Coronel Sapucaia
Fiscalização barra sarau e DJ critica mobilização de equipes armadas
Evento ainda estava em montagem quando agentes chegaram à Esplanada Ferroviária
GUSTAVO BONOTTO / CAMPO GRANDE NEWS
A 4ª edição do Sarau Delas, prevista para a tarde e a noite deste sábado (29), foi cancelada ainda durante a montagem de equipamentos na Rua Dr. Temístocles, região da Esplanada Ferroviária de Campo Grande, depois que fiscais municipais cobraram licença ambiental exigida para o uso do espaço. A organização acatou a determinação, mas questionou o aparato policial, que mobilizou agentes armados e diversas viaturas no local.
DJ Gikka, uma das organizadoras do evento, contou ao Campo Grande News que a fiscalização começou por volta das 16h, quando integrantes da GCM (Guarda Civil Metropolitana) solicitaram o alvará após denúncia anônima. Sem o documento, a produção decidiu encerrar a programação e começou a desmontar a estrutura.
“A gente sempre faz evento ali na rua e os eventos nunca foram embargados nesse sentido. Eles chegaram solicitando um alvará ambiental da Semades (Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável) e a gente não tinha conhecimento sobre o documento. Ele não havia sido cobrado anteriormente em nenhum dos outros eventos', afirmou.
De acordo com a disk jockey, novas equipes chegaram quando os equipamentos já eram retirados. Ela relata a presença da Romu (Ronda Ostensiva Municipal), PM (Polícia Militar), agentes ambientais e fiscais.
“Depois que a gente já falou que encerraria o evento e já estava iniciando a desmontagem, começou a chegar um monte de viatura, de um monte de órgão', disse.
Gikka afirma ainda que apenas mulheres trabalhavam no local naquele momento e criticou o armamento usado pelos agentes. “Eles vieram com uma quantidade de pistola, espingarda, cassetete que não condiz com o que estava sendo feito. Estavam fechando um evento, mas portando fuzil, inúmeras armas e com uma quantidade excessiva de policiais, guardas e fiscalização. Era um sarau de mulheres para mulheres e só havia mulheres trabalhando', relatou.
O sarau ainda não havia começado quando ocorreu a fiscalização. Conforme a DJ, não havia música em execução e a estrutura, com telão, equipamento de som e espaço para exposição de artistas, havia sido montada entre 13h e 14h30.
“Não existia barulho, não tinha nenhuma música sendo reproduzida naquele ambiente. No máximo havia o barulho da montagem', afirmou.
Com o cancelamento, a organização recebeu duas horas para retirar os materiais instalados na rua. A programação marcaria o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica e reuniria apresentações musicais e exposições.
“É com grande pesar que a gente dá essa notícia e é mais um Dia da Visibilidade Lésbica porque a gente não tem espaço em nenhum momento. Está impossível produzir cultura, produzir a noite em Campo Grande', declarou.
Nas redes sociais, a organização informou que possuía autorização da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito) para uso da via, documentação relacionada à área tombada e segurança privada contratada.
O outro lado - Moradores da região relatam incômodos com eventos realizados na Esplanada Ferroviária e citam barulho, sujeira, aglomerações e transtornos no entorno.
A reportagem procurou a Prefeitura para saber qual licença foi exigida, qual norma fundamentou a fiscalização e como ocorreu a atuação das equipes municipais. A GCM e a PM também foram questionadas sobre quem solicitou apoio da corporação, o motivo do deslocamento e a atuação dos policiais no local. O espaço permanece aberto para manifestação de ambas as partes .
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