Coronel Sapucaia
Bolo de 32 metros já está no forno para aniversário de Campo Grande
Produção começou dias antes da festa e envolve 1,4 mil ovos, 18 bolos e operação especial para servir
THAILLA TORRES / CAMPO GRANDE NEWS
Touca na cabeça, roupa adequada, mãos higienizadas e acesso controlado. Para entrar na cozinha onde começou a ser feito o bolo dos 127 anos de Campo Grande, não tem jeitinho. E basta passar pela porta para entender o motivo: ali começou uma operação de 800 quilos, 1,4 mil ovos e 18 bolos que só termina no dia 26 de agosto.
O bolo já está sendo assado. Sim, mais de uma semana antes da festa. E a pergunta óbvia é: como uma produção desse tamanho vai chegar fresca e segura para cerca de 2,5 mil pessoas?
Na noite desta segunda-feira (17), o Lado B acompanhou de perto a produção na cozinha do Senac. Enquanto alunos e professores pesavam ingredientes, preparavam as massas e organizavam as formas, outra parte da equipe cuidava de algo que, nesse caso, é tão importante quanto a receita: temperatura, armazenamento e higiene.
No total, serão 18 bolos que, juntos, formarão o letreiro “Campo Grande 127 Anos', com 32 metros de extensão. Só de massa serão mais de 540 quilos. Depois de recheado e coberto, o bolo deve ultrapassar 800 quilos.
A receita também saiu da escala doméstica faz tempo. Serão cerca de 1,4 mil ovos, mais de 60 quilos de farinha, quase 60 quilos de açúcar e aproximadamente 160 quilos de doce de leite.
E é justamente o doce de leite que dará o sabor regional ao bolo. “O recheio vamos usar o tradicional doce de leite que é da nossa terra', conta a professora Andréa Diniz.
Assou. E agora?
É depois que cada massa deixa o forno que começa uma das partes mais curiosas da operação. Nada de colocar o bolo sobre uma bancada e esperar esfriar naturalmente. Ele segue para um ultracongelador e a temperatura passa a ser acompanhada pela equipe.
“Essa massa sai do forno, ela entra no ultracongelador e ela só sai quando atinge 10 graus de temperatura, que é quando ela atinge o exigido pela Vigilância Sanitária. Aí nós embalamos essa massa e ela vai para nossa câmara fria, que fica no congelamento, até dia 25, quando a gente inicia esse processo de montagem e volta para a câmara fria, e a gente finaliza a decoração lá no dia 26', explica Andréa.
É assim que os bolos produzidos agora ficarão armazenados até a montagem. No dia 25, começa o quebra-cabeça para transformar os módulos em um letreiro de 32 metros.
O tamanho ajuda a explicar por que não seria possível deixar tudo para a véspera. São cerca de 11 dias previstos para produção das massas, recheios e demais etapas. Só a montagem deve consumir aproximadamente 16 horas e ocupar dois dias.
Para Andréa, o desafio maior não está em misturar uma quantidade gigantesca de ingredientes.
“Junto com meus colegas professores e alunos, o maior desafio é a organização dos processos, organizar pesagem, mistura e armazenamento da forma correta', explica.
Ao todo, mais de 150 pessoas participam da operação em diferentes momentos. No dia da festa, a previsão é ter uma equipe de cerca de 110 pessoas servindo o público.
“Vai ser uma força-tarefa', resume a professora Andréa sobre o preparo do bolo.
E, mesmo com tudo calculado, pesado e organizado, sobra espaço para a ansiedade. “Todo trabalho dá um friozinho na barriga.'
Do forno à rua, temperatura vira assunto sério. Fazer um bolo desse tamanho é uma coisa. Servi-lo para 2,5 mil pessoas é outra.
A nutricionista Simone Demenciano, responsável técnica da unidade, explica que todo o processo segue o Programa Alimento Seguro, que acompanha a produção desde a chegada dos ingredientes.
“Nós temos o Programa Alimento Seguro. Que é um programa nacional que é de certificação justamente para garantir que todo o controle de higiene sanitária das produções alimentícias sejam seguras.'
Isso significa acompanhar lotes, armazenamento, equipamentos e temperaturas em diferentes momentos. Na cocção, por exemplo, a equipe monitora se o bolo alcançou a temperatura mínima prevista no processo. Depois começa o resfriamento.
“Monitorando a cocção desse alimento, garantindo que seja conforme a legislação, atingindo 70° da mínima esse bolo, depois o resfriamento em 2 horas chegando a 10°. Congelado, né? E monitorar a temperatura dessas câmeras também', detalha Simone.
A equipe também coleta amostras dos lotes produzidos. No dia da distribuição, novas amostras serão separadas para permitir o controle e a rastreabilidade do que foi servido.
Quem trabalha diretamente na produção também segue regras. Alunos e professores envolvidos têm capacitação em higiene e manipulação e documentação sanitária exigida para a atividade.
Nem no caminho o bolo pode esquentar
Quando chegar a hora de deixar a cozinha, os 800 quilos de bolo também não irão simplesmente para a carroceria de um veículo. “Nós locamos um caminhão refrigerado para armazenar e ter toda segurança', conta Andréa.
A gerente do Senac Turismo e Gastronomia e Restaurante-Escola Terradaságuas, Roberta Francis, explica que o cuidado com a exposição ganhou ainda mais atenção depois da pandemia.
“Durante a pandemia nós tivemos uma questão de segurança em relação aos bolos que ficam expostos, então é um cuidado muito importante, junto com a Vigilância Sanitária, para que a gente mantenha esse bolo livre de contaminação.'
Segundo ela, toda a produção ficará armazenada em câmara fria e sob monitoramento de temperatura.
No dia 26, o objetivo é reduzir ao máximo o período em que o bolo ficará exposto antes de chegar às mãos do público.
“Poucos minutos antes de servir realmente a gente vai colocar nas bancadas. Então, o mínimo possível de tempo em temperatura ambiente para garantir. Lá no dia nós vamos ter a tela cobrindo esse bolo para garantir que não tenha nenhum contaminante por cima dele', explica Simone.
Até chegar lá, porém, ainda haverá muitos tabuleiros entrando e saindo do forno. A previsão é que os 18 bolos formem, juntos, os 32 metros do letreiro. A produção foi calculada para render aproximadamente 2,5 mil porções.
Depois de tantos números, temperaturas, câmaras frias e protocolos, Andréa simplifica o que vem pela frente em duas palavras: força-tarefa.
O bolo dos 127 anos de Campo Grande será distribuído gratuitamente no dia 26 de agosto, depois do desfile cívico, na Avenida Afonso Pena, entre as ruas 14 de Julho e Calógeras.
Acompanhe o Lado B no Instagram @ladobcgoficial, Facebook e X. Tem pauta para sugerir? Mande nas redes sociais ou no Direto das Ruas através do WhatsApp (67) 99669-9563 (chame aqui).
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para entrar na lista VIP do Campo Grande News.
Leia mais


Primeira página
Coronel Sapucaia
Bolo de 32 metros já está no forno para aniversário de Campo Grande
Coronel Sapucaia
Veja as dezenas de hoje na Lotofácil, Quina, Super Sete e mais

