• Domingo, 16 de Agosto de 2026

Motorista envolvido em acidente com 7 mortes é ouvido e liberado

Segundo a polícia, não havia flagrante nem ordem de prisão contra o condutor

GUSTAVO BONOTTO / CAMPO GRANDE NEWS


Carga de milho espalhada na pista após reboque se soltar de caminhão. (Foto: BPMRv)

O caminhoneiro envolvido no acidente que matou 7 indígenas da mesma família na última sexta-feira (14) se apresentou à Polícia Civil para prestar depoimento sobre a colisão na MS-180, entre Iguatemi e Japorã, a 412 quilômetros de Campo Grande. Conforme apurado pela reportagem, ele compareceu acompanhado do advogado e foi liberado depois de ser ouvido, pois não havia flagrante nem ordem de prisão contra ele.

Para a polícia, o rapaz relatou que passava pelo município e percebeu que o semirreboque carregado com milho havia se desprendido do veículo. Ele seguiu até Mundo Novo, estacionou o veículo em uma rua e foi a pé para um hotel, onde comunicou ao proprietário do caminhão sobre o ocorrido.

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Ainda segundo o depoimento, o motorista chegou a ser abordado por testemunhas, mas deixou o local por medo e informou que só soube do acidente pelas redes sociais na manhã de sábado (15).

No entanto, ele relatou que viu o reboque tombado junto ao fogo, mas não o veículo em que Laudiceia Benites, de 30 anos; Tiago Honorio dos Santos, de 34; Cleonice Honorio dos Santos, de 42; Ileo Benites, de 30; Genilson Euzebio Karay Mirim, de 32; Tadeu Hiago Werá Mirim Benites dos Santos, de 14; e Luna Benites Santos, de 7 anos, estavam.

O grupo visitava aldeias de Mato Grosso do Sul para participar de atividades de intercâmbio cultural e religioso.

Após o acidente, os corpos foram levados ao Núcleo Regional de Medicina Legal de Naviraí, onde passarão por exames de DNA para identificação individual.

Perda - O MPI (Ministério dos Povos Indígenas) lamentou a morte de Tiago Karai e dos familiares. Ele foi coordenador da CGY (Comissão Guarani Yvyrupa) e uma das principais lideranças da Aldeia Kalipety. Laudiceia, esposa dele, também exercia papel de liderança na comunidade. “O legado de luta em defesa dos direitos dos povos guarani permanecerá vivo e suas vozes seguirão ecoando entre nós', diz trecho da nota.

O ministério também manifestou apoio às famílias e à comunidade indígena. “Neste momento de dor e sofrimento, prestamos a nossa solidariedade aos parentes, amigos e a toda comunidade mbya guarani', afirmou a pasta.

Como mostrou o Campo Grande News, a família havia saído de São Paulo (SP) e passou pela Aldeia Porto Lindo, em Japorã, antes do acidente. O grupo visitou parentes na comunidade e permaneceu cerca de 40 minutos no local. Segundo o cacique Roberto Carlos, eles participaram de momentos de oração e canto.

Os familiares haviam preparado um jantar, mas o grupo decidiu seguir viagem porque tinha compromisso na segunda-feira na Aldeia Tenondé Porã. A família deixou Porto Lindo em direção a Iguatemi. Entre 15 e 20 minutos depois, os parentes receberam a notícia do acidente.

A colisão ocorreu cerca de 70 metros depois da ponte sobre o Rio Iguatemi. Conforme o registro da ocorrência, o semirreboque se desprendeu da carreta e atingiu de frente o Chevrolet Spin. O impacto foi seguido por um incêndio que consumiu o automóvel.



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