Coronel Sapucaia
Curso de “marido de aluguel” tem professora mulher e longa fila de espera
Primeira turma reuniu 25 alunos nas Moreninhas e procura já supera número de vagas
GUSTAVO BONOTTO E MAURíCIO AGUIAR / CAMPO GRANDE NEWS
Tomada, chuveiro, torneira e iluminação viraram assunto de sala de aula para 25 alunos que concluíram, na noite desta sexta-feira (14), a primeira turma do curso de “marido de aluguel', na região das Moreninhas, em Campo Grande. As aulas gratuitas começaram no dia 3 e somaram 40 horas de formação em elétrica, hidráulica e pequenos reparos. A procura superou o número de vagas e já formou duas listas de espera.
O nome do curso fala em “marido', mas quem ficou à frente da turma foi uma mulher. Arquiteta e professora do Senai, Caroline Marques comandou as aulas para um grupo que chegava ao polo depois de passar o dia no trabalho. O horário noturno ajudou a encaixar a formação na rotina de quem queria aprender sem abrir mão do emprego.
“Aqui, a turma da noite eu achei que recebeu muito bem. São pessoas que já vêm do trabalho para cá, então chegam um pouco cansadas', contou Caroline. “A gente tenta deixar a aula um pouco mais divertida. Eles vieram para aprender uma nova profissão, para poder entrar no mercado e conseguir um diploma também.'
A própria professora diz que o público não procura o curso apenas para transformar os reparos em profissão. Tem aluno interessado em cuidar da própria casa, entender melhor um serviço contratado e parar de depender de outra pessoa para resolver problemas simples.
“O foco do Senai é profissionalizar. Então vêm pessoas que querem fazer manutenção na sua própria casa, não depender de outras pessoas, saber quando o prestador está fazendo direito; e outras vêm para entrar no mercado de trabalho', explicou. “Tem bastante gente que necessita de reparos rápidos.'
É justamente nesse tipo de serviço que entra o “marido de aluguel'. Caroline cita situações comuns em qualquer casa e que nem sempre exigem uma obra ou a contratação de um profissional para um trabalho maior.
“Às vezes um eletricista, um encanador não consegue ter o tempo, e aí contrata o marido de aluguel para fazer os reparos rápidos: uma troca de um chuveiro, de uma torneira, verificar uma iluminação, uma tomada', enumerou.
O interesse pelo curso também aparece entre quem já vive desse tipo de serviço. Antonio Marcos Farias trabalha na área e encontrou a oportunidade enquanto navegava pela internet. Para ele, o endereço e o horário das aulas fizeram diferença.
“A localização acessível e, principalmente, o horário noturno foram fundamentais, pois consigo me capacitar sem comprometer minha jornada de trabalho durante o dia', contou Antonio. “A gente nunca sabe tudo, sempre há espaço para evoluir.'
Mesmo com experiência, ele decidiu voltar à sala de aula para melhorar o serviço que já oferece. “Já atuo na área, mas o curso é uma oportunidade indispensável. Mais do que ganhar agilidade, o grande diferencial aqui é elevar a qualidade do serviço prestado', disse.
Antonio também já pensa em usar o conhecimento para ampliar o trabalho. “O objetivo agora é colocar todo esse aprendizado em prática e, no futuro, quem sabe repassar esse conhecimento para um ajudante ou parceiro de trabalho', afirmou.
A procura por esse tipo de capacitação foi o que levou a Funsat (Fundação Social do Trabalho) a montar a turma. O presidente da fundação, João Henrique, afirma que o pedido partiu do próprio público.
“Esse curso do marido de aluguel foi uma procura da própria população. Vai aprender hidráulica, vai aprender elétrica', disse. “Existe uma procura do mercado de trabalho mesmo, das próprias empresas e das pessoas.'
As 25 vagas não foram suficientes para atender todos os interessados. “Essa lista de espera é de gente interessada que ainda não conseguiu fazer. Está esperando o momento dela fazer o curso', explicou João. Hoje, segundo ele, já existem duas listas com pessoas à espera de novas oportunidades.
A presença feminina também chama atenção nas capacitações. “50% das salas são mulheres', afirmou o presidente da Funsat. O dado combina com o cenário da própria primeira turma, conduzida por Caroline.
João diz que a procura por cursos práticos tem relação direta com quem busca uma segunda fonte de renda. “Essas áreas que requerem algumas habilidades mais técnicas, como indústria e construção civil, estão chamando mais atenção do público, muitas delas para ter uma renda extra', afirmou.
“Às vezes, a pessoa já tem um emprego formal e consegue fazer algumas diárias para ter um lucro maior e poder melhorar sua renda, seu patamar financeiro', completou.
A intenção agora é ampliar esse tipo de formação. “Agora nós abrimos mais uma sala lá e vamos fazer curso de ar-condicionado, manutenção de ar-condicionado', adiantou João. Para ele, as parcerias permitem oferecer capacitações que a Funsat não conseguiria manter sozinha.
“As parcerias são importantes porque às vezes somente o Poder Público sozinho não consegue atingir cursos que nós não temos hoje lá na Funsat', disse. “É uma expertise do Sistema S, a questão da indústria, a questão da construção civil. Situações que não temos na Funsat, com essa parceria a gente consegue chegar a esse público e atender essa demanda.'



