Coronel Sapucaia
Casados há 70 anos, Hilda e Antenor renovaram votos de amor pela 5ª vez
Tudo começou com uma foto na infância e anos mais tarde os dois ainda se olham com paixão
NATáLIA OLLIVER / CAMPO GRANDE NEWS
Eles se conheceram ainda crianças, namoraram sem sequer pegar na mão, ficaram noivos e, 70 anos depois, Hilda Resende Corrêa, de 88 anos, e Antenor Corrêa de Moraes, de 92, ainda têm olhos de apaixonados um para o outro. Eles renovaram os votos de casamento pela 5ª vez neste final de semana, cercados pelos filhos, netos, bisnetos e uma tataraneta.
A cerimônia aconteceu na Comunidade São Domingo Sávio, no bairro Monte Castelo, e o Lado B acompanhou de perto mais um capítulo dessa história que começou em uma fazenda da Capital.
Quem assistiu à missa foi pego de surpresa pela cerimônia. Teve gente que se emocionou e até aqueles que viram o casal como uma esperança de que, de fato, o amor existe e pode durar.
Os dois aguardavam ansiosos pelo anúncio de que poderiam entrar na igreja. Hilda escolheu um vestido vinho, pintou as unhas da mesma cor e, para completar, usou um chapéu antigo, também da mesma cor da roupa. Antenor combinava com a noiva na gravata.
Depois de dizer os votos de que prometiam se amar, se respeitar e continuarem juntos até que a morte os separe, os dois trocaram beijos e colocaram novas alianças. No fim da cerimônia, Hilda conta que vive um amor dos sonhos há anos e que fazem questão de estarem sempre juntos e demonstrarem afeto. Os dois deram uma dica para quem deseja uma relação duradoura como a deles.
Para entender essa história de carinho, vamos voltar alguns anos no tempo. Antes de existir a aliança no dedo, houve uma fotografia. Antenor tinha 17 anos quando começou a passar pela casa de Hilda, na fazenda próxima da Capital.
O problema é que ele não parava por ali, ia direto para a casa da irmã dela, onde morava uma prima. Hilda, sem desconfiar de nada, achava que o rapaz estava interessado justamente na outra moça.
'Eu pensava que ele estava gostando da minha prima. Mas eu nem pensava que ele podia estar gostando de mim. A gente se conhece desde criança. Eu fui a primeira namorada dele e ele o meu primeiro noivo', lembra.
A confusão só acabou quando Antenor deixou uma foto com a prima para ela entregar a Hilda. Foi então que veio a revelação. Ele estava, na verdade, interessado nela. Depois da fotografia, vieram as conversas. Antenor começou a passar um pouco mais de tempo na casa de Hilda e os dois foram se aproximando. Namoraram por cerca de um ano, mas, para os padrões daquele tempo, romance era coisa diferente e cheia de regras.
'Nem pegar na mão não pegava. Só conversava porque naquela época era muito rigoroso', conta.
O namoro virou noivado quando Antenor pediu a mão de Hilda à mãe dela e conversou também com o irmão da jovem, que havia assumido a família depois da morte do pai dela. Com a aliança no dedo, ele seguiu para uma fazenda distante para trabalhar com gado.
A espera chegou ao fim em 10 de agosto de 1956, em uma sexta-feira. Hilda tinha 23 anos e Antenor, 22. Poucos dias depois, os dois já estavam a caminho da vida de casados. E, quando Hilda diz 'a caminho', é quase literalmente.
A lua de mel do casal foi uma viagem de mais de 300 quilômetros a cavalo, cada um montado no próprio animal, levando algumas vaquinhas que ela tinha para a fazenda onde Antenor trabalhava. 'E nossa lua de mel foi assim', conta, entre risos.
Tudo isso acabou em 2 filhos, três netos, três bisnetos e uma tataraneta. Hilda fala que o segredo para uma relação tão duradoura é querer bem o outro e amar de verdade. Já Antenor fala que é casar com amor e ter amor na vida. 'Quero chegar nas bodas de brilhante, se Deus quiser, que é com 75 anos.'
Para eles, um casal que vive na mesma casa não pode deixar de ter uma rotina de afeto, passar tempo de qualidade juntos, estar à mesa, ficar perto no sofá e se tratar sempre como eternos namorados.
Confira a galeria de imagens:
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