já vi o Endrick falar que você não era o empresário dele, tentando afastar isso. O que aconteceu? – O Endrick tinha um empresário, que era o Paulo Roca, um espanhol, e o pai dele me procurou, querendo trabalhar comigo. Naquela época, nós tínhamos uma relação boa e eu o levei para a TFM. E depois ele acertou o contrato e nós acertamos, e ele ficou trabalhando com a TFM e com a Roc Nation. Mas me dou muito bem com ele, com a família dele. Eu gosto e torço por ele.
E por que você não trabalhou diretamente com ele? – Eu estava com uns problemas pessoais, como vocês já falaram agora há pouco. Eu também estava numa separação. Eu tive uns problemas também fora de campo.
Mas mantém alguma relação com a família, com ele? – Sim, com a mãe dele. A mãe dele me ligou agora na Copa. O problema, queria uma camiseta, duas camisetas dele autografadas para dar para alguém que era um leilão beneficente. Você não consegue falar com o filho? Coisa de futebol.
Um de seus clientes mais famosos foi o Robinho. Queria que contasse bastidores da venda para o Real Madrid. – Eu estava em Madri, recebi um telefonema que a mãe dele estava sequestrada. Parei o negócio com o Real Madrid, foi em 2004, se não me engano. Cheguei e falei para o Marcelo Teixeira: "não dá para ele ficar aqui, com medo de sair na rua". O Marcelo disse: "vamos botar dois seguranças, o Santos paga". Tudo bem, então ele vai ficar para disputar a Libertadores. Em julho, ele vai embora. O Marcelo me prometeu. Ok, chegou em julho, ele estava na Alemanha, na Copa das Confederações, o Brasil foi campeão. Na hora que ele parou em Guarulhos, eu mandei um helicóptero. A imprensa deu que eu sequestrei o Robinho. Nada disso. O Santos queria levá-lo para a Vila para treinar e jogar. E eu falei: "nós vamos falar que não queremos mais jogar. Vai ser a forma de você ir direto de Guarulhos para Angra [dos Reis]. Fica lá uma semaninha com a sua namorada, noiva". E ele foi. Os caras queriam matar o Marcelo.
– Agitei isso para que ele fosse e agora nós vamos fazer o que nós combinamos atrás. A multa é 50 milhões de euros. O Robinho tem 20% que eu tinha pegado para ele. Aí ele falou que queria os 50 milhões de euros. Batemos, batemos, batemos, o Robinho não apareceu na Vila e falou que não queria mais jogar, que amava o Santos, mas queria ir embora. Pô, tinha o Real Madrid atrás. Eu fui para Madri várias vezes, acabou saindo por 30 milhões que o Santos recebeu. E quanto que o Robinho ganhou desses 30? Zero. Mas ele tinha um salário de R$ 300 mil, foi ganhar R$ 2,5 milhões por mês. Compensou. Mas, hoje, seria diferente. A gente exigiria porque tenho um contrato de direito econômico à parte se ele for vendido, o Robinho não tinha isso. Ele tinha 20%, mas não era... O clube veio e pagou a multa. Ele não pagou a parte do Robinho. E agora as coisas estão mudando. Agora nós temos tudo isso garantido para o jogador.
Agora é mais fácil o jogador fazer um pé de meia, com uma transferência? – Com certeza. Todo jogador que sai hoje, ele tem no mínimo 20% de direito econômico. Os clubes falam que dão 10%. Na primeira negociação, eles dão 10%. Depois, na segunda, uma condição que nós colocamos é que aumente. É melhor pegar 20% do que aumentar o salário, do que dobrar o salário.
Como é que tem sido a sua relação com o Robinho hoje? – Mantenho contato com a Vivi, esposa dele, o Robinho Junior, que joga no Santos. Eu gosto muito do Robinho mesmo, porque foi um jogador que convivi por muitos anos. Quando eu defendo, não estou aqui querendo jamais criar polêmica. Lá na Itália julgaram errado, o advogado dele foi muito ruim. É muito difícil de falar, e tenho maior carinho, então vou defender o sempre.
– Já fui em festas de jogadores famosos, Ronaldo, Beckham, Roberto Carlos, Robinho, cheio de gente. Lembro de uma festa na Basileia, amigo do Zidane, amigo do Ronaldo. Eu fui levar o Robinho naquela época. Nossa Senhora, nunca vi tanta gente bonita. Então, tem muito assédio nos jogadores. E o que aconteceu com ele, acho, particularmente, não estava lá, não vi... Uma festa e as pessoas vão, ninguém é obrigado a fazer nada e chegam depois pedindo dinheiro, porque senão vai na delegacia falar que foi.... o que é o fato que aconteceu? Não, não. Tu queria dinheiro. Não deram o dinheiro que elas pediram e ocorreu tudo isso.
Você teve contato com o Robinho depois que ele foi preso? – Não, só pode ir com advogados e família. Se Deus quiser, acho que ele agora deve sair. Deve cumprir em casa. Engraçado que esse crime na Itália não é hediondo. No Brasil é, mas ele foi condenado lá.
Nota da redação: no processo em que Robinho foi condenado na Itália por violência sexual não foi mencionada nenhuma tentativa de extorsão. O ex-jogador cumpre pena de nove anos de prisão desde março de 2024.
Em relação ao Robinho Júnior, você em algum momento trabalhou, tentou trabalhar? – Eu contatei a Vivi, a mãe dele. Estava começando, meses antes de o Robinho ter sido preso. E depois que houve tudo isso, a Vivi falou: "resolve isso com o Robinho quando ele sair". Eu estou aqui para ajudar, gosto do Robinho como amigo, como filho. O Robinho era um menino alegre e tudo que aconteceu com ele, que eu convivi, o fato do sequestro da mãe, as coisas que aconteceram lá, foi para o Real Madrid, pegou o número 10. Sabe o que é isso? Chegamos no aeroporto lotado de gente para receber a camisa do Real Madrid. E ele sempre foi humilde, aquele jeito dele dentro de campo, aquilo lá que vocês conhecem. Então, tenho ele como um ídolo e uma pessoa que gosto muito.



