• Quarta, 26 de Agosto de 2026

Nem a chuva cancelou festa para comemorar os 55 anos da Vila Alba

Confraternização reuniu 30 vizinhos com café, música, dança e até canção autoral

AMANDA FERREIRA / CAMPO GRANDE NEWS


Comemoração foi realizada na casa de uma das primeiras moradoras do bairro (Foto: Arquivo Pessoal)





Mesmo com o cancelamento do desfile cívico, da Marcha para Jesus, a chuva intensa e a incerteza sobre a realização das atividades previstas para comemorar os 55 anos da Vila Alba, cerca de 30 moradores do bairro decidiram manter a celebração. A confraternização aconteceu na Rua Turquesa, na casa de Erci, uma das moradoras mais antigas da região, que vive no local há 55 anos, o mesmo tempo de existência do bairro. A festa teve café da manhã, pães, bolos, frutas, música e até uma canção feita especialmente para homenagear a Vila Alba.

A confraternização começou por volta das 8h e terminou às 10h30. Segundo o missionário Isaías da Silva Almeida, a proposta foi aproximar os moradores e criar um momento de convivência.

“Foi aquela troca de informação, de um conversando com o outro, e foi um momento bem agradável entre nós, de confraternização, para os moradores se conhecerem e também cantarem e dançarem. Queríamos comemorar junto com o aniversário de Campo Grande pela importância da data', contou.

A ideia surgiu justamente da vontade de criar mais proximidade entre os vizinhos. Natural de Corumbá, Isaías conta que percebe diferenças na forma como os moradores se relacionam em Campo Grande. “O campo-grandense é muito fechado pra gente chegar nas pessoas. Eu sou de Corumbá, Corumbá é uma família aberta, a gente tem acesso às casas, conversa, e eu acho que aqui Campo Grande é mais fechado', afirmou.

Foi então que ele decidiu propor uma confraternização na própria rua. A princípio, a ideia era organizar um café da manhã na calçada, com cada morador contribuindo com alimentos e bebidas. “Vamos fazer uma festa, Dona Erci, a vizinha da frente, vamos fazer na calçada.

Não quero incomodar a senhora. Quero fazer na calçada um café da manhã, convidar o pessoal da rua para participar, trazer um bolo, um suco, um café, um leite, e a gente ter um papo, pra se conhecer', relatou. Com a chuva, porém, o encontro acabou sendo transferido para a garagem da casa de Dona Erci, onde os moradores puderam comemorar juntos os 55 anos da Vila Alba.

Sobre o bairro -  A Vila Alba é um bairro marcado por diferentes histórias sobre sua formação e identidade, com influência da presença militar e da comunidade japonesa. Entre os relatos que circulam entre antigos moradores está o de que o nome teria surgido em homenagem a uma espanhola chamada Alba, que seria proprietária das terras onde a região começou a se desenvolver.

 Antes de ser conhecida como Vila Alba, a área teria recebido o nome de Vila dos Comerciários, onde foram construídas as primeiras casas pela construtora Beta. Há ainda a versão de que a denominação do bairro teria servido de inspiração para o nome da vizinha Vila Espanhola.

Quando veio para Cuiabá (MT), Isaías  relembrou uma situação, quando foi alertado de que moradores de uma casa em frente à igreja onde estava hospedado seriam envolvidos com drogas. Mesmo assim, decidiu conhecê-los e se colocou à disposição para ajudar.

A receptividade que recebeu reforçou sua convicção de que a boa vizinhança vai além de simplesmente morar perto. “Vizinho não é só para morar perto, é para servir um ao outro', resumiu.

A proximidade criada entre os moradores também trouxe um sentimento de segurança e apoio para quem vive sozinho. Isaías conta que mantém as portas abertas para ajudar os vizinhos no que for necessário, desde pequenos reparos até situações de emergência.

“Eu tenho um alicate, um martelo, uma escada. Se precisar, estamos à disposição. Eu não desligo meu telefone. Se acontecer alguma emergência, pode ligar para a gente', afirmou.

 Para ele, ter alguém por perto disposto a ajudar faz toda a diferença: “Eu sei que a família está por perto, mas um amigo perto é melhor do que alguém longe'.

O encontro também deixou os moradores com vontade de repetir a experiência. Além da confraternização, a manhã serviu para fortalecer vínculos e criar uma rede de amizade entre pessoas que antes pouco se conheciam.



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