Coronel Sapucaia
Ex-militar baleado na cabeça foi confundido com o irmão em guerra de facções
Homem de 47 anos relatou ter sido integrante do PCC e acreditar ser o verdadeiro alvo dos atiradores
ANA PAULA CHUVA E SOFIA LUPAES / CAMPO GRANDE NEWS
Baleado na cabeça na noite de quarta-feira (12), o ex-militar do Exército, de 46 anos, pode ter sido confundido com o irmão, de 47. A versão é do próprio homem, que contou à polícia ser ex-integrante do PCC (Primeiro Comando da Capital). A vítima estava de costas no quintal da residência, no Jardim Noroeste, em Campo Grande.
Conforme o boletim de ocorrência, o irmão da vítima relatou estar em liberdade condicional e ter pertencido à facção criminosa paulista. Por isso, acreditava que o grupo criminoso rival, o CV (Comando Vermelho), teria ordenado o ataque contra ele.
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No momento do crime, o ex-militar estava sentado de costas no portão do imóvel e, por ser “muito parecido com o irmão', acabou sendo atingido. Ainda segundo o registro policial, a cunhada o socorreu e o levou ao CRS (Centro Regional de Saúde) Tiradentes. Por conta do gravíssimo estado de saúde, a vítima foi transferida para a Santa Casa. A vítima foi atingida na cabeça e teve perda de massa encefálica.
Equipe do Campo Grande News, esteve na casa da família na manhã desta quinta-feira (13), ninguém foi encontrado no local. No quintal havia duas garrafas de cerveja, um carrinho de bebê e algumas e peças de roupas penduradas no varal e espalhadas pelo chão, uma delas manchada com sangue.
Havia também uma marca de sangue na calçada. Uma vizinha relatou que o ex-militar não morava no local, mas estava sempre por ali e era uma pessoa “muita tranquila e trabalhadora', por isso, acreditava que ele não era o alvo dos atiradores.
'Ele é um cara super tranquilo, não tem nada de 'tranqueira'. A rua aqui sempre foi sossegada, nunca aconteceu esse tipo de coisa, apesar da fama do bairro', relatou uma moradora que preferiu não se identificar.
Histórico
Conforme apurou a reportagem, natural de Corumbá, o irmão da vítima tem pena total na Justiça de 31 anos e 4 meses e estava em livramento condicional desde o mês passado após decisão da 2ª Vara de Execução Penal de Campo Grande. No histórico, está um homicídio qualificado praticado em 1997, no Centro de Cuiabá (MT).
De acordo com os documentos, o homem — que trabalhava como pintor — foi condenado pelo Tribunal do Júri pelo assassinato de um cobrador de táxi-lotação. O crime aconteceu no dia 24 de julho de 1997, por volta das 14h, na Rua 13 de Junho, ao lado do prédio dos Correios.
A denúncia apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso aponta que ele agia acompanhado de um grupo em um ponto de ônibus, tumultuando o acesso ao transporte coletivo. Quando o cobrador pediu que desimpedisse a entrada dos passageiros, o homem sacou um revólver e efetuou 5 disparos contra a vítima, atingindo-a 4 vezes pelas costas.
Na época, o autor fugiu para Campo Grande, onde acabou preso no 1º Distrito Policial e recambiado para a capital mato-grossense. Em setembro de 1998, ele foi julgado e condenado a 16 anos de prisão em regime fechado.
Além da condenação pelo homicídio, o histórico do homem acumula outras penas por crimes como roubo e lesão corporal, somando mais de três décadas de prisão.
Após cumprir parte do tempo no regime fechado e obter a progressão para o semiaberto em agosto de 2017, a Justiça deferiu o livramento condicional ao réu no dia 7 de julho de 2026.
Entre as obrigações impostas para manter a liberdade, o beneficiado devia comprovar ocupação lícita em até 30 dias, recolher-se em sua residência até as 20h diariamente e comparecer periodicamente ao Patronato Penitenciário.
Documento do irmão
Em 2017, o homem usou o documento do irmão durante um furto em um supermercado atacadista no Bairro Coronel Antonino, em Campo Grande. Na ocasião, a polícia o prendeu em flagrante junto com outros dois homens, depois que ele agrediu um funcionário do local. Ele tentou tomar a arma do funcionário e chegou a ser baleado no pé, precisando de atendimento médico.
Depois, confessou que usou o documento do irmão porque ele não tinha nenhuma passagem pela polícia. O homem foi denunciado e condenado a seis meses de detenção.
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