Coronel Sapucaia
Com lente especial, Pedro fez do cotidiano cenas de cinema
Da produção na infância aos registros da família, ele encontrou no audiovisual uma forma de guardar memórias
NATáLIA OLLIVER / CAMPO GRANDE NEWS
Aos 28 anos, o jornalista Pedro Henrique Ramos Ribeiro, de 28 anos, encontrou nas câmeras de cinema uma forma de registrar situações comuns, porém com uma estética diferente. Com uma lente especial nas mãos, ele fotografa pessoas, lugares e principalmente memórias em uma estética marcada pela nostalgia e cuidado com cada detalhe. Um dos projetos foi feito na casa da avó.
A relação de Pedro com as câmeras começou ainda na infância. Antes mesmo de pensar no audiovisual como profissão, ele já produzia vídeos de games para o YouTube, fazia as próprias captações e editava o material. A familiaridade com esse universo também veio de casa. Seus pais são jornalistas e sempre estiveram envolvidos com rádio, televisão e produção audiovisual.
Em setembro do ano passado, Pedro comprou sua primeira câmera e começou a fazer experimentações fora dos trabalhos profissionais. Passou a registrar o próprio cotidiano, pessoas próximas e lugares que fazem parte da sua história, mas com uma preocupação específica. Ele queria buscar uma aparência mais próxima da linguagem do cinema.
“Eu sempre quis trazer essa estética mais de cinema, mesmo para o cotidiano e para as coisas que eu vivo ali no simples'.
Parte desse trabalho está ligada à família. Pedro sempre foi próximo dos avós e hoje mantém uma relação especialmente próxima com a avó paterna, a única que ainda está viva.
A casa dela e o bairro onde passou a infância aparecem em seus registros por carregarem lembranças de diferentes momentos da vida. Foi naquele lugar que ele brincava com os primos, andava pelo bairro e passava tempo com a família. Ao voltar com uma câmera, Pedro passou a registrar esses espaços de outra maneira.
“Eu gosto de gravar as coisas ali, porque são memórias. É a nostalgia que tem naquele ambiente em que eu passei a minha infância também', explica.
Para conseguir o resultado que procura, as lentes têm um papel importante. Pedro utiliza uma lente de cinema, uma Sirui Nightwalker 24mm T1.2, que possui algumas diferenças em relação às lentes fotográficas mais comuns.
Segundo ele, as lentes cinematográficas geralmente têm foco manual, permitindo maior controle sobre o que estará em destaque durante uma cena. Também utilizam o T-stop para indicar a quantidade real de luz que chega ao sensor, enquanto as lentes fotográficas normalmente trabalham com o f-stop.
A diferença, porém, não está apenas na parte técnica. Pedro ressalta que as lentes de cinema também ajudam a produzir uma imagem menos nítida e mais suave, característica que ele considera interessante para seus vídeos. “Ela não é tão nítida quanto a de fotografia, então ela é um pouco mais suave, mais soft', explica.
Confira a galeria de imagens:
Pedro também é apaixonado por lentes vintage. Uma de suas preferidas é a Helios 44, uma lente russa produzida a partir de um projeto alemão e conhecida atualmente pelo efeito peculiar que pode produzir nas imagens: um desfoque em espiral nas áreas próximas às bordas do quadro.
O modelo ficou conhecido por uma característica óptica bastante específica, o desfoque em espiral nas áreas próximas às bordas da imagem. O efeito é resultado das características do projeto da lente e acabou se tornando justamente um dos motivos que fazem o modelo ser procurado por fotógrafos e videomakers.
Para Pedro, essas características são ferramentas para construir a imagem que procura. A intenção não é apenas fazer uma gravação de boa qualidade, mas encontrar uma estética que combine com a história que está sendo contada.
Sobre isso, as histórias que ele pretende registrar vão além da própria família. Para Pedro, a cidade está cheia delas. “Eu acredito que vários lugares e várias pessoas aqui da cidade têm histórias para contar', afirma.



