• Quinta, 13 de Agosto de 2026

Análise: Flamengo corrige rota com talento de Pedro e Paquetá e sai do Mineirão confiante

Opção por Pedro e Paquetá no banco cobra um preço, e equipe rubro-negra mostra força para resistir em campo e reagir para arrancar um importante empate dentro do Mineirão

GLOBOESPORTE.COM / MARCELLO NEVES


Pedro e Paquetá em Cruzeiro x Flamengo — Foto: Gilson Lobo/AGIF

O Flamengo empatou por 1 a 1 com o Cruzeiro no Mineirão, pela Libertadores, após os reservas Pedro e Paquetá entrarem e mudarem o rumo do jogo.

O técnico Leonardo Jardim escalou Bruno Henrique e Plata como titulares para pressionar a saída de bola adversária, mas o time perdeu poder de finalização.

Após Arroyo abrir o placar para o Cruzeiro no segundo tempo, a entrada imediata de Pedro e Paquetá garantiu o empate em apenas 1 minuto.

Com o resultado, o clube carioca garante a classificação para a próxima fase com qualquer vitória simples no jogo de volta, que ocorrerá no Maracanã.

Reservas, Pedro e Paquetá precisaram de apenas um minuto dentro de campo para fazer a diferença para o Flamengo. Num cenário normal, empatar fora de casa num mata-mata de Libertadores nunca é mal negócio. Mas o 1 a 1 com o Cruzeiro no Mineirão, nesta quarta-feira, deixa sensação de que o resultado poderia ser ainda melhor se os dois estivessem juntos por mais tempo. Felizmente, foi possível corrigir a rota com bola rolando e levar a eliminatória em aberto para o Maracanã.

Antes de falarmos sobre correção de erros, é preciso também não deixar a expectativa se sobrepor à realidade. Independentemente do poderio financeiro e técnico do Flamengo, é necessário lembrar que há um adversário do outro lado. O Cruzeiro, que foi um rival duríssimo como esperado, exigiu muita resiliência dos rubro-negros para não deixar o mata-mata escapar pelas mãos. E calcular riscos também faz parte da casca de um time campeão.

A análise deste jogo passa pela escalação inicial de Leonardo Jardim. Ao optar pelas entradas de Bruno Henrique e Plata como titulares, nos lugares de Pedro e Carrascal, o treinador definiu duas estratégias: incomodar a saída de bola cruzeirense com mais velocidade e aproveitar a linha alta de marcação para jogar nas costas dos zagueiros. No papel, era esse o plano. Na prática, trouxe benefícios e malefícios.

Se não foi brilhante, o Flamengo fez um jogo competitivo e com um padrão de jogo esperado — mesmo que não seja o mais agradável aos torcedores. Jardim viu seu time até ter a bola em determinados minutos, mas ser mais mortal quando conseguia espetar em transição. Não deixou o Cruzeiro confortável mesmo quando os mineiros tinham a bola, abdicando de suas melhores valências.

Em contrapartida, a ausência de Pedro e Paquetá fez o Flamengo perder poder de finalização. Quando não tinha a transição, repetia uma circulação de bola sem inspiração. Forçava cruzamentos ou chutes de fora da área. Quando o Cruzeiro conseguia se recompor, o Flamengo encontrava um vazio dentro da grande área. Em resumo, foi pouco incisivo quando o adversário conseguia se fechar.

O problema é que na volta do segundo tempo, o Cruzeiro se adaptou a esse estilo. Plata, antes útil, foi neutralizado. Bruno Henrique também passou a ter os espaços encurtados e foi facilmente batido. A Raposa cresceu e conseguiu seu gol, com Arroyo, levando o Flamengo ao seu pior momento na partida aos oito minutos da segunda etapa. Naquele instante, o perigo era iminente.

Então, Jardim corrigiu a rota, desfez a estratégia e deu espaço para o talento, ao colocar Paquetá e Pedro juntos. Bastou um minuto para que eles empatassem a partida. O gol foi um indicativo do que viria nos minutos seguintes: um Flamengo mais ágil, com melhor dinâmica e que tomou as rédeas na partida. Poderia até ter virado o placar se não fosse pelo goleiro Otávio, que fez grandes defesas.

Então, entrou o momento de calcular riscos que falamos anteriormente. A pressão do Flamengo, aos poucos, foi diminuindo com o passar dos minutos, parecendo que a equipe queria decidir a sua vida no Maracanã. Ninguém vai admitir, mas o empate foi, sim, um bom negócio contra um adversário qualificado. Dava para vencer? Claro. Mas é melhor voltar ao Rio de Janeiro com um empate do que correr o risco de uma derrota.

Agora, o Flamengo se classifica se vencer por qualquer resultado no jogo de volta, na próxima semana, no Maracanã. A expectativa, no entanto, é que não precisa corrigir seus erros com bola rolando. Muito disso passa por Pedro e Paquetá serem titulares no jogo de volta.

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