• Quinta, 13 de Agosto de 2026

Bastidores: demissão de Zubeldía gerou divergência no Fluminense, que tomou decisão em busca de paz

Treinador balançava no cargo, e decisão foi tomada durante folga do elenco

GLOBOESPORTE.COM / GIBA PEREZ, GUSTAVO DI SARLI E JéSSICA MALDONADO


Zubeldía no treino deste sábado — Foto: Marcelo Gonçalves / Fluminense FC

A demissão de Luis Zubeldía do Fluminense foi decidida durante a folga do elenco na quarta-feira e comunicada presencialmente ao treinador, na manhã desta quinta, antes da reapresentação do elenco. Os jogadores foram informados por uma mensagem do clube antes de chegarem ao CT Carlos Castilho para o treino da manhã.

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O treino estava marcado para as 9h30 (de Brasília) e, como de praxe, o treinador foi um dos primeiros a se apresentar, antes das 7h. Foi quando recebeu a notícia da diretoria tricolor.

O ge apurou que Zubeldía e sua comissão técnica foram pegos de surpresa. Eles planejavam o jogo de volta contra o Independiente Rivadavia, na Argentina, e estavam confiantes na classificação às quartas da Libertadores, apesar do empate na ida em casa. A decisão, porém, foi aceita com tranquilidade.

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O Fluminense comunicou publicamente a decisão em nota publicada no site oficial às 7h27, duas horas antes do treino, enquanto o elenco estava a caminho do CT ou se preparando para sair de casa.

Com isso, os jogadores ficaram sabendo da decisão por WhatsApp. A mesma mensagem recebida pela imprensa, com link do site do clube, passou a ser compartilhada entre os atletas. A informação não causou surpresa. A saída do argentino era esperada, apesar de ter bom relacionamento com a maior parte do grupo.

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Decisão durante a folga

A pressão sobre Zubeldía aumentou após o empate contra o Rivadavia, na terça-feira. O resultado se somou aos insucessos recentes, como a queda nas oitavas de final da Copa do Brasil para o Vasco e o empate diante do Botafogo, pelo Brasileirão, no sábado. São, no total, oito jogos sem vitória.

Ainda assim, mesmo em meio à turbulência, a demissão provocava divergências dentro do clube. O martelo foi batido após o fim de uma longa reunião da cúpula do futebol na noite de quarta. Estavam presentes o presidente Mattheus Montenegro, o vice-geral Ricardo Tenório, o diretor-geral Mário Bittencourt e o diretor de futebol Paulo Angioni.

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Inicialmente, a tendência era de permanência, até pelo respaldo que o treinador tinha do elenco. Porém, após muita discussão, a diretoria decidiu tentar um fato novo em busca de uma vaga nas quartas da Libertadores.

Apesar de Zubeldía contar com o respaldo da maior parte das lideranças e ter boa relação com os jogadores, a conclusão da direção foi de que o time precisava de paz antes dos jogos decisivos. Fora do clube, havia enorme pressão da torcida pela saída do técnico.

Dentro do Fluminense, as divergências passavam muito mais pela dúvida se haveria algum benefício na demissão imediata. Havia consenso no diagnóstico de que o trabalho do treinador não evoluiu nos últimos meses.

Após horas de discussão, prevaleceu o argumento de que trazer, ainda que parcialmente, tranquilidade com a torcida antes de enfrentar o líder do Brasileirão e decidir a vida na Libertadores era mais importante e, por isso, foi feita a troca. Zubeldía foi vaiado e xingado pela torcida em todos os jogos recentes no Rio de Janeiro: Bahia, Vasco, Botafogo e Rivadavia. Neste último, Mário Bittencourt também foi algo dos torcedores.

O comunicado ao treinador foi feito no primeiro contato presencial. Zubeldía era conhecido por ser "workaholic" e chegar muito cedo para preparar as atividades. Assim que chegou ao CT, entrou em reunião na sala da presidência e foi comunicado da decisão.

Informação circulada antes do treino, mas sem surpresa

Foi entre as 7h30 e as 7h40 que o comunicado começou a circular internamente, mas sem surpresa. A decisão foi recebida com tristeza pela maior parte do elenco pelo bom relacionamento com o técnico e sua comissão técnica, mas vista como natural diante da série de insucessos.

Alguns jogadores acreditam que a saída fará bem para o time, afinal, havia o entendimento de que não se tem conseguido executar o bom futebol que classificou o Fluminense para a Libertadores, na reta final de 2025, e que começou bem a atual temporada.

Com isso, uma saída era vista com bons olhos para oxigenar o ambiente. A reportagem chegou a ouvir que "não se tirava mais nada dali", uma alusão ao desempenho do time.

Além dos resultados, o desempenho ao longo dos últimos meses foi o que mais gerou pressão no trabalho do treinador. Partidas ruins quase custaram a classificação na fase de grupos da Libertadores, passando em segundo lugar por uma combinação de resultados na última rodada em um grupo com Deportivo La Guaira, Independiente Rivadavia e Bolívar.

A esperança de virada de chave após o período de férias durante a Copa do Mundo caiu por terra após nova partida ruim contra o Rivadavia. Além das Copas, o bom começo de Campeonato Brasileiro não se sustentou nos últimos meses. Sob o comando de Zubeldía, a equipe chegou a brigar pela liderança na arrancada, mas hoje vê o Palmeiras 13 pontos na frente. Ele tinha contrato até o fim deste ano.

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